terça-feira, abril 25, 2006

Sr. António, Sr. António, a prima Liberdade chegou!

Há 32 anos a prima Liberdade - em boa hora - escolheu o nosso país para se instalar. Veio, instalou-se e até hoje faz um trabalho exemplar na educação cívica dos nossos caros concidadãos. É um trabalho belo, mas longo. Eu diria mesmo que ainda estamos longe de ter liberdade dentro de cada um de nós. Esta prima zela pelos nossos interesses e não nos deixa resvalar para o colo de um qualquer paizinho bem intencionado e protector. E nós, aqui andamos entre as saias da prima liberdade, usufruindo do seu calor amigo, mas sem compreendermos totalmente a responsabilidade que temos em mãos. Liberdade és tu e eu e os nossos actos. Liberdade não existe em abstracto. Liberdade pratica-se, todos os dias, no trabalho, no café com os amigos, em casa, em família. Lembra-te hoje da prima liberdade, mas, acima de tudo, lembra-te que ela és tu.

sexta-feira, abril 21, 2006

Pablo Picasso. Rapariga frente a um espelho. 1932. Óleo em tela. MOMA, Nova Iorque
Ainda em número de três são os textos que esgotam o que é certo e sabido: o Eclesiastes, A Roupa Nova do Imperador e O Guardador de Rebanhos. Tudo o mais é deserto, ruído, desinformação.

quarta-feira, abril 19, 2006

Três silogismos durante o café da manhã

Premissa maior:
O catolicismo leva a que as pessoas tenham mais filhos.

Premissa menor:
As elites do Sul da Europa são católicas.

Conclusão:
As elites do Sul da Europa têm mais filhos.

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Premissa maior:
Filhos de elites elites são.

Premissa menor:
As elites do Sul da Europa têm mais filhos.

Conclusão:
As elites do Sul da Europa têm um crescimento natural positivo.

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Premissa maior:
Os recursos são escassos.

Premissa menor:
As elites do Sul da Europa têm um crescimento natural positivo.

Conclusão:
O fechamento social das elites do Sul da Europa é grande.

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Há nesta narrativa um primado do idealismo. A cultura determina a demografia que determina a sociedade.
Vesica Pisces por Charles Gilchrist
Ao esticar francamente a corda e ver o V for Vendetta pela terceira vez beneficiei de duas pequenas iluminações que quero partilhar convosco. Julgo que a fotogramas tantos surgirá um El Greco por trás do V na Galeria das Sombras. O azul. A luminosidade espectral das volutas de fumo branco. A figura elongadas e retorcida... Tornou-se-me subitamente óbvio que Max Ponty glosava El Greco ao criar o maço dos Gitanes.

Design de Max Ponty

Mesmo que um texto - neste caso, um filme - não tenha arcaboiço para releituras, revisitá-lo just might reconduzir a nossa consciência por caminhos atípicos e despoletar um processo criativo. Aliás, é disso que gosto nas conferências. Sendo raríssimo interessar-me pelo que um prelector possa ter a dizer, a coisa põe-me no estado de espírito certo para criar o meu próprio texto.

Ah, a segunda iluminação: o vesica pisces e o "Olho de Rá" são uma e a mesma coisa. Parece que muita gente sabe isto mas para mim foi novidade. De qualquer modo, a forma como lá cheguei mostra o quão vão é estudar. Afinal, tudo está disponível para download.

Re-re-redescubramos o óbvio

domingo, abril 16, 2006

Curiosidades da língua portuguesa

O que é um trabucador?
É o que ou aquele que trabuca. Na sua expressão popular designa trabalhador, o que trabalha muito para viver.

Perante tal significado, permiti-me fazer uma simples dedução lógica: Se trabucador é o trabalhador, então trabuco deve significar trabalho. Nada mais incorrecto.

O que é trabuco?
Fiquem sabendo que trabuco designa espingarda curta e de boca larga, bacamarte, antiga máquina de guerra com que se expediam pedras contra as praças e, por último, na sua expressão popular, pasmem, grande charuto.

O que significará, afinal, a expressão "quem não trabuca não manduca"? Não se ponham para aí a deduzir apressada e erroneamente. Significa exactamente "quem não trabalha, não come". Afinal, meus caros, trabuco e trabuca não tem nada ver uma coisa com a outra. Elementar.

sábado, abril 15, 2006

Aconteceu a 15 de Abril de 1922

Por volta das 2:20 da manhã do dia 15 de Abril de 1912, no Oceano Atlântico Norte, afunda-se o maior barco até então construído - Titanic . Levava 2.200 pessoas a bordo.

Novas velhas formas de pobreza

Les capacités relationnelles des individus se déploient différemment pour les jeunes des classes moyennes et supérieures, gérant des cercles sociaux plus étendus, plus divers et plus distants, et les jeunes des classes populaires dont la sociabilité apparaît beaucoup plus localisé, inscrite dans la vie de quartier et façonnée par les amitiés constituées pendant l’adolescence.

Bergé, Cardon et Granjon (2003) «Faire groupe»

quarta-feira, abril 12, 2006

Sem comentários

Assembleia da República: falta de quórum impede votações

A falta de quórum devido à presença em plenário de apenas 111 dos 230 deputados impediu esta quarta-feira as votações semanais na Assembleia da República, que exigem a comparência de mais de metade do hemiciclo.
«Por falta de quórum não se realizam as votações», anunciou o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, depois de verificado o número de deputados presentes no hemiciclo na sessão de hoje, em vésperas de fim-de-semana prolongado devido à Páscoa.
O regimento da Assembleia da República estabelece que «as deliberações do plenário são tomadas com a presença de mais de metade dos seus membros em efectividade de funções».
No estatuto dos deputados é ainda referido que é «dever» dos parlamentares «participar nas votações».
Diário Digital / Lusa
12-04-2006 19:28:00

segunda-feira, abril 10, 2006

A forma do teu corpo imita a forma da tua vida.

