domingo, março 20, 2005

Presença do mar



Caminhar ajuda nos momentos difíceis. Sempre pensei que a escola peripatética poderia ser uma corrente da psicoterapia. Em dias como este, húmidos e quentes, a força da terra é algo que se sente mesmo quando não se está à sua procura. E regenera. Drácula, para onde quer que fosse, levava caixas do seu solo natal (mortal?). A vegetação da nossa orla costeira partilha da natureza do fantástico. Os dragoeiros e aloés parecem saídos de uma vinheta de Jacobs ou Franquin. Tenho pena de não saber o nome de mais espécies, vegetais ou animais, de mais estrelas. Enfim chove.

sexta-feira, março 18, 2005

Máquinas que geram máquinas

A tecnologia permanece a mais credível fonte de mudança social. Há na universidade de Bath um projecto que visa revolucionar por completo a economia-mundo.

quarta-feira, março 16, 2005

Varsóvia


A Clemens quote

...they'd move in anywhere where there were still sets standing around from big movies. And then they'd come to me and say 'Look, we've got two weeks to shoot, so we want you to write something for these sets, a 70 minute second feature, and it must have the Old Bailey, a submarine, and a mummy's tomb in it.' So I'd write it to order. And nobody believes that they made movies like this once, but it's absolutely true.

sábado, março 12, 2005

Tomada de posse do XVII Governo Constitucional

Tomada de posse do XVII Governo Constitucional

Há dias este post mostrava o cumprimento de Portas a Freitas. Vim a descobrir que a foto da Lusa para a qual fiz o link não é estável. Há sempre um fotograma diferente nesta janela. É um filme de animação muito lenta. Agrada-me o surrealismo que resulta da conjunção acidental da imagem em mutação com o título fixo. É um erro feliz que não corrigirei.

sexta-feira, março 11, 2005

Varicela #3

Às 10:30 estava a sair da farmácia, já medicado e prestes a iniciar os meus dez dias de quarentena.

Falho totalmente em compreender todo o bruá que se faz acerca do sistema de saúde. É uma seca estar doente, concedo, mas penso que se confunde as coisas. Tal como já me havia acontecido com a justiça há uns anos quando a ela tive de recorrer, a máquina estatal da saúde parece-me esplêndida forma.

Suspeito que toda a má imprensa e rumores negativos que circulam são patrocinados pelo grande capital que visa substituir o serviço público.

Varicela #2

Às 9:00 cheguei ao centro de saúde de Oeiras. Perguntei ao segurança, que prontamente me as indicou, pelas urgências. Esperei cerca de dois minutos na fila, expus a situação ao senhor do guichet, que me cobrou 2 euros e me passou um recibo. Sentei-me e esperei que me chamassem.

Varicela #1

Às 8:04 telefonei para o centro de saúde de Paço de Arcos, de onde uma voz de homem me informou que o meu médico não viria e me indicou que me deveria dirigir às urgências do centro de saúde de Oeiras.

terça-feira, março 08, 2005

Em Primeira Mão

Justiça discrimina estrangeiros Taxa de criminalidade entre a população estrangeira é maior do que a portuguesa

