sexta-feira, junho 03, 2005

Bardo, estado transitório. Vago equivalente de Limbo. Nenhures. Não-lugar. Utopia.

quarta-feira, junho 01, 2005

Que se foda a dualidade acção-pensamento e todos os cabrões que nos querem convencer de que há que optar.

segunda-feira, maio 30, 2005

Manuscrito de um 'market researcher'

Admitindo a veracidade da afirmação de Mary Douglas segundo a qual os consumos são uma ferramenta para lidarmos uns com os outros, faz sentido deslocar o foco da nossa atenção dos atributos da marca para os atributos das pessoas que associamos com a marca.

domingo, maio 29, 2005

Um corolário de panta rei

Um corolário de panta rei é a fatalidade da perda. Mas a perda é um efeito do observador. Poderíamos igualmente falar da fatalidade da descoberta.

sexta-feira, maio 27, 2005

Livro do dia

Cá em casa vamos lendo 'Maio e a crise da civilização burguesa' de António José Saraiva, que comprei por impulso e tem sido gratíssima surpresa. Prometo-vos uma ou outra tranche quando tiver tempo para transcrever.

terça-feira, maio 24, 2005

O lucro de um investimento, a ser entendido como remuneração do factor capital, deve ser proporcional à dependência do negócio face a esse factor de produção: grande na indústria pesada e pequena nos serviços. Precisando pouco do factor capital, os serviços seriam, por fatalidade económica, um sector tendencialmente cooperativo. Então porque é que isso não acontece? Porque é que temos grandes empresas de consultoria que tudo o que vendem é a massa cinzenta dos seus assalariados? Como é que o empresário dos serviços faz para extrair mais-valia de pessoas que teóricamente não precisam dele?

segunda-feira, maio 23, 2005

Giddens is right to say that talking about the self as if it's peopled by 'mini-actors' is unhelpful an unnecessary: talking about 'moral conscience' is, for example, a straightforward substitute for 'superego'(or the 'me' and the 'generalised other').

Richard Jenkins (2004) Social Identity. Londres: Routledge. p. 44


Com a justa condenação da metáfora organicista ao círculo do inferno reservado às ideologias autoritárias, perde-se o potencial que esta reservava de fazer ver que a sociedade é tão nojenta como o corpo. A mim repugna-me esta multiplicação purulenta dos vocabulários com a qual se escavam nichos ecológicos para sucessivos estratos de peritos e os seus pretensos saberes. Até onde se vai para vender árvores mortas. A estupefacção é idêntica à que sinto ao ver como é infinito o número de vezes que se consegue vender um predaço de papel brilhante com a foto de uma mulher na capa.

domingo, maio 22, 2005

And each to each other dreams of others' dreams

Na medida em que sejamos ecos, interacções, jogos com espelhos moventes, torna-se importante estabelecer de quem havemos de ser ecos ou reflexos. Ao procurarmo-nos no outro estabelecemos cabalmente a razoabilidade, senão o imperativo ontológico do elitismo. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és, quem queres ser, o que vais sendo. A sociabilidade manifesta um projecto de vida, é a encarnação das orientações teleológicas do nexo que é determinado indivíduo.

segunda-feira, maio 16, 2005

Será que o tipo humano que aqui e agora entendemos sob a designação de 'workaholic' é o que em outros tempos e lugares seria entendido como 'uma vocação'?

quinta-feira, maio 12, 2005

A patologia adora companhia

When you deal with psychotics you're drawn in; you become mentally ill
yourself.

Philip K. Dick ([1964] 2004) The simulacra. Londres:
Gollancz. p. 46

terça-feira, maio 10, 2005

Outra luz azul

Oh, cobarde consciência como me afliges!...
A luz despede clarões azulados!...
É a hora da meia-noite mortal!... Um suor frio encharca a minha carne trémula!...
Pois quê? Terei medo de mim próprio?...
Não há aqui mais ninguém… Ricardo ama Ricardo… É isso; eu sou eu…
Haverá aqui algum assassino?...Não… sim!... Eu?...
Fujamos, então!... O quê? De mim próprio? Valente razão!...
Porquê?... Do medo da vingança! O quê? De mim contra mim?
Ai! Eu amo-me! Por que motivo? Pelo escasso bem que a mim próprio fiz?
Oh, não! Ai de mim!... Deveria antes odiar-me pelas acções infames que cometi!
Sou um miserável! Mas minto: não é verdade… louco, fala bem de ti! Louco, não te adules!
A minha consciência tem milhares de línguas, e cada língua repete a sua história particular, e cada história me condena como miserável!
O perjúrio, o perjúrio em supremo grau!
O assassino, o assassino atroz até aos extremos da ferocidade!
Todos os diversos crimes, todos cometidos sob todas as suas formas, ocorrem para me acusar, e todos gritam: Culpado! Culpado!... Desesperarei! Não há criatura humana que me ame!
E se morrer não haverá uma alma que tenha piedade de mim!...
E porque teria? Se eu próprio não tive piedade de mim!”