**da-se!!!

Prodi vence

É óbvio que não amo este gajo. Mais rápido votava numa coligação Benigni-Moretti. Mas para mim este é o fim de um longo embaraço. Ter o Berlusconi como primeiro ministro de Itália era como estar num evento público acompanhado por um familiar embriagado; como se o governo do Santana tivesse durado cinco anos; como se os meus amados concidadãos europeus andassem por aí a comer gelados com a testa. Que alívio. Enfim um fim (perdoem-me a cacofonia) para esta vergonha. **da-se!!!

sábado, abril 01, 2006

Cuppa Joe, Louie, and make it strong and black

Cup of Joe...
o versa sobre design, mas tem. Não é um cachimbo, mas abre-lhe espaço. Não é uma máquina de expresso, mas certamente usa uma. Cup of Joe é um icone que, diz-se, data de 1930. A origem da expressão é controversa, mas este site oferece algumas explicações interessantes.
Por terras sadinas, Cup of Joe é sinónimo de coffee lounge no nr.558 da Av. Luisa Todi. Ontem abriu portas e encantou quem por lá passou. É caso para dizer:
Good night and Good luck.

terça-feira, março 28, 2006

segunda-feira, março 27, 2006

Estando a cozinhar, pensei...

A vaidade activa, física, masculina do fanfarrão do recreio suscita em reacção a vaidade passiva, intelectual, efeminada do rato de biblioteca. É o ciclo do abuso, um esquema de reprodução memética (estou algo fora da mouche aqui, o termo de Dawkins refere-se a ideias e eu escrevo sobre coisas mais entranhadas) tão implacável como quando pedófilos engendram pedófilos.

E a coisa recomeça. Os desalojados do recreio agarram um qualquer pretexto para desalojar uma fracção do seu grupo. Criam-se novos párias. Ad infinitum e ad nauseam, proliferam as especialidades, disciplinas, escolas, correntes. Nichos de tal forma pequenos que toda a gente é forte em alguma coisa ou nalguma combinação de coisas. Trata-se, afinal, de sobreviver?

sábado, março 25, 2006

KK (Eh!, só dois kapas, OK?)

Sinto-me levemente envergonhado por me deixar entrenecer por estas coisas. De qualquer modo, aqui fica: alguém que trabalha para o Paulo Branco disse-me há dias que tinha facilidade em impingir King Kards porque não sente que esteja a enganar as pessoas mas, pelo contrário, que está a vender um serviço vantajoso para o cliente. É como se me tivessem dito que o Pai Natal existe.

domingo, março 19, 2006

A cor das notícias

Aos jovens da Sorbonne não ouvimos chamar escumalha. E ainda bem! Pena é que se tenha chamado a outros que reividicavam igualmente por melhores condições de vida e inserção laboral.
Curiosamente também não ouvimos comentadores, na nossa televisão, com previsões "expertíssimas"alertando-nos para este barril de pólvora que também vai estourar aqui.

segunda-feira, março 13, 2006

De novo esta ideia. Em menos de quinze dias cruzou o meu caminho duas vezes:

The expressive symbols created by Palanese artists are no better than the expressive symbols created by artists elsewhere. Being the products of happiness and a sense of fulfillment, they are probably less moving, perhaps less satisfying aesthetically, than the tragic or compensatory symbols created by victims of frustration and ignorance, of tyranny, war and guilt-fostering, crime-inciting superstitions.

Huxley, Aldous ( 1994 [1962]) Island. London: Flamingo, p. 195

3/14 ou dia de π


A 14 de Março de 2006 celebra-se os 300 anos da aplicação da letra π para designar este número com uma infinidade de casas decimais, que representa a razão entre o perímetro de um círculo e o seu diâmetro.

sexta-feira, março 10, 2006

Banalidades

A malta dos recursos humanos certamente que o sabe há muito, mas para mim é algo que acaba de nascer das minhas próprias luzes.

A tese essencialista de que há bons e maus trabalhadores não me convence enquanto teoria da produção. A qualidade do trabalho não é um atributo de quem o produz mas do sistema que compreende o produtor, o consumidor (e.g., cliente, chefe), o meio ambiente e as relações entre estes três elementos. Os atributos do produtor apenas definem o limite superior de qualidade do trabalho que poderá ser produzido. Tudo o mais se joga na interacção. Se um trabalhador não está a render tanto como é suposto ou faz coisas surpreendentemente boas nas horas vagas, o consumidor terá de assumir responsabilidades.

quarta-feira, março 08, 2006

Cantinho da memória


E quem não se lembra deles?

O Wickie era o meu preferido. Lembro-me de o ter vermelho, azul, amarelo e verde, em bonequinhos de plástico que o cão - Jacky - teimava em roer.

segunda-feira, março 06, 2006

Impõe-se um pouco de revisionismo

Tal como a voz gravada dos intérpretes de uma canção que gostamos de acompanhar, a história por vezes engana-se. Eis algumas rectificações:

Melhor actor: Philip Seymour Hoffman Andy Serkis
Melhor actriz: Reese Witherspoon Naomi Watts
Melhor direcção artística: Memoirs of a Gueisha Good Night and Good Luck
Melhor filme: Crash The Constant Gardener

Segunda lei da termodinâmica

Os dias já vão sendo mais longos.

Carlos de Oliveira põe um dos seus Pequenos Burgueses a protestar, e bem, que devíamos fazer um calendário humano, expurgado da noção de tempo cíclico, própria à natureza mas falaciosa para nós, que vamos em linha recta para a cova.