Céu Neves
As estatísticas indicam que a taxa de criminalidade entre a população estrangeira (11 por mil) é maior do que entre a portuguesa (7 por mil). O que elas não explicam é porque é que isso acontece. Um estudo, promovido pelo Observatório da Imigração e o Alto-Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME), ontem apresentado, diz que isso se deve ao tipo de crime, à fraca defesa de advogados oficiosos e ao preconceito do sistema judiciário. O debate que o trabalho suscitou resumiu tudo numa palavra que, de início, recearam dizer "discriminação".A comparação do envolvimento de estrangeiros e portugueses em processos que terminaram em julgamento na primeira instância, entre 1997 e 2003, indica que há uma sobre-representação de cidadãos oriundos de outros países em todas as fases processuais arguidos, condenados, em prisão preventiva e em prisão efectiva. Os estrangeiros têm logo à partida uma grande desvantagem. É que basta serem encontrados sem documentos para lhes ser aplicada prisão preventiva, enquanto que para os portugueses é preciso existirem indícios fortes da prática de um crime punido com pena superior a três anos, o perigo de fuga ou de perturbação do inquérito e a suspeita da prática continuada da actividade criminosa. Afinando mais a informação estatística, verifica-se que o tráfico de estupefacientes é o principal motivo que leva à condenação de estrangeiros e esta é uma das situações que têm uma moldura penal elevada. Em 2003, estava na origem das condenações a prisão efectiva de cidadãos de outros países e de apenas 15% dos portugueses. Seguem-se o roubo e o crime qualificado, tráfico de quantidades diminutas e falsificação de documentos. Estes crimes também se verificam na população portuguesa, só que a maioria diz respeito ao furto qualificado e ao roubo, surgindo em terceiro lugar o tráfico de droga.Estas primeiras conclusões podem ser justificadas com a aplicação da lei, mas essa ideia é posta de parte quando a análise é feita a um nível mais pormenorizado. "Nas condenações dos estrangeiros predominam as penas de maior duração e, com frequência assinalável, as durações médias das penas de prisão aplicadas ao mesmo tipo de crime são superiores para os estrangeiros», concluem Hugo Seabra e Tiago Santos, sociólogos e investigadores da Númena (Centro de Investigação em Ciências Sociais) que realizaram o estudo "A criminalidade de estrangeiros em Portugal um inquérito científico", a partir das estatísticas do Gabinete de Política Legislativa e Planeamento do Ministério da Justiça.Perante tais dados, Miranda Pereira, director-geral dos Serviços Prisionais, não teve dúvidas em afirmar que existe discriminação na aplicação da lei, mesmo que isso aconteça de forma inconsciente. A opinião foi partilhada por Paulo Albuquerque (ver perguntas e respostas), ex-juiz do Tribunal da Boa Hora e actualmente professor na Faculdade de Direito da Universidade Católica, embora tenha afirmado que não sentiu diferença de tratamento entre estrangeiros e portugueses quando exerceu a actividade de juiz. "Os dados são esses e têm que ser vistos de forma fria e analítica", justificou.Os sociólogos também concluíram que se os nacionais e não nacionais tivessem a mesma composição demográfica e condições sociais teriam as mesmas percentagens de prática criminal.

in Diário de Notícias

Os sociólogos são nossos amigos. Clientes do Bar (só um consumidor!!) e estão de parabéns

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Programação Neurolinguística

Fui abordado há dois dias por um indivíduo que me pareceu ser um cigano romeno. Tentou vender-me o almanaque Borda d'Água. Agradeci e recusei. E foi aí que algo aconteceu. Ainda no mesmo tom de voz - coloquial, público - perguntou-me se me poderia perguntar uma coisa. Que sim, claro. Mudou o tom de voz - mais baixo, ínimo, envergonhado e confidente - e disse-me que tinha fome. Se eu lhe podia dar 50 cêntimos para um bolo. Nem pensei: dei-lhe logo dinheiro.

Este episódio foi para mim um confronto directo com uma proficiência que nunca supus existir na mendicidade. O indivíduo com que me confrontei era um autêntico monge shaolin da mendicância. Há certamente uma aprendizagem enorme por trás disto. E reflexão: deve haver conclaves secretos nos quais os mestres discutem eventuais aperfeiçoamentos das técnicas milenares.

O acontecimento recordou-me de que a vida é assim: profundidades escondidas a cada passo; mistério e assombro por todo o lado. Excepto no escritório.

domingo, fevereiro 20, 2005

Maioria absoluta

Então vamos criar uma maioria absoluta com base num voto de protesto? Quero dizer: ninguém anda embevecido com o PS mas ainda assim damos-lhe plenos poderes?