(William Shakespeare, Ricardo III)

sexta-feira, abril 29, 2005

Cântico Negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio

No ventre da noite

Há transições brutais: o bilhete é sagrado enquanto estás a bordo e um pedaço de lixo ou um memento mal desembarcas.

quarta-feira, abril 27, 2005

Outro 'cui bono?'

Não há verdadeira fronteira entre informação e propaganda, entre objectividade e ideologia. Não se tratam tampouco dos extremos de um contínuo. A informação pode ser verdadeira ou falsa. É essa a pergunta a fazer perante informação: será verdadeira ou falsa? Mas verdadeira ou falsa a informação é sempre propaganda. E aqui entra a segunda pergunta: de quem?

quarta-feira, abril 20, 2005

quarta-feira, abril 13, 2005

Afinal não é o altruísmo que nos move??

"Na aldeia global, a pobreza de outrem rapidamente se torna um problema nosso: falta de mercados para os nossos produtos, imigração ilegal, poluição, doenças contagiosas, insegurança, fanatismo, terrorismo."

Relatório da Grande Comissão para o Financiamento do Desenvolvimento nomeada pelo secretário-geral das Nações Unidas, in SINGER, Peter, Um só mundo, a ética da globalização, p.33

terça-feira, abril 12, 2005

segunda-feira, abril 11, 2005

Uma posta de Mattoso (pp.35-6)

O impacto d'Os Lusíadas sobre o imaginário nacional é de tal ordem, que se torna difícil exagerá-lo, se não se compara o sentido do seu discurso com o de todos os textos anteriores que já referimos. Exprime uma espécie de euforia resultante da visão da história nacional como um conjunto cujo relato evidencia uma lógica que antes ninguém podia ter percebido. A forma poética, retórica, enfática, do discurso imprime-lhe uma força persuasiva enorme. Aqueles que se consideram membros do mesmo povo não podem deixar de se convencer que aquela é de facto a sua própria história. Assim, os receptores identificam-se eles próprios com os heróis, não como representantes do colectivo que ali desempenha as funções de principal actor. O povo, que até então fora apenas uma massa cinzenta e ignorada, cuja existência só se percebia como suporte da autoridade régia, passa para o primeiro plano das acções heróicas, independentemente de qualquer chefe. É um colectivo, e portanto um ser abstracto, mas, ao tornar-se protagonista de uma história gloriosa, adquire personalidade, isto é, uma identidade compreensível para as mentes mais simples ou mais rudes. Resta o problema de saber quantos portugueses leram o poema, nessa época e no século seguinte...

José Mattoso (2003) A Identidade Nacional. Lisboa: Gradiva.

sexta-feira, abril 08, 2005

CINEMA - Kingkard3

Hide and seek, O amigo oculto

Não aprecio filmes de terror. Acho que já temos suficientes medos na vida real...

Mas lá fui ver e o palpite de que não ia gostar muito não falhou.
Os ingredientes para um filme de terror estão lá todos: crianças, casa no campo, facas, banheira e bonecas de porcelana! Mas até aqui tudo menos mau. O pior é que a história, enredo ou seja lá o que for que se esconde atrás do suspense não me surpreendeu. O desfecho foi previsível e o filme devia acabar mais cedo. Hitchcock sabia que as revelações só devem vir no final!

Robert DeNiro está bem, como sempre!
A pequena actriz - Dakota Fanning - está muito bem caracterizada!

**

terça-feira, abril 05, 2005

CINEMA - Kingcard 2

Os tempos que mudam

Gosto muito do Gérard Depardieu;
Gosto muito da Catherine Deneuve;
Gosto muito de cinema francês nem que seja pela sonoridade;
Gosto de retratos da vida real na tela do cinema;

A combinação destes factores não foi suficiente para gostar do filme. Achei fraco, achei-o mesmo uma estopada. Cheio de pontas soltas, sem pretensão no argumento mas pretensioso na técnica de filmagem. Tive pena... estava à espera de gostar!

**

CINEMA - Kingcard 1

O Assassínio de Richard Nixon

O argumento é baseado em factos verídicos, na vida de um homem que a própria lucidez levou à loucura. Tolhido numa sociedade em que não se revê, frustrado, angustiado, acaba por transformar Nixon no bode expiatório da mentira e da corrupção planeando o seu assassinato.

O filme é pesado e deprimente, confronta-nos de uma forma fria com tudo o que nos rodeia. Não é excelente, mas a actuação de Sean Penn é-o.

****



sábado, abril 02, 2005

It

Aka ourobouros ou o carrossel da gailoa dos hamsters.

.

Da depressão como pecado político

Há privilégios fracos, mantidos por um status quo sem combatividade que se aguenta apenas na medida em que não é desafiado. 'Perturbam os homens não as coisas mas a opinião que têm delas'. A depressão psicológica individual é um sustentáculo desses poderes. Mostrem-me um depressivo que eu mostro-vos um dominado. E, perdoem-me o voluntarismo, mas a causalidade é do primeiro para o segundo termo. Não me venham com dialécticas. O ouroboros é uma figura do desespero. Aí sou eu que me vou abaixo. O meu problema é como quebrar todos esses malvados ciclos que nos aprisionam. O enigma passa então a ser a localização das nascentes da depressão.