Ainda Arrival and Departure

Reconto, de memória e sem sombra de elegância, uma parábola oferecida por Koestler lá para o fim do Arrival and Departure:

Na Grécia antiga, um jovem sentado num calhau junto ao mar traça, apaga e retraça triângulos na areia com a ponta de um pau. O tempo passa e ele continua nisto, obsessivamente. Um homem de barba branca surge do bosque e fica ali parado durante um momento, observando o jovem. A dada altura decide-se a aproximar-se e entabular conversação.

- Boas, jovem, sou Hepatites, poet and stand-up philosopher itinerante, e vinha a atravessar este bosque quando dei contigo. Não pude deixar de reparar que pareces um pouco perturbado. Que se passa?

- Salve, ancião, atormenta-me um sonho que se repete noite após noite. Não consigo parar de pensar nisso e só encontro algum alívio rabiscando estes triângulos na areia. Deixa que to conte: estou nas olimpíadas e o meu amigo Diabetes, que compete no lançamento do disco, vai actuar. Ele lança o disco com muita força mas na direcção errada. Vejo com preocupação que vem em direcção à minha cabeça. Desvio-me e constato que atingiu a minha mulher, mas ela não parece desagrada. Então, acordo encharcado em suores frios.

Hepatites riu e disse:

- Tens sorte, rapaz: ganho a vida a ajudar as pessoas a resolver os seus problemas pessoais e já compreendi do que sofres. Por um dracma posso bem ajudar-te a sair desse imbróglio.

Esperançado de encontrar algum alívio, o jovem deu o dracma a Hepatites. E este explicou-lhe:

- Pois bem, ao invés de te estares a atormentar pensando sempre em triângulos, o melhor que tens a fazer é ir para casa e interrogar os criados acerca da conduta da tua mulher quando te ausentas.

E assim fez o Pitágoras, pois era ele o jovem. Inteirou-se do que se passava e deu uma boa coça na mulher. Passou a sentir-se muito melhor. Nunca mais teve o sonho ou se sentiu compelido a pensar em triângulos. Este final feliz teve, contudo, um efeito colateral preocupante: a humanidade nunca veio a descobrir a relação entre os comprimentos dos catetos e da hipotenusa.

Estatuetas - take 1

Prognósticos furados Anadil.
Good night and good luck, apesar de genial, não seduziu os senhores da academia.

Prognósticos para os Óscares

Boa noite e boa sorte - Muito Bom. Merece Óscar, pelo menos para Melhor Realizador. O melhor Actor também merecia, mas há o Capote...
TransAmerica - Melhor actriz, sem dúvida!

sexta-feira, março 03, 2006

The windmills of your mind

Round
Like a circle in a spiral
Like a wheel within a wheel
Never ending or beginning
On an ever-spinning reel
Like a snowball down a mountain
Or a carnival balloon
Like a carousel that’s turning
Running rings around the moon
Like a clock whose hands are sweeping
Past the minutes of it’s face
And the world is like an apple
Whirling silently in space
Like the circles that you findIn the windmills of your mind

Like a tunnel that you follow
To a tunnel of it’s own
Down a hollow to a cavern
Where the sun has never shone
Like a door that keeps revolving
In a half-forgotten dream
Or the ripples from a pebble
Someone tosses in a stream
Like a clock whose hands are sweeping
Past the minutes of it’s face
And the world is like an apple
Whirling silently in space
Like the circles that you findIn the windmills of your mind

Keys that jingle in your pocket
Words that jangle in your head
Why did summer go so quickly?
Was it something that you said?
Lovers walk along a shore
And leave their footprints in the sand
Is the sound of distant drumming
Just the fingers of your hand?
Pictures hanging in a hallway
And the fragment of a song
Half-remembered names and faces
But to whom do they belong?
When you knew that it was over
You were suddenly aware
That the autumn leaves were turning
To the colour of her hair
Like a circle in a spiral
Like a wheel within a wheel
Never ending or beginning
On an ever-spinning reel
As the images unwind
Like the circles that you find
In the windmills of your mind

Dusty Springfield,
Música linda do trailer de Breakfast on Pluto

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Naco de Arrival and Departure

Que dites-vous?... C'est inutile?... Je le sais!
Mais on ne se bat pas dans l'espoir du succès!
Non! non, c'est bien plus beau lorsque c'est inutile! (...)
-Je sais bien qu'à la fin vous me mettrez à bas;
N'importe: je me bats! je me bats! je me bats!

Rostand: Cyrano de Bergerac,
citado no Arrival and Departure de Arthur Koestler

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Outros dados

[14:47] Devidamente Anonimizada: ontem soube que um ex-namorado meu se tornou jardineiro
[14:48] Devidamente Anonimizada: estava farto do mundo da investigaçao...
[14:48] Caerulus: :)
[14:48] Devidamente Anonimizada: e deixou tudo para ir viver a sua história numa aldeia
[14:48] Devidamente Anonimizada: a trabalhar nas obras, na sua horta e de jardineiro
[14:49] Caerulus: Que grande história.
[14:49] Caerulus: Parece literatura e não vida.
[14:49] Devidamente Anonimizada: exacto
[14:51] Caerulus: Posso reproduzi-la, devidamente anonimizada, no blog?
[14:51] Devidamente Anonimizada: ;)
[14:51] Devidamente Anonimizada: outros dados
[14:51] Devidamente Anonimizada: geografo, aldeia de serra nevada
[14:52] Devidamente Anonimizada: há que acrescentar-lhe também uma história de amor
[14:52] Devidamente Anonimizada: por uma mulher e pela vida

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Qual o darwinismo de Freud?

Pensando na filogénese: a agressão surge antes do sexo? As amebas, as paramécias fazem a guerra? Penso que sim.

Considerando os sistemas de resposta como uma hierarquia filogenética ou evolutiva. A saber, do mais recente e sofisticado para o mais primevo e rudimentar: razão, sentimento, instinto, reflexo.

Considerando a assustadora eficiência da natureza.