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

O Sexo dos Anjos

Como estou saturada de aqui ver escarrapachado o meu estado de espírito resolvi escrever acerca do “nosso” estado de espírito.

Andamos com o credo na boca há uns bons meses!

O país está de tanga, o primeiro ministro demite-se, os portugueses respiram futebol. Colapsos e vibrações, uma vitória contra a Inglaterra, suspense, bandeiras e a final contra a Grécia não cortou a respiração mas provoca espasmos. As batidas cardíacas retomam a normalidade e à medida que a conformidade com os resultados de futebol se vai instalando, um novo suspense assola o país.

Estamos outra vez com o credo na boca! Há eleições antecipadas ou muda-se o governo sem novas eleições? A decisão está tomada e há novas tomadas de posse. Agora respira-se devagar, devagarinho! Receia-se que se gaste o ar todo que temos nos pulmões. O país já gastou mais do que devia e o défice vem jantar a nossa casa todas as noites, em todos os canais, em todos os jornais!

Fazendo juz ao Príncipe Perfeito, uma vez mais, as tormentas se tornam esperança. Esperamos que a crise acabe, esperamos acabar com o défice, esperamos por melhores dias. O presidente não esperou e antes do Natal, já a coisa vai mal! No sapatinho dos portugueses aparece um presente, para alguns envenenado. Estamos outra vez com o credo na boca. “Credo, o que é que lhe deu?!”; “Credo, já não era sem tempo!”.

A coisa vem a propósito. Ano novo vida nova e é tempo de renovar, mesmo para aqueles que não gostam dos renovadores. Queremos começar com ar puro, queremos respirar. Chega de taquicardias. Enchemos o peito de ar. Queremos ter energia para estarmos presentes quando for para decidir. É o nosso futuro! Vão mexer nas nossas vidas e queremos saber o que vão fazer: já não há mais estádios de futebol mas há ainda um TGV por vingar, há programas de investimento na saúde como serviço público, na educação, na formação, na tecnologia, na defesa nacional, no equilíbrio das contas públicas? Há tanta coisa por fazer! Só temos que escolher! E nós queremos saber tudo para poder decidir. O tempo aperta e estamos outra vez com o credo na boca – voto útil ou voto no PP, voto útil ou voto no PCP? Há vários trocadilhos mas nós não queremos que nos troquem as voltas.

Enquanto queremos decidir por uma política mais económica, ou social, ou cultural ou
tal e tal ... discute-se o SEXO DOS ANJOS. De repente tornaram-se prioritárias na agenda política nacional as decisões sobre uma série de grandes questões do nosso tempo, como se de um sketch do Gato Fedorento se tratasse.
Os direitos humanos e igualitários discutem-se na praça pública a pretexto de ofensas disfarçadas, mais conhecidas por insinuações! Falta-nos o ar!

Já passámos o Verão e o Natal e agora vem o Carnaval. A nossa política bem se pode passear nos carros alegóricos dos cortejos carnavalescos! Este ano o Carnaval do continente vai ser tão animado quanto o da Madeira. Se o tempo havia transformado a época em folia e samba, fazemos agora juz à tradição do Entrudo brincando-se num folguedo alegre mas violento. É Carnaval, ninguém leva a mal. No Entrudo vale tudo!

Creio que chega de brincadeiras! É tempo de respirar, é tempo de nos levarem a sério!

sábado, janeiro 22, 2005

O meu estado de espírito

Desejo

Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel...
E muito carinho meu.
[Carlos Drummond de Andreade]
O que eu realmente queria era alguém que me oferecesse flores...
[Anadil]

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Análise comparada dos programas eleitorais

Comecei a fazer uma análise temática dos programas eleitorais. Algo tão simples como classificar os parágrafos dos programas segundo o tema que abordam. A seu tempo, colocarei o resultado à disposição dos frequentadores do bar para que estes escrevam sobre o tema de sua eleição. Há voluntários?
Não consigo entender a posição da Igreja face ao uso do preservativo.