As coisas que o espaço tem. Posted by Hello

sexta-feira, março 25, 2005

Naco de 'Solar lottery' (p.23)

The checks and balances of this system work to check us and balance them.

Philip K. Dick ([1955] 2003) Solar lottery. London: Gollancz.

quinta-feira, março 24, 2005

O que vale o trabalho? O que vale o capital?

Há maneira objectiva de o determinar? Por outras palavras: pode o valor de um factor de produção (ou de outra coisa qualquer?) ser dissociado da luta social e política? Sei por formação que não. Mas hoje tive a experiência subjectiva, inspirada mas quase corpórea, da realidade de um facto até então meramente memorizado.

domingo, março 20, 2005

Presença do mar



Caminhar ajuda nos momentos difíceis. Sempre pensei que a escola peripatética poderia ser uma corrente da psicoterapia. Em dias como este, húmidos e quentes, a força da terra é algo que se sente mesmo quando não se está à sua procura. E regenera. Drácula, para onde quer que fosse, levava caixas do seu solo natal (mortal?). A vegetação da nossa orla costeira partilha da natureza do fantástico. Os dragoeiros e aloés parecem saídos de uma vinheta de Jacobs ou Franquin. Tenho pena de não saber o nome de mais espécies, vegetais ou animais, de mais estrelas. Enfim chove.

sexta-feira, março 18, 2005

Máquinas que geram máquinas

A tecnologia permanece a mais credível fonte de mudança social. Há na universidade de Bath um projecto que visa revolucionar por completo a economia-mundo.

quarta-feira, março 16, 2005

Varsóvia


A Clemens quote

...they'd move in anywhere where there were still sets standing around from big movies. And then they'd come to me and say 'Look, we've got two weeks to shoot, so we want you to write something for these sets, a 70 minute second feature, and it must have the Old Bailey, a submarine, and a mummy's tomb in it.' So I'd write it to order. And nobody believes that they made movies like this once, but it's absolutely true.

sábado, março 12, 2005

Tomada de posse do XVII Governo Constitucional

Tomada de posse do XVII Governo Constitucional

Há dias este post mostrava o cumprimento de Portas a Freitas. Vim a descobrir que a foto da Lusa para a qual fiz o link não é estável. Há sempre um fotograma diferente nesta janela. É um filme de animação muito lenta. Agrada-me o surrealismo que resulta da conjunção acidental da imagem em mutação com o título fixo. É um erro feliz que não corrigirei.

sexta-feira, março 11, 2005

Varicela #3

Às 10:30 estava a sair da farmácia, já medicado e prestes a iniciar os meus dez dias de quarentena.

Falho totalmente em compreender todo o bruá que se faz acerca do sistema de saúde. É uma seca estar doente, concedo, mas penso que se confunde as coisas. Tal como já me havia acontecido com a justiça há uns anos quando a ela tive de recorrer, a máquina estatal da saúde parece-me esplêndida forma.

Suspeito que toda a má imprensa e rumores negativos que circulam são patrocinados pelo grande capital que visa substituir o serviço público.

Varicela #2

Às 9:00 cheguei ao centro de saúde de Oeiras. Perguntei ao segurança, que prontamente me as indicou, pelas urgências. Esperei cerca de dois minutos na fila, expus a situação ao senhor do guichet, que me cobrou 2 euros e me passou um recibo. Sentei-me e esperei que me chamassem.

Varicela #1

Às 8:04 telefonei para o centro de saúde de Paço de Arcos, de onde uma voz de homem me informou que o meu médico não viria e me indicou que me deveria dirigir às urgências do centro de saúde de Oeiras.

terça-feira, março 08, 2005

Em Primeira Mão

Justiça discrimina estrangeiros Taxa de criminalidade entre a população estrangeira é maior do que a portuguesa