Faz sentido que comportamentos emergentes façam uso do repertório que os sistemas de resposta têm já desenvolvido para os comportamentos actuais. O sexo glosa a agressão que, por sua vez, glosa a alimentação.

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Vi no outro dia um documentário sobre o desenvolvimento ontogénico que avançava uma tese sobre a maturação do cérebro compatível com a hipótese de Burgess, manifesta na história de Alexander DeLarge: isso passa com a idade. O que me leva a pensar o que se poderia passar com os protagonistas de The Lord of the Flies alguns anos mais tarde.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

O medo do ridículo torna-nos ridículos

Encaremo-lo: nem de perto nem de longe experimentámos o suficiente para nos legitimar numa postura cínica, pessimista e cansada do mundo que, aliás, nem sequer é cool mas apenas um pouco ridícula e afectada.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Coconinowards, ho!

Reparo que Watterson está em deriva primitivista e herrimanizante. Gosto. Embora o conteúdo fosse muitas vezes bom, o visual era demasiado limpo. Go west, my son. Go west!

domingo, fevereiro 12, 2006

Não há Windows Xís Pê

Tenho a partilhar convosco uma pequena revelação, um apocalipse de trazer por casa: não há Windows Xís Pê, o que há é Windows Chi Ró. In hoc signo vinces. O Sr.Bill tem pida.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A verdade é muito simples

Madonna é um avatar. Falta saber de quem ou de quê. Do zeitgeist? Da Babilónia? Falta também saber se ela sabe que o é. Mas duvido, afinal ninguém se conhece a si mesmo ou é profeta na sua própria terra.

Cotações

Freitas do Amaral esteve bem

- Ao borrifar-se no politicamente correcto ( que é estar ao lado dos amiguinhos ocidentais)

E os nossos magníficos jornalistazinhos da tanga que andam à caça da polémica e do drama com um descaramento inacreditável vão para a porta da embaixada da Dinamarca perguntar ao senhor embaixador se não estava à espera de mais apoio do governo português! Ah e tal... é que faltou dizer ao MNE que é contra a violência ... (Por amor da Santa!!! Todos querem ver o circo pegar fogo para vender mais uns jornalitos. Mas quando arder, o papel é o primeiro a ir! )

Jorge Sampaio esteve mal

- Ao não visitar Canas de Senhorim (seja lá onde isso for!);

Disse, há uns dias, que se orgulhava de nunca ter sido maltratado por nenhum cidadão e que os portugueses sempre o trataram com muito carinho. Pois, e para acabar o mandato nesse grande estilo, fugiu com o rabinho à seringa de uns senhores lá de cima (???) que diziam : Ianda cá ianda!!
Mesmo sem esta visita foi o primeiro presidente português a visitar todos os concelhos do país (é que afinal Canas de Senhorim ainda não é concelho)!


- ao enervar-se com o major por causa da carta;

O senhor presidente ficou passado quanto questionado pelos tais jornalistazinhos que gostam de ver o circo pegar fogo. Das duas três:
a) ou está mesmo farto, quer ir de férias e ver isto tudo pelas costas;
b) agora que está de saída controla menos os nervos e está-se a borrifar para a imagem;
c) serviu-lhe de tal forma a carapuça que só o fez indignar-se daquela maneira.


Apesar de tudo vou ter saudades deste presidente e não me importava que o Freitas fosse o seu sucessor. E não é fácil ver-me a dizer isto!

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Private Dancer

Well the men come in these places
And the men are all the same
You don’t look at their faces
And you don’t ask their names
You don’t think of them as human
You don’t think of them at all
You keep your mind on the money
Keeping your eyes on the wall

- Chorus -

I’m your private dancer
A dancer for money
I’ll do what you want me to do
I’m your private dancer
A dancer money
Any old music will do

- End chorus -

I wanna make a million dollars
I wanna live out by the sea
Have a husband and some children
Yeah I guess I want a family
All the men come in these places
And the men are all the same
You don’t look at their faces
And you don’t ask their names

- Repeat chorus twice -

Deutschmarks or dollars
American express will nicely thank you
Let me loosen up your collar
Tell me do you wanna see me do the shimmy again

- Repeat chorus -

sábado, fevereiro 04, 2006

Há algo de podre no reino da Dinamarca

Passo julgamento:


  • Quem iniciou isto, nomeadamente o pessoal do jornal dinamarquês, sabia muito bem o que estava a fazer. Trata-se de uma provocação deliberada. Merecem tudo o que tiverem, excepto a publicidade gratuita .

  • A caricatura é e sempre foi inaceitável à luz da tendência civilizacional para o politicamente correcto. Sempre foi um insulto. É curioso é notar que se o grupo vítima do insulto tivesse sido os pretos, os homossexuais, as mulheres ou os judeus algo de muito pior teria já acontecido aos provocadores. Notem bem que os grupos que referi são tudo gente boa, têm é o sistema imunitário melhor montado do que os islâmicos, ou seja, estão bem integrados e têm o poder de defender de forma eficaz o seu bom nome na praça pública.

  • A fracção radical dos islâmicos tem de compreender que não é à porrada que se resolvem as coisas. O resultado do seu actual método de lidar com os problemas é que até grupos que já mencionei e que, suponho, mas posso estar a ser preconceituoso acerca do que é a weltanscahuung de um islâmico radical, eles olham como párias se safam melhor.

Paz.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Bílis

Portugal, talvez o mundo, pertence aos arrivistas, aos sabujos, aos manteigueiros. Vivemos à sua mercê, na sua graça. O grande conflito entre principios de atribuição de recompensas, ou seja, entre princípios de organização da sociedade, é entre o nepotismo, senso estrito, e a meritocracia da sabujice: fulano passar melhor manteiga do que sicrano. Surpreendo-me por ainda estar vivo e a trabalhar.