Receiam que a aprovação do seu uso dê lugar a uma interpretação de legitimidade de comportamentos sexuais promíscuos. Até aí percebo – vêem o sexo como uma expressão de amor, fruto de uma relação exclusiva e claro, heterossexual. Fazem crer que nestas condições não há vírus a temer e como tal não há necessidade de preservativos.

O que está para lá da minha compreensão é a resistência em encarar que a realidade é diferente do cenário idílico que projectam. A vida sexual vai para além das intenções de reprodução referidas na bíblia e de relações exclusivas e perpétuas.

Como podem não admitir isto? É birra, prova de forças, luta de princípios?

Se a questão é de princípios pergunto-me como podem continuar a celebrar o casamento como um sacramento inalterável no espaço diocesano. Acreditam que as cerimónias pomposas que enchem as igrejas estão repletas de crenças e espiritualismos cristãos? Excomungam divorciados devotos mas casam pagãos, uns atrás dos outros?


“Não é possível permanecer indiferente e inerte diante da pobreza e do subdesenvolvimento. Não podemos fechar-nos nos nossos interesses egoístas, abandonando inúmeros irmãos e irmãs que vivem na miséria e, o que é ainda mais grave, deixando que um grande número deles vá ao encontro de uma morte inexorável. “

MENSAGEM DE JOÃO PAULO II
Vaticano, 11 de Junho de 2003. (http://www.patriarcado-lisboa.pt)

Há 39,4 milhões de pessoas infectadas com VIH em todo o mundo, das quais 2,2 milhões de crianças. 14 000 foram infectadas diariamente com o VIH , só em 2004.

Claro que a responsabilidade não é do Vaticano e as suas mensagens também não devem ter assim tanta influência nos comportamentos sexuais, mas a que se deve a arrogância dos comunicados sistemáticos acerca do uso do preservativo?

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Muito para além de uma moneterização da economia, assistimos a uma moneterização da existência. O dinheiro permeia e coloniza todos os interstícios da nossa vida, do nosso quotidiano. Se bem que já estamos algo habituados, mal habituados, a que todo o labor seja trabalho, estranhamos ainda que todo o lazer se vá tornando consumo. Pelo menos alguns estranham. Esta tendência é visível tanto na história da espécie como na história do indivíduo, o que permite a recordação pessoal de que uma outra existência é possível.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Olhem para mim

É o nosso grito desesperado. Olhem para mim, estou aqui!!
O que as comédias dramáticas do cinema europeu têm de tão marcante é provavelmente a semelhança à vida real. Nós estamos no cinema, estamos ali, na plateia e na tela. Somos espectadores e personagens de enredos que não precisam de realizador. Neste filme, em particular, assumimos vários papeis, tão depressa estamos do lado dos bons como dos maus. Aconselho!

terça-feira, janeiro 04, 2005

segunda-feira, janeiro 03, 2005

92 & 94


Os números 92 e 94 desta rua correspondem à casa que o senhor Atanásio nos emprestou para a passagem de ano.


quarta-feira, dezembro 29, 2004

A mobilidade social é um tiro no pé. De quem?

A cada geração que passa a burguesia recebe no seu seio um número de pessoas oriundas do proletariado. Na medida em que o principal canal de mobilidade social ascendente seja a escola, a burguesia suster-se-á (recordo que não tem um desenvolvimento demográfico sustentável) de um fluxo seleccionado de marrões neuróticos, graxistas sebosos e prostitutos. Quais as consequências desta eugenia tácita em prol da mediocridade? A revolução torna-se inevitável porque a coisa cai de podre? O facto de nada cair prova que afinal a reprodução não se faz pela escola?

terça-feira, dezembro 28, 2004

Há ou não há amanhã?

Há ou não há amanhã? Poupamos ou consumimos? Havemos de ser espontâneos ou calculistas? É melhor que prestemos atenção aos meios ou aos fins?