Céu Neves
As estatísticas indicam que a taxa de criminalidade entre a população estrangeira (11 por mil) é maior do que entre a portuguesa (7 por mil). O que elas não explicam é porque é que isso acontece. Um estudo, promovido pelo Observatório da Imigração e o Alto-Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME), ontem apresentado, diz que isso se deve ao tipo de crime, à fraca defesa de advogados oficiosos e ao preconceito do sistema judiciário. O debate que o trabalho suscitou resumiu tudo numa palavra que, de início, recearam dizer "discriminação".A comparação do envolvimento de estrangeiros e portugueses em processos que terminaram em julgamento na primeira instância, entre 1997 e 2003, indica que há uma sobre-representação de cidadãos oriundos de outros países em todas as fases processuais arguidos, condenados, em prisão preventiva e em prisão efectiva. Os estrangeiros têm logo à partida uma grande desvantagem. É que basta serem encontrados sem documentos para lhes ser aplicada prisão preventiva, enquanto que para os portugueses é preciso existirem indícios fortes da prática de um crime punido com pena superior a três anos, o perigo de fuga ou de perturbação do inquérito e a suspeita da prática continuada da actividade criminosa. Afinando mais a informação estatística, verifica-se que o tráfico de estupefacientes é o principal motivo que leva à condenação de estrangeiros e esta é uma das situações que têm uma moldura penal elevada. Em 2003, estava na origem das condenações a prisão efectiva de cidadãos de outros países e de apenas 15% dos portugueses. Seguem-se o roubo e o crime qualificado, tráfico de quantidades diminutas e falsificação de documentos. Estes crimes também se verificam na população portuguesa, só que a maioria diz respeito ao furto qualificado e ao roubo, surgindo em terceiro lugar o tráfico de droga.Estas primeiras conclusões podem ser justificadas com a aplicação da lei, mas essa ideia é posta de parte quando a análise é feita a um nível mais pormenorizado. "Nas condenações dos estrangeiros predominam as penas de maior duração e, com frequência assinalável, as durações médias das penas de prisão aplicadas ao mesmo tipo de crime são superiores para os estrangeiros», concluem Hugo Seabra e Tiago Santos, sociólogos e investigadores da Númena (Centro de Investigação em Ciências Sociais) que realizaram o estudo "A criminalidade de estrangeiros em Portugal um inquérito científico", a partir das estatísticas do Gabinete de Política Legislativa e Planeamento do Ministério da Justiça.Perante tais dados, Miranda Pereira, director-geral dos Serviços Prisionais, não teve dúvidas em afirmar que existe discriminação na aplicação da lei, mesmo que isso aconteça de forma inconsciente. A opinião foi partilhada por Paulo Albuquerque (ver perguntas e respostas), ex-juiz do Tribunal da Boa Hora e actualmente professor na Faculdade de Direito da Universidade Católica, embora tenha afirmado que não sentiu diferença de tratamento entre estrangeiros e portugueses quando exerceu a actividade de juiz. "Os dados são esses e têm que ser vistos de forma fria e analítica", justificou.Os sociólogos também concluíram que se os nacionais e não nacionais tivessem a mesma composição demográfica e condições sociais teriam as mesmas percentagens de prática criminal.

in Diário de Notícias

Os sociólogos são nossos amigos. Clientes do Bar (só um consumidor!!) e estão de parabéns

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Programação Neurolinguística

Fui abordado há dois dias por um indivíduo que me pareceu ser um cigano romeno. Tentou vender-me o almanaque Borda d'Água. Agradeci e recusei. E foi aí que algo aconteceu. Ainda no mesmo tom de voz - coloquial, público - perguntou-me se me poderia perguntar uma coisa. Que sim, claro. Mudou o tom de voz - mais baixo, ínimo, envergonhado e confidente - e disse-me que tinha fome. Se eu lhe podia dar 50 cêntimos para um bolo. Nem pensei: dei-lhe logo dinheiro.

Este episódio foi para mim um confronto directo com uma proficiência que nunca supus existir na mendicidade. O indivíduo com que me confrontei era um autêntico monge shaolin da mendicância. Há certamente uma aprendizagem enorme por trás disto. E reflexão: deve haver conclaves secretos nos quais os mestres discutem eventuais aperfeiçoamentos das técnicas milenares.

O acontecimento recordou-me de que a vida é assim: profundidades escondidas a cada passo; mistério e assombro por todo o lado. Excepto no escritório.

domingo, fevereiro 20, 2005

Maioria absoluta

Então vamos criar uma maioria absoluta com base num voto de protesto? Quero dizer: ninguém anda embevecido com o PS mas ainda assim damos-lhe plenos poderes?

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

O Sexo dos Anjos

Como estou saturada de aqui ver escarrapachado o meu estado de espírito resolvi escrever acerca do “nosso” estado de espírito.

Andamos com o credo na boca há uns bons meses!

O país está de tanga, o primeiro ministro demite-se, os portugueses respiram futebol. Colapsos e vibrações, uma vitória contra a Inglaterra, suspense, bandeiras e a final contra a Grécia não cortou a respiração mas provoca espasmos. As batidas cardíacas retomam a normalidade e à medida que a conformidade com os resultados de futebol se vai instalando, um novo suspense assola o país.

Estamos outra vez com o credo na boca! Há eleições antecipadas ou muda-se o governo sem novas eleições? A decisão está tomada e há novas tomadas de posse. Agora respira-se devagar, devagarinho! Receia-se que se gaste o ar todo que temos nos pulmões. O país já gastou mais do que devia e o défice vem jantar a nossa casa todas as noites, em todos os canais, em todos os jornais!

Fazendo juz ao Príncipe Perfeito, uma vez mais, as tormentas se tornam esperança. Esperamos que a crise acabe, esperamos acabar com o défice, esperamos por melhores dias. O presidente não esperou e antes do Natal, já a coisa vai mal! No sapatinho dos portugueses aparece um presente, para alguns envenenado. Estamos outra vez com o credo na boca. “Credo, o que é que lhe deu?!”; “Credo, já não era sem tempo!”.