Um idealismo malsão

A res cogitans é como um cancro da res extensa. Talvez tenha havido um tempo em que o materialismo proporcionava uma visão adequada da realidade, mas hoje mais de metade desta é imaterial. É um pouco como a história que Burroughs conta do homem que ensinou o olho do cú a falar e acabou suplantado por este. Tudo o que é sólido se desfaz no ar.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Que macadada é esta?

Então a Naomi Watts nem sequer é nomeada? Querem enganar quem?

The Tree of Life
Gustav Klimt

Para quem não tem mais nada para fazer!!

Uma pesquisa grosseira no Google mostrou-me a ordem de "importância" de algumas personalidades. Comecei pelos candidatos às recentes presidenciais. Confirmei que o Mário Soares é mais "importante" que o Cavaco Silva. A busca pelo primeiro encontra 2,470,000 referências, enquanto que o futuro presidente recolhe apenas 1,730,000. Aliás, no espectro político só o Garcia Pereira se lhe aproxima com 2, 360,00 referências. Já na "bola" temos gente muito "importante": o Luís Figo é quase tão importante como o Marocas, com 2,460,000 referências. O Mourinho, esse grande cromo da bola colhe 2,600,000 ocorrências e o Grande, esse líder da Nação, o Sr. Pinto da Costa com 2,990,000.
Bom, só "postei" isto porque o Frater Caerulus há uns anos que vem apelando "Pinto da Costa à presidência"!

E agora as letras pequenas que acompanham estas contagens da tanga: Este estudo foi efectuado entre as 0h30 e 0h40 de dia 1 de Fevereiro. Foram contempladas todas as entradas referidas pelo Google sem excluir referências a nomes idênticos que não coincidem com os senhores que costumamos ver na televisão.

domingo, janeiro 29, 2006

Os rapazes da terra do gelo

Os Sigur Ros são das melhores bandas da actualidade. Vi-os e ouvi-os no Coliseu o ano passado e rendi-me ao encantamento que a sua música produz. Para quem conhece ou não conhece e gostava de conhecer, aqui ficam dois pequenos tesouros: hoppipolla e glosoli. Um mimo!

segunda-feira, janeiro 23, 2006

"Venci contra quatro candidatos (...)"


Ai, valha-nos!
Outro que não sabe fazer contas. Este com a agravante de ter ganho pela sua suposta competência na área da economia. Não se entende muito bem porque é que tal perfil lhe foi vantajoso junto do eleitorado já que as funções constitucionais do Presidente da Répública são essencialmente as de "representação da república Portuguesa, de garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições". Enfim, creio que já nem isto as pessoas sabem ou querem saber ...
Pelo menos, e parafraseando Agustina Bessa Luis, tem estatura. Estamos muito mais descansados!
Aos 64.139 marrecos que poderiam ter ido votar em qualquer dos outros cinco candidatos e desse modo proporcionado uma segunda volta tenho uma e só uma coisa a dizer. Nas palavras do Divino Arquitecto: aguenta, não chora.

Não querendo ganhar na secretaria, gostaria que alguém me explicasse porque é que os votos brancos e os nulos não entram no denominador da percentagem. Afinal, só 49,66% das pessoas que foram votar escolheram o agora Presidente Eleito.

A tendência de Cavaco era descendente e Alegre - em quem não votei - mostrou-se conotável com valores que não têm tido expressão nesta era tecnocrática. O povo também disse que há muito mais do que a economia, estúpido. Chego a ter pena dos plutocratas, spin doctors, barões dos media e outros animais em processo de obsolência. Caminham inexoravelmente para a extinção. Este quase foi o seu último fôlego. É embaraçoso. Daqui a uns anos só os vemos no zoo.

Já tá

Quando oiço gritar a certo e determinado "candidato" que o povo está com ele, percebo que não sou do povo!

domingo, janeiro 22, 2006

Artigo Sobre Maus Supervisores

A Sciencecareers.org publicou recentemente um artigo sobre maus supervisores. Alguns dos depoimentos parecem familiares. Surpreende-me, contudo, que a percentagem seja tão baixa. Talvez as minhas expectativas sejam condicionadas por só conhecer uma escola.

sábado, janeiro 21, 2006

Five to One

Yeah, c'mon
Love my girl
She lookin' good
C'mon
One more

Five to one, baby
One in five
No one here gets out alive, now
You get yours, baby
I'll get mine
Gonna make it, baby
If we try

The old get old
And the young get stronger
May take a week
And it may take longer
They got the guns
But we got the numbers
Gonna win, yeah
We're takin' over
Come on!

Yeah!

Your ballroom days are over, baby
Night is drawing near
Shadows of the evening crawl across the years
Ya walk across the floor with a flower in your hand
Trying to tell me no one understands
Trade in your hours for a handful dimes
Gonna' make it, baby, in our prime

Come together one more time
Get together one more time
Get together one more time
Get together, aha
Get together one more time!
Get together one more time!
Get together one more time
Get together one more time
Get together, gotta, get together

Ohhhhhhhh!

Hey, c'mon, honey
You won't have along wait for me, baby
I'll be there in just a little while
You see, I gotta go out in this car with these people and...

Get together one more time
Get together one more time
Get together, got to
Get together, got to
Get together, got to
Take you up in my room and...
Hah-hah-hah-hah-hah
Love my girl
She lookin' good, lookin' real good
Love ya, c'mon

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Vamos resistir, vamos dizer "Não"

«Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagemm
as tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

QRN sobre Bretzelburgo

QRN sur Bretzelburg

É extremamente questionável que uma artista tão consistentemente genial como André Franquin tenha produzido uma obra que se saliente do conjunto ao ponto de merecer o título de obra maior. Creio que penso no QRN sobre Bretzelburgo mais frequentemente do que nos restantes títulos pelo que me ensinou acerca da política, sobretudo acerca dos conflitos internacionais, do jogo duplo. Dou graças.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Madeleine Peyroux


A minha primeira impressão foi que estaria a ouvir Billie Holiday cantar Leonard Cohen. Um segundo depois apercebi-me do anacronismo e fui ver do que se tratava. Era a Madeleine. Bem-vinda.