Suspeito que o posicionamento no contínuo que estas questões indiciam é um dos dados mais relevantes que podemos recolher acerca de uma pessoa ou cultura. Não menos importante será a diferença entre o indicadores objectivos e indicadores narrativos da posição de cada um num tal espectro.

Se me conheço a mim mesmo, e julgo que conheço um pouco, debito um discurso muito mais milenarista (imediatista) do que a prática da minha vida denota. Sou um hipócrita. Será que só por saber que o sou vou progressivamente deixando de o ser? Se sim, como se opera a redução da descolagem? É a prática que vai de encontro ao discurso ou vice-versa? Continuo a fazer o PPR. Ainda não comecei a pagar o dízimo à UNICEF.

Natal no mundo

Christmas2004

Voltei

Estive sem computador cerca de vinte dias. A princípio apanhei uma grande carga de nervos. Depois apecebi-me que estar em casa sem computador me fez retomar leituras qua havia abandonado, retomar trabalhos manuais que estavam quase esquecidos, acabar definitivamene com as arruações do escritório, ver dezenas de episódios de Seinfeld, enfim... Concluí ainda que o trabalho não só tinha que esperar (abrandar o ritmo), como PÔDE mesmo esperar. Acho que até foi uma boa prenda de Natal.
Claro que posso mudar de ideias se não conseguir terminar tudo o que preciso até ao fim do ano, e aí, cá estarei para vos relatar a minha carga de nervos!!

Entretanto, a mensagem tardia:
Votos de Bom Natal a todos os clientes do bar. Aos que entram e consomem, e aos que nos vêem da janela da rua.

sexta-feira, dezembro 24, 2004

Esta coisa do Natal é também de ausências e distâncias relembradas. Alvíssaras a quem me explique a mim mesmo. Porque não ligo a quem ligo? Será porque não ligo a ninguém que afinal não lhes ligo? Que merda.

terça-feira, dezembro 21, 2004

Solstício de Inverno

Hoje é dia do renascimento da luz.
A partir das 12h42, o sol vai passar mais tempo acima do horizonte, fazendo deste o dia mais curto e da noite, a mais longa do ano.

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Vergonha: joão ferreira vaz, no dia 22 de julho de 2002, despista-se e mata duas pessoas, fugindo do local sem lhes prestar ou pedir assistência. Hoje, 2 anos volvidos, continua a conduzir e já atropelou mais uma pessoa numa passadeira.
in Visão n.º 615, página 98.

Naco de 'Martian time-slip' (p.62)

The Public School, then, was right to eject a child who did not learn. Because what the child was learning was not merely facts or the basis of a money-making or even useful career. It went much deeper. The child learned that certain things in the culture around him were worth preserving at any cost. His values were fused with some objective human enterprise. And so he himself became a partof the tradition handed down to him; he maintained his heritage during his lifetime and even improved on it. He cared. True autism, Jack had decided, was in the last analysis an apathy toward public endeavor; it was a private existence carried on as if the individual person were the creator of all value, rather than merely the repository of inherited values. And Jack Bohlen, for the life of him,could not accept the Public School with its teaching machines as the sole arbiter of what was and what wasn't of value. For the values of a society were in ceaseless flux, and the Public School was an attempt to stabilize those values, to jell them at a fixed point--to embalm them.

The Public School, he had long ago decided, was neurotic. It wanted a world in which nothing new came about, in which there were no surprises. And that was the world of the compulsive-obsessive neurotic; it was not a healthy world at all.

Philip K. Dick ([1964] 2003) Martian time-slip. London: Gollancz.

sábado, dezembro 18, 2004

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Abranhos


abranhos
Originally uploaded by Promethea.

Pensando no pouco que nestes dias se tem escrito no blog, dei por mim com os olhos cravados em Salcede.
Uma coisa puxa a outra e lá me veio á  memória outra personagem de Eça: O Conde d'Abranhos.
Numa pesquisa rápida dei com estas caricaturas e com uma breve descrição, que vos deixo. Um mimo!