A coisa vem a propósito. Ano novo vida nova e é tempo de renovar, mesmo para aqueles que não gostam dos renovadores. Queremos começar com ar puro, queremos respirar. Chega de taquicardias. Enchemos o peito de ar. Queremos ter energia para estarmos presentes quando for para decidir. É o nosso futuro! Vão mexer nas nossas vidas e queremos saber o que vão fazer: já não há mais estádios de futebol mas há ainda um TGV por vingar, há programas de investimento na saúde como serviço público, na educação, na formação, na tecnologia, na defesa nacional, no equilíbrio das contas públicas? Há tanta coisa por fazer! Só temos que escolher! E nós queremos saber tudo para poder decidir. O tempo aperta e estamos outra vez com o credo na boca – voto útil ou voto no PP, voto útil ou voto no PCP? Há vários trocadilhos mas nós não queremos que nos troquem as voltas.

Enquanto queremos decidir por uma política mais económica, ou social, ou cultural ou
tal e tal ... discute-se o SEXO DOS ANJOS. De repente tornaram-se prioritárias na agenda política nacional as decisões sobre uma série de grandes questões do nosso tempo, como se de um sketch do Gato Fedorento se tratasse.
Os direitos humanos e igualitários discutem-se na praça pública a pretexto de ofensas disfarçadas, mais conhecidas por insinuações! Falta-nos o ar!

Já passámos o Verão e o Natal e agora vem o Carnaval. A nossa política bem se pode passear nos carros alegóricos dos cortejos carnavalescos! Este ano o Carnaval do continente vai ser tão animado quanto o da Madeira. Se o tempo havia transformado a época em folia e samba, fazemos agora juz à tradição do Entrudo brincando-se num folguedo alegre mas violento. É Carnaval, ninguém leva a mal. No Entrudo vale tudo!

Creio que chega de brincadeiras! É tempo de respirar, é tempo de nos levarem a sério!

sábado, janeiro 22, 2005

O meu estado de espírito

Desejo

Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel...
E muito carinho meu.
[Carlos Drummond de Andreade]
O que eu realmente queria era alguém que me oferecesse flores...
[Anadil]

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Análise comparada dos programas eleitorais

Comecei a fazer uma análise temática dos programas eleitorais. Algo tão simples como classificar os parágrafos dos programas segundo o tema que abordam. A seu tempo, colocarei o resultado à disposição dos frequentadores do bar para que estes escrevam sobre o tema de sua eleição. Há voluntários?
Não consigo entender a posição da Igreja face ao uso do preservativo.

Receiam que a aprovação do seu uso dê lugar a uma interpretação de legitimidade de comportamentos sexuais promíscuos. Até aí percebo – vêem o sexo como uma expressão de amor, fruto de uma relação exclusiva e claro, heterossexual. Fazem crer que nestas condições não há vírus a temer e como tal não há necessidade de preservativos.

O que está para lá da minha compreensão é a resistência em encarar que a realidade é diferente do cenário idílico que projectam. A vida sexual vai para além das intenções de reprodução referidas na bíblia e de relações exclusivas e perpétuas.

Como podem não admitir isto? É birra, prova de forças, luta de princípios?

Se a questão é de princípios pergunto-me como podem continuar a celebrar o casamento como um sacramento inalterável no espaço diocesano. Acreditam que as cerimónias pomposas que enchem as igrejas estão repletas de crenças e espiritualismos cristãos? Excomungam divorciados devotos mas casam pagãos, uns atrás dos outros?


“Não é possível permanecer indiferente e inerte diante da pobreza e do subdesenvolvimento. Não podemos fechar-nos nos nossos interesses egoístas, abandonando inúmeros irmãos e irmãs que vivem na miséria e, o que é ainda mais grave, deixando que um grande número deles vá ao encontro de uma morte inexorável. “

MENSAGEM DE JOÃO PAULO II
Vaticano, 11 de Junho de 2003. (http://www.patriarcado-lisboa.pt)

Há 39,4 milhões de pessoas infectadas com VIH em todo o mundo, das quais 2,2 milhões de crianças. 14 000 foram infectadas diariamente com o VIH , só em 2004.

Claro que a responsabilidade não é do Vaticano e as suas mensagens também não devem ter assim tanta influência nos comportamentos sexuais, mas a que se deve a arrogância dos comunicados sistemáticos acerca do uso do preservativo?

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Muito para além de uma moneterização da economia, assistimos a uma moneterização da existência. O dinheiro permeia e coloniza todos os interstícios da nossa vida, do nosso quotidiano. Se bem que já estamos algo habituados, mal habituados, a que todo o labor seja trabalho, estranhamos ainda que todo o lazer se vá tornando consumo. Pelo menos alguns estranham. Esta tendência é visível tanto na história da espécie como na história do indivíduo, o que permite a recordação pessoal de que uma outra existência é possível.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Olhem para mim

É o nosso grito desesperado. Olhem para mim, estou aqui!!
O que as comédias dramáticas do cinema europeu têm de tão marcante é provavelmente a semelhança à vida real. Nós estamos no cinema, estamos ali, na plateia e na tela. Somos espectadores e personagens de enredos que não precisam de realizador. Neste filme, em particular, assumimos vários papeis, tão depressa estamos do lado dos bons como dos maus. Aconselho!

terça-feira, janeiro 04, 2005

segunda-feira, janeiro 03, 2005

92 & 94


Os números 92 e 94 desta rua correspondem à casa que o senhor Atanásio nos emprestou para a passagem de ano.


quarta-feira, dezembro 29, 2004

A mobilidade social é um tiro no pé. De quem?