Mais presidenciais

Dizem que os portugueses já estão fartos de campanha. Não sei se é ela que me vai esclarecer, mas sinto, pela primeira vez, bastantes dúvidas acerca do meu sentido de voto. E já estamos perto das eleições.

A única coisa que sei, desde o início, é em quem não vou votar:
. Candidato - o senhor do bolo (rei);

Outros foram eliminados pelo caminho, ou não chegaram a fazer parte do meu leque de opções, nem sei:
. Candidato - À falta d'outro;
. Candidato - Vai a todas;

As dúvidas pairam no ar. Confundem-se as crenças e identificações políticas com a empatia. Ainda assim, destes três:
. Candidato - A esquerda do cachimbo;
. Candidato - Mais poeta que o poeta;
. Candidato - O poeta propriamente dito;

acho que já só pondero sobre dois. Faltam 9 dias de arruadas, comícios e coberturas jornalísticas esclarecedoras do género:"A sala do jantar do candidato X estava cheia porque para comer de graça aparece sempre gente". Pode ser que até lá me decida sem grandes stresses.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Sondagens

Há dias em que não leio um jornal, outros em que é à resma. Hoje peguei por acaso no DN de ontem e deparei-me com a sondagem para as presidenciais. É um assunto que me preocupa. Já tinha ouvido que 60% das intenções de voto estariam fixadas no Cavaco e essa não é uma direcção para o país que me deixe satisfeito, quer pelo conteúdo político quer pelo unanimismo.

Fui ver. Não era exactamente neve. Antes de mais, a sondagem é telefónica. Ora, sei de fonte segura que menos de metade dos lares têm telefone fixo. Isto implica que 1) mais de metade das famílias tem uma probabilidade zero de ser entrevistada. Acresce que 2) a entrevista telefónica impede a utilização do método de voto em urna e as pessoas têm pudores e receios muito substanciais quanto à divulgação do seu voto. Isto materializa-se aliás nos números divulgados: 606 entrevistas a dividir por 7590 números de telefone dá 8%, ou seja, 3) uma taxa de recusa de 92%. Por fim, as quotas: não fica claro da ficha técnica se a estratificação é paralela ou cruzada e 4) se for paralela há espaço para grandes derrapagens na combinação dos atributos (por exemplo, entrevistarem-se demasiados homens jovens numa região e, em contrapartida, um número insuficiente de homens jovens noutra região); finalmente, 5) é notória a ausência entre as variáveis utilizadas nas quotas de qualquer referência à estratificação social como, por exemplo, a escolarização terminal ou ESOMAR social grades, o que significa que, se por acaso tiverem sido entrevistadas muitas pessoas na base ou no meio da pirâmide social os resultados de um candidato apoiado por um partido de elites, como seria o caso do Francisco Louçã, ficarão necessariamente aquém do que seria a sua expressão real.

Tudo isto nos sugere que a verdadeira situação pode ser bem diferente da que aparenta. Contudo, não podemos esquecer o magistral adágio de Salazar: em política o que parece é. A 6) apoteose de Cavaco nas sondagens predisporá os seus apoiantes a responder a entrevistas telefónicas e levará ao retraimento de quem pensa de modo diferente. Falta saber se o mesmo efeito se estenderá ao voto propriamente dito.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Deixa lá Jacinto

A Elisabete Jacinto viu-se forçada a abandonar o Dakar. Temos pena pois ela porta-se muito bem ao volante do seu camião.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Corrida ao Ouro


Ouro atinge o preço mais elevado em 25 anos. Assim ditam os títulos de alguns jornais. A onça de ouro subiu para 544,60 dólares, estabelecendo-se ao mais alto nível desde Janeiro de 1981.
Nos últimos anos a Europa vendeu, vendeu...e a Asia, comprou, comprou...
Pois é, parece que este metal vai voltar a dar que falar.

domingo, janeiro 08, 2006

Tu és o marinheiro

"Queres ver outra vida? Outro mundo?
Abre bem as mãos da próxima vez que sentires o vento, e deixa-o soprar-te por entre os dedos. Aí não saberás se és tu que corres no vento, ou se é o vento que corre em ti...."

(in "a balada do marinheiro de estrada" by miguel gullander)

O dia oficial

Hoje é o primeiro dia oficial de campanha para as eleições presidenciais.
É como os saldos, quando começam, já está toda a gente farta deles.

sábado, janeiro 07, 2006

Clã


Do Lusoqualquercoisa ao Rosa Carne,
os Clã confirmam-se uma e outra vez.
Gosto de todas, de modos diferentes.
Aqui fica "Eu ninguém".

eu ninguém
eu ninguém comigo só
posso ser
travesti de quem quiser
manequim de bazar
ou rainha do lar
madame butterfly
barbie suzie dolly polly pocket

tudo bem
mas eu posso ser também
emanuelle
lady miss mademoiselle
num harém meretriz
ou apenas actriz
o espelho me diz
gueixa vénus eva dama virgem mãe

é que eu sei
o que eu sou e o que não sou
mas é claro
o que eu for eu sou
sem ninguém
só o que eu tenho a saber
é quem de nós cem
hoje eu vou ser

sei lá sei lá
sei lá sei lá
sei lá sei lá
sei lá

(Arnaldo Antunes \ Hélder Gonçalves)

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Em 2006

Seja Como For

faça o que quiser
viva o que vier
seja onde estiver
faça o que puder
viva como der
sinta o que vier
seja o que quiser
faça o que fizer
pegue o que puder
viva onde estiver
seja como for, amor.

(Letra dos Clã)

terça-feira, janeiro 03, 2006

Os temas de Miyazaki

Enunciemos os temas que encontramos na obra de Miyazaki:
  • o poder e a liberdade;
  • a guerra;
  • a comida e o prazer de comer;
  • a cidade e as serras;
  • as idades do homem e da mulher;
  • o matriarcado;
  • a poluição, destruição da natureza;
  • a possibilidade de mudar.

Prémio Mensagem 2005

"Olá Amigos, Boas Entradas, Excelente Carnaval, Páscoas Felizes, Óptimo 25 de Abril, Gozem as Férias, ah e é verdade Felizes aniversários!!!!!!
Pronto está tudo despachado. Até 2007. Beijocas"

segunda-feira, janeiro 02, 2006

quinta-feira, dezembro 22, 2005

terça-feira, dezembro 20, 2005

Kate Vicente

250 gramas de açúcar
250 gramas de farinha
250 gramas de manteiga
1 cálice de Vinho do Porto
1 chávena de açúcar queimado (caramelo)
5 ovos
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de açúcar baunilhado
1 colher de chá de canela
A quantidade que se quiser de frutos secos (nozes, amêndoas, pinhões, etc.) picados.

Bate-se a manteiga com o açúcar até ficar um creme branco. Acrescenta-se-lhe os ovos um a um alternadamente com a farinha, batendo entre cada adição. Depois de bem batido, junta-se o Vinho do Porto e as especiarias. Por fim, deita-se o caramelo, devagar, batendo sempre, e os frutos secos picados. Coze-se em forno um pouco brando, a cerca de 180º/190º, durante aproximadamente 55 minutos, numa forma previamente untada com manteiga e polvilhada com farinha. Deixa-se arrefecer na forma e de seguida põe-se no prato de servir.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Na terra dos sonhos do Jorge



Andava eu sem ter onde cair vivo
Fui procurar abrigo nas frases estudadas do senhor doutor
Ai de mim não era nada daquilo que eu queria
Ninguém se compreendia e eu vi que a coisa ia de mal a pior

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Andava eu sózinho a tremer de frio
Fui procurar calor e ternura nos braços de uma mulher
Mas esqueci-me de lhe dar também um pouco de atenção
E a minha solidão não me largou da mão nem um minuto sequer

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Se queres ver o Mundo inteiro à tua altura
Tens de olhar para fora, sem esqueceres que dentro é que é o teu lugar
E se às duas por três vires que perdeste o balanço
Não penses em descanso, está ao teu alcance, tens de o reencontrar

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar.

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Não há como não o amar.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Sobre as minhas paixões


Descia uma estrada, atravessava uns arrabaldes, trepava para cima de um muro, percorria um pequeno pinhal e, voilá, chegava ao liceu.
De linhas geométricas e austeras, erguia a sua aura misteriosa entre a copa de arvores antigas e pacientes. Os corredores eram largos e compridos, com janelas amplas, de parapeitos largos em toda a sua extensão.
A ligação entre os diferentes edifícios era feita através de portas de madeira que se abriam de par em par para átrios de chão marmoreado e paredes lisas. As portas das salas de aula abriam-se para uma parede repleta de janelas acocoradas nos amplos parapeitos, deixando ver os ramos das árvores lá fora.
Erguendo-se imponente entre os edifícios estava a Torre do Relógio que, durante anos, povoou o imaginário de muitos. A realidade nada ficou a dever à fantasia, mas, "that's another story".
Entre os seus encantos contavam-se ainda o lago dos nenúfares, o "sobe e desce", os abrigos, o muro empedrado e largo que circundava toda a propriedade e as arvores de ramos que convidavam a trepar.
Assim era a Torre da Aguilha em todo o seu esplendor.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Apontamentos sobre o prazer - o prato predilecto

Lembro-me como se fosse hoje do prazer que, em criança, retirava de comer salsinhas com ovos estrelados e batatas fritas. Ah, não havia nada melhor! Nem mesmo o frango assado, que durante anos esteve no top3, alcançava um score tão alto!
Aos fãs revivalistas, aconselha-se uma visita à, internacionalmente famosa, Adega da Barroca.

Saraband

É bela esta dança a dois.
Adorei a fotografia, os actores, os diálogos. Ah, devo dizer que os valorizei ainda mais após experienciar babel nos primeiros 5 minutos de filme. As legendas estavam ilegíveis e Marianne falava-nos pausadamente em sueco. Vi-mo-nos obrigados a abandonar a sala, assistimos a um quase motim mas tudo acabou em bem. Em pouco tempo estavamos todos de volta à sala para apreciar Saraband em toda a sua beleza.

Marianne com a sua expressividade feminina e maternal. Cativante. Johan com a sua armadura à prova de amor... que desconcerto.

Amor, inocência, lascívia e incesto. Tudo envolto em música. Intenso e fugaz, como a vida.

sábado, dezembro 10, 2005

A não perder


Tessa Quayle: I thought you spies knew everything.
Tim Donohue: Only God knows everything. He works for Mossad.


[The constant gardner]






segunda-feira, dezembro 05, 2005

Elizabethtown

O filme está longe de ser sobrepujante mas não cessa de me supreender que uma miúda tão simpática tenha sido uma horrível vampira quando era pequenina.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Culto do risco

Santorini, Grécia.
Vulcão com 565 m.
36º25'N, 25º25'E.
Última erupção em 1640 B.C.
Escalado em 2002.


Nápoles, Itália.
Vulcão com 1281 m.
40.821°N, 14.426°E
Última erupção em 1944.
Visitado em 2003.


Ilha do Fogo, Cabo Verde.
Vulcão com 2.829 m.
14.9º N, 24.3º W.
Última erupção em 1995.
Escalado em 2004.




quinta-feira, novembro 24, 2005

Pelo sonho é que vamos

Percebi ontem que depois da desilusão (ausência de ilusão e não tanto decepção) é mais fácil conseguir calma e serenidade. Hoje confirmei uma e outra vez! Enquanto temos a ilusão de que qualquer coisa existe achamos que a podemos mudar ou que ela nos pode mudar a nós. Com a desilusão esse desassossego acaba.