A cada geração que passa a burguesia recebe no seu seio um número de pessoas oriundas do proletariado. Na medida em que o principal canal de mobilidade social ascendente seja a escola, a burguesia suster-se-á (recordo que não tem um desenvolvimento demográfico sustentável) de um fluxo seleccionado de marrões neuróticos, graxistas sebosos e prostitutos. Quais as consequências desta eugenia tácita em prol da mediocridade? A revolução torna-se inevitável porque a coisa cai de podre? O facto de nada cair prova que afinal a reprodução não se faz pela escola?

terça-feira, dezembro 28, 2004

Há ou não há amanhã?

Há ou não há amanhã? Poupamos ou consumimos? Havemos de ser espontâneos ou calculistas? É melhor que prestemos atenção aos meios ou aos fins?

Suspeito que o posicionamento no contínuo que estas questões indiciam é um dos dados mais relevantes que podemos recolher acerca de uma pessoa ou cultura. Não menos importante será a diferença entre o indicadores objectivos e indicadores narrativos da posição de cada um num tal espectro.

Se me conheço a mim mesmo, e julgo que conheço um pouco, debito um discurso muito mais milenarista (imediatista) do que a prática da minha vida denota. Sou um hipócrita. Será que só por saber que o sou vou progressivamente deixando de o ser? Se sim, como se opera a redução da descolagem? É a prática que vai de encontro ao discurso ou vice-versa? Continuo a fazer o PPR. Ainda não comecei a pagar o dízimo à UNICEF.

Natal no mundo

Christmas2004

Voltei

Estive sem computador cerca de vinte dias. A princípio apanhei uma grande carga de nervos. Depois apecebi-me que estar em casa sem computador me fez retomar leituras qua havia abandonado, retomar trabalhos manuais que estavam quase esquecidos, acabar definitivamene com as arruações do escritório, ver dezenas de episódios de Seinfeld, enfim... Concluí ainda que o trabalho não só tinha que esperar (abrandar o ritmo), como PÔDE mesmo esperar. Acho que até foi uma boa prenda de Natal.
Claro que posso mudar de ideias se não conseguir terminar tudo o que preciso até ao fim do ano, e aí, cá estarei para vos relatar a minha carga de nervos!!

Entretanto, a mensagem tardia:
Votos de Bom Natal a todos os clientes do bar. Aos que entram e consomem, e aos que nos vêem da janela da rua.

sexta-feira, dezembro 24, 2004

Esta coisa do Natal é também de ausências e distâncias relembradas. Alvíssaras a quem me explique a mim mesmo. Porque não ligo a quem ligo? Será porque não ligo a ninguém que afinal não lhes ligo? Que merda.

terça-feira, dezembro 21, 2004

Solstício de Inverno

Hoje é dia do renascimento da luz.
A partir das 12h42, o sol vai passar mais tempo acima do horizonte, fazendo deste o dia mais curto e da noite, a mais longa do ano.

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Vergonha: joão ferreira vaz, no dia 22 de julho de 2002, despista-se e mata duas pessoas, fugindo do local sem lhes prestar ou pedir assistência. Hoje, 2 anos volvidos, continua a conduzir e já atropelou mais uma pessoa numa passadeira.
in Visão n.º 615, página 98.

Naco de 'Martian time-slip' (p.62)

The Public School, then, was right to eject a child who did not learn. Because what the child was learning was not merely facts or the basis of a money-making or even useful career. It went much deeper. The child learned that certain things in the culture around him were worth preserving at any cost. His values were fused with some objective human enterprise. And so he himself became a partof the tradition handed down to him; he maintained his heritage during his lifetime and even improved on it. He cared. True autism, Jack had decided, was in the last analysis an apathy toward public endeavor; it was a private existence carried on as if the individual person were the creator of all value, rather than merely the repository of inherited values. And Jack Bohlen, for the life of him,could not accept the Public School with its teaching machines as the sole arbiter of what was and what wasn't of value. For the values of a society were in ceaseless flux, and the Public School was an attempt to stabilize those values, to jell them at a fixed point--to embalm them.

The Public School, he had long ago decided, was neurotic. It wanted a world in which nothing new came about, in which there were no surprises. And that was the world of the compulsive-obsessive neurotic; it was not a healthy world at all.

Philip K. Dick ([1964] 2003) Martian time-slip. London: Gollancz.

sábado, dezembro 18, 2004

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Abranhos


abranhos
Originally uploaded by Promethea.

Pensando no pouco que nestes dias se tem escrito no blog, dei por mim com os olhos cravados em Salcede.
Uma coisa puxa a outra e lá me veio á  memória outra personagem de Eça: O Conde d'Abranhos.
Numa pesquisa rápida dei com estas caricaturas e com uma breve descrição, que vos deixo. Um mimo!

"Abranhos satiriza o político do constitucionalismo, a sua mediocridade e o postiço que o atormenta; doutro ponto de vista, ele é sobretudo a falsificação do talento e da habilidade política."

"Se há figura que, na galeria das personagens queirosianas, ilustra a ambição política que não olha a meios para atingir os fins, essa figura é o conde d'Abranhos. Lá chegam todos, diria um poeta famoso; Alípio chegou, porque, num sistema político em que os governos rodavam ao sabor das crises ministeriais, ele soube ser o homem certo no momento certo."

Isto anda um bocado do baixo. nada que se faça parece animar estas mentes outrora inquietas. Estou sem palavras. Talvez por isso...

sou um cachorro

Esta provado.
Resta saber que demais bicharada frequenta este bar.

quarta-feira, dezembro 15, 2004


A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós

No Natal pela manhã
Ouvem-se os sinos tocar
E há uma grande alegria, no ar

A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Nesta manhã de Natal
Há em todos os países
Muitos milhões de meninos, felizes

A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Vão aos saltos pela casa
Descalças ou com chinelos
Procurar suas prendas, tão belas

A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Depois há danças de roda
As crianças dão as mãos
No Natal todos se sentem, irmãos

A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Se isto fosse verdade
Para todos os Meninos
Era bom ouvir os sinos tocar.


E quem não se lembra, humm?
A todos um bom natal

sexta-feira, dezembro 10, 2004

A felicidade é, segundo gandhi, a harmonia entre o que pensamos, o que dizemos e o que fazemos. Por esta ordem de ideias, este país só pode andar deprimido e infeliz!

quarta-feira, dezembro 08, 2004

Aristocracia, meritocracia

De há uns tempos a esta parte tenho vindo a interrogar-me qual poderia ser a diferença entre estes dois conceitos. Ambos são respostas às questões siamesas de quem recebe o quê e porquê mas, à primeira vista, pareciam-me ser a mesma resposta: os "melhores", também conhecidos por os "merecedores" levam o bolo. Repugna à razão a ideia de que os melhores possam não ser merecedores ou que os merecedores não sejam os melhores. Qual, se alguma, é a diferença então?

Fiz alguma pesquisa. Aristocracia é uma sã palavra grega. Meritocracia é um neologismo miscigenado de grego e latim. De uma à outra parece ir a diferença entre ser e fazer, entre Parménides e Heraclito, entre predestinação e salvação pelas obras.

De um ponto de vista crítico, o essencialismo da ideia de aristocracia condena-a à partida: trata-se, pura e simplesmente, de legitimar uma expropriação arbitrária do bem comum. A meritocracia revela-se um bocadinho mais subtil mas não menos perniciosa: a ser bem feita é a corrida das ratazanas, os ataques cardíacos aos quarenta anos e os suicídios de adolescentes que não conseguem notas suficientemente boas.

Enfim, nem uma nem outra. Fraternidade.

domingo, dezembro 05, 2004

Vox populi num comboio com destino à capital: 'Nenhum que vá para lá endireita isto. Todos os partidos vão para lá encher os bolsos. Ai, ai...'
Há uma coisa nisto dos blogues: não são para operários. Quem trabalha não bloga, não pode blogar.

sábado, dezembro 04, 2004

Sendo milenarista, Jesus não teve porque se preocupar em planear uma sociedade. A duração da vida humana na Judeia do século I certamente facilitava as coisas. O tempo joga contra a salvação dos longevos da mesma forma que o dinheiro contra a dos possidentes. Contudo, também não lamento este fruto progresso.

O Natal da minha vida

O Natal chegou à rua!
Há luzes, cores, brilho, pais Natal a escalar paredes e a tentar entrar nas varandas. Os enfeites cobrem as montras e até as lojas chinesas têm luzes a piscar. Os comerciantes esperam que este ano a coisa corra melhor. Nós aproveitamos o pretexto para o consumir mais, embrulhamos presentes com carinho e chegamos a lembrarmo-nos daqueles que esquecemos durante os restantes 11 meses profanos. Trocamos livros, discos, pijamas e chinelos; comemos chocolates e rabanadas; apertamos um pouco os nossos corações quando num zapping passamos pelo “Natal dos Hospitais”; no dia 25 os contentores das nossas urbes transvazam de caixas do Toys Ur’us , embalagens e papeis de embrulho coloridos. Os homens do lixo também têm Natal!!
Este é o Natal do meu mundo. Há outros!

Ao clima natalício que invade os nossos percursos falta-me o calor que aquecia mesmo as noites mais frias de natal. Não sei explicar porquê mas acho que falta a simplicidade. Os adornos soam-me a falso, a supérfluo... Eu gosto do Natal porque me lembro de uma foto em que eu e a minha irmã, pequenitas, seguramos um quadro de ardósia em que a minha mãe escreveu a giz – Feliz Natal 1975. Atrás de nós está uma árvore de Natal, daqueles pinheiros verdadeiros, que o meu pai nos levou a escolher. A árvore está carregada de tal simplicidade que mesmo sem olhar para a foto me lembro que tem cinco ou seis bolas vermelhas, nada mais... Havia também um presépio que o meu primo fez em barro. Ao lado da árvore estão dois ou três embrulhos. Nesse Natal eu e a minha irmã recebemos, cada uma, um boneco. Ao meu chamei Paulo. Tinha umas jardineiras azuis escuras e cabelo arruivado. Fez parte da minha infância até perecer esfarrapado.
Este é o Natal da minha vida. Há outros!

sexta-feira, dezembro 03, 2004

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Purgatorio


Purgatório
Originally uploaded by Promethea.