Afinal, pelo sonho é que vamos!

terça-feira, novembro 22, 2005

Outra vista de Delft

 Posted by Picasa

Vida santa...

Todos gostamos de saber da existência do "fogo" e que o seu calor nos aqueça... a maioria não se aproxima com medo de se queimar.

Petição pela Salvaguarda do Museu Geológico

Segundo um folheto disponível em linha no sítio da DREL:

O nosso Museu Geológico contém as mais completas colecções de fósseis colhidas em Portugal: ossos e pegadas de dinossauros, grandes mamíferos, peixes, trilobites, amonites, etc, etc., bem como um conjunto espectacular de peças arqueológicas, assim como belos exemplares de minerais (nacionais e estrangeiros) e de instrumentos científicos antigos.

Maria João Rodrigues on basic values

This larger discussion in the Member States should take into account this more general background of the European social model and the new strategic challenges it is facing nowadays. Moreover, its underlying basic values seem also to be under re-interpretation, notably when:

- it is said that security should be for change, and not against change...

segunda-feira, novembro 21, 2005

Mandar pausa

Charme de charmes, tudo é charme. Conheço quem ostente o seu
e-analfabetismo como se de uma marca de nobreza se tratasse. E cola. Amam-se e fazem-se amar por serem assim. De outra classe, de outro tempo. Acima dessa vulgaridade. É tão chique ser ignorante. É tão sexy ser incapaz. Veblen explica, mas isso não traz consolo.

Gilliam on the homeless and Piranesi

It's like moving back in history to an earlier time which is now where the homeless and bums live. They live in this, well, literally they're living in a Piranesi world, as opposed to the modern world.

domingo, novembro 20, 2005

Memória de Escorpião

Let me take you far away
You’d like a holiday
Let me take you far away
You’d like a holiday


Exchange the cold days for the sun
A good time and fun
Let me take you far away
You’d like a holiday


Let me take you far away
You’d like a holiday
Let me take you far away
You’d like a holiday


Exchange your troubles for some love
Wherever you are
Let me take you far away
You’d like a holiday


Longing for the sun you will come
To the island without name
Longing for the sun be welcome
On the island many miles away from home
Be welcome on the island without name
Longing for the sun you will come
To the island many miles away from home

terça-feira, novembro 15, 2005

Ave atque vale

Com o passar do tempo vamo-nos tornando mais corpo. O corpo é assento de saberes. Não é que os velhos saibam mais. Sabem é diferente. Sabem a romãs.

quarta-feira, novembro 09, 2005

A queda de um mito

Passei a vida toda a ouvir que o português tem jeito para as línguas e não-sei-o-que-mais. Mentira. O Eurobarómetro mais recente mostra que só 36% dos portugueses afirmam conseguir manter uma conversa noutra língua. Esta percentagem é idêntica à da Espanha, país que o senso comum aponta como o de maior aversão a línguas estrangeiras. A média na EU25 é 50%.

terça-feira, novembro 08, 2005

França #2

Quando uma caubóiada destas é espontânea, e esta parece sê-lo, torna-se particularmente interessante observar os esforços de apropriação desenvolvidos pelas cabeças falantes. À luz do texto, neste caso, à luz dos automóveis em chamas, emergem comunidades interpretativas que dele extraem o que podem ou querem. Por ser informe, a violência nocturna francesa presta-se a funcionar como teste projectivo, um Rorschach feito já não de borrões de tinta mas de sangue, óleo e fuligem.

França #1

O Público surgiu ontem com uma parangona bem esgalhada mas perfeitamente irresponsável, senão mesmo manipuladora. Falar em 'intifada francesa' é demasiado evocativo na medida em que traz acoplado o tema do choque das civilizações, propagandísticamente caro a quem se sabe, quando este não vem minimamente a propósito. O que se passa em França é, tanto quanto me tem sido possível entender, um puro fenómeno de classe. Não li nada que sugerisse ter esta onda de violência um cerne religioso ou cultural. É preciso um tipo muito especial de pessoa para sugerir que a actual situação é de molde a permitir ao senhor Bush vir dizer: 'eu bem avisei...'

sexta-feira, novembro 04, 2005

Say it isn't so

E não é mesmo. O universo apresenta-se-me de novo de uma forma reconhecível. A inquietação que me habitava ontem dissipou-se como uma tempestade de Verão. O verdadeiro Mal, não sendo um meio mas sim um fim em si, destrói-se a si próprio. É tão simples como isto. Um mecanismo homeostático incorporado na criação.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Horror de horrores

Tenho vivido na convicção de saber a quem Kurtz se refere quando balbucia "O Horror. o Horror." Acontecimentos recentes abalaram-me nesta certeza. O meu Horror, verdadeira emanação antropomórfica da entropia, estropiado estropiante cego até às derradeiras alegrias do sadismo e do masoquismo, parece ter caído vítima de um mal mais mesquinho. Poderá ser? O esteta do mal, aquele que persegue o mal pelo mal sem disso tirar qualquer vantagem ou prazer, vencido por um mal pequeno-burguês, um mal com um objectivo, um mal degradado à condição de meio utilizado para um fim? Temo bem que sim. Sinal dos tempos. O pragmatismo e a mesquinhez ceifam a torto e a direito pelas fileiras da humanidade. Estava habituado à ideia de não haver lugar para santos ou sequer para pessoas moderadamente decentes. Choca-me que também os verdadeiros apóstolos das trevas não tenham lugar na ordem das coisas. É uma ruptura com a minha visão do mundo muito difícil de realizar. Cai Barâd-dur, fecha-se a sala 101, as pessoas perguntam-me: Hannibal quem? E eu não sei.