E aqui estamos no purgatorio (sem acentos para nao desconfigurar)esperando o que la vem.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Dia Mundial de Luta contra a Sida.


Cartaz Luta contra a Sida.
Originally uploaded by Promethea.

Ainda sobre a importância de saber e ter opinião sobre assuntos importantes.
Hoje, 1 de Dezembro, é o dia mundial de luta contra a Sida. Vamos lá testar os nossos conhecimentos sobre esta terrível doença aqui.
Para saber mais, podemos começar por aqui.

Lições de História sobre liberalismo

Devíamos agradecer a PSL.
É graças a ele, afinal de contas, que temos nos últimos meses discutido, de forma mais ou menos acalorada, com mais ou menos propriedade, o futuro do nosso país.
Neste pais discute-se pouco. Lê-se menos. Sabe-se quase nada.
Vamos dizendo sim..porque sim (aquele senhor disse e eu gosto dele)ou não...porque não (aquele senhor de quem eu gosto não concorda com isto).
No mesmo momento em que escrevo este post oiço entrevistas a traseuntes que expressam a sua opinião sobre a decisão do Presidente da República. Sim, porque sim. Não porque não.
Enfim...
Este post sofreu uma tremenda deriva, desde que comecei a escrever, até ao ponto em que me encontro. Afinal, eu só queria partilhar convosco um texto de opinião interessante sobre liberalismo. Sigam o link para a carta de londres. Conhecer a nossa história não serve só para fazer brilharetes de cultura geral. Serve, sobretudo, para formar a opinião.
Até que enfim jorge. Isto está ingovernavel.

sábado, novembro 27, 2004

quarta-feira, novembro 24, 2004

O que será que leva pessoas com lugar marcado a fazer longas filas e caras de enfado, quando poderiam aguardar calmamente sentadas?

A Noite da Saudade

É comovente e bonita a mobilização dos imigrantes ucranianos contra os resultados das eleições no seu país de origem. Não me refiro,obviamente, à oposição propriamente dita mas àquilo que os faz mover.

A Noite vem poisando devagar
Sobre a Terra, que inunda de amargura...
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura...

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura...
E eu oiço a Noite imensa soluçar!
E eu oiço soluçar a Noite escura!

Por que és assim tão escura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma Saudade igual à que eu contenho!

Saudade que eu sei donde me vem...
Talvez de ti, ó Noite!... Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!!

Florbela Espanca

Pegada Ecológica

O que é a Pegada Ecológica?

"O conceito da Pegada Ecológica foi desenvolvido pelos investigadores Mathis Wackernagel (actual coordenador da Redefining Progress) e William Rees no início da década de 90. Foi consagrado na Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, que decorreu em Joanesburgo em 2002, como importante indicador de sustentabilidade, por permitir a agregação de indicadores em áreas essenciais da nossa sociedade, como Resíduos, Transportes, Habitação, Alimentação e Consumo de Recursos Naturais, Produtos e Serviços.

Cada um de nós, no seu dia-a-dia, provoca um determinado impacto no Planeta. As nossas opções enquanto consumidores, a forma como nos deslocamos, a quantidade de resíduos que produzimos e até o tipo de alimentação que consumimos, implicam o uso de uma determinada porção de recursos naturais. A Pegada Ecológica traduz a área de terreno produtivo (terra e mar) necessária para produzir esses recursos e assimilar os resíduos produzidos por um cidadão ou por uma determinada população. Sumariamente, através de um simples questionário, é possível calcular um valor (em hectares) que expressa a quantidade de “Planeta” que determinada pessoa necessita para manter o seu estilo de vida, e saber quantas “Terras” seriam necessárias para sustentar uma população humana em que todas as pessoas tivessem um modo de vida similar a esse."(Naturlink)

Façam o vosso teste e surpreendam-se. Confesso que julgava que os meus danos no planeta eram menores. O meu resultado - 4,1

sábado, novembro 20, 2004

Aparas (paráfrases) de Simmel

O limite ao conhecimento recíproco é um facto sociológico elementar (p. 354) que nos condena a construir o outro como uma unidade quando apenas lhe podemos aceder através de fragmentos (p. 348).

Simmel, Georg (1908 [1999]) Sociologie - Etudes sur les formes de la socialisation. Paris: PUF.

A verdade acerca dos Doors

O Manzarek é mais genial do que o Morrison foi. Contudo, a presença do Morrison era condição necessária à expressão da genialidade do Manzarek. Talvez mesmo da sua salvação.

segunda-feira, novembro 15, 2004

Choose Caliban

É o que Jesus me diz. Entre a imagem do Adrien Brody na montra e o agarrado que, ao lado, pede uns trocos: escolhe o segundo. Mais vale Calibã do que Ariel. É do caralho.

Evidentemente, conhecer o caminho e trilhar o caminho são duas coisas muito diferentes.