"Abranhos satiriza o político do constitucionalismo, a sua mediocridade e o postiço que o atormenta; doutro ponto de vista, ele é sobretudo a falsificação do talento e da habilidade política."

"Se há figura que, na galeria das personagens queirosianas, ilustra a ambição política que não olha a meios para atingir os fins, essa figura é o conde d'Abranhos. Lá chegam todos, diria um poeta famoso; Alípio chegou, porque, num sistema político em que os governos rodavam ao sabor das crises ministeriais, ele soube ser o homem certo no momento certo."

Isto anda um bocado do baixo. nada que se faça parece animar estas mentes outrora inquietas. Estou sem palavras. Talvez por isso...

sou um cachorro

Esta provado.
Resta saber que demais bicharada frequenta este bar.

quarta-feira, dezembro 15, 2004


A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós

No Natal pela manhã
Ouvem-se os sinos tocar
E há uma grande alegria, no ar

A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Nesta manhã de Natal
Há em todos os países
Muitos milhões de meninos, felizes

A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Vão aos saltos pela casa
Descalças ou com chinelos
Procurar suas prendas, tão belas

A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Depois há danças de roda
As crianças dão as mãos
No Natal todos se sentem, irmãos

A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Se isto fosse verdade
Para todos os Meninos
Era bom ouvir os sinos tocar.


E quem não se lembra, humm?
A todos um bom natal

sexta-feira, dezembro 10, 2004

A felicidade é, segundo gandhi, a harmonia entre o que pensamos, o que dizemos e o que fazemos. Por esta ordem de ideias, este país só pode andar deprimido e infeliz!

quarta-feira, dezembro 08, 2004

Aristocracia, meritocracia

De há uns tempos a esta parte tenho vindo a interrogar-me qual poderia ser a diferença entre estes dois conceitos. Ambos são respostas às questões siamesas de quem recebe o quê e porquê mas, à primeira vista, pareciam-me ser a mesma resposta: os "melhores", também conhecidos por os "merecedores" levam o bolo. Repugna à razão a ideia de que os melhores possam não ser merecedores ou que os merecedores não sejam os melhores. Qual, se alguma, é a diferença então?

Fiz alguma pesquisa. Aristocracia é uma sã palavra grega. Meritocracia é um neologismo miscigenado de grego e latim. De uma à outra parece ir a diferença entre ser e fazer, entre Parménides e Heraclito, entre predestinação e salvação pelas obras.

De um ponto de vista crítico, o essencialismo da ideia de aristocracia condena-a à partida: trata-se, pura e simplesmente, de legitimar uma expropriação arbitrária do bem comum. A meritocracia revela-se um bocadinho mais subtil mas não menos perniciosa: a ser bem feita é a corrida das ratazanas, os ataques cardíacos aos quarenta anos e os suicídios de adolescentes que não conseguem notas suficientemente boas.

Enfim, nem uma nem outra. Fraternidade.

domingo, dezembro 05, 2004

Vox populi num comboio com destino à capital: 'Nenhum que vá para lá endireita isto. Todos os partidos vão para lá encher os bolsos. Ai, ai...'
Há uma coisa nisto dos blogues: não são para operários. Quem trabalha não bloga, não pode blogar.

sábado, dezembro 04, 2004

Sendo milenarista, Jesus não teve porque se preocupar em planear uma sociedade. A duração da vida humana na Judeia do século I certamente facilitava as coisas. O tempo joga contra a salvação dos longevos da mesma forma que o dinheiro contra a dos possidentes. Contudo, também não lamento este fruto progresso.

O Natal da minha vida

O Natal chegou à rua!
Há luzes, cores, brilho, pais Natal a escalar paredes e a tentar entrar nas varandas. Os enfeites cobrem as montras e até as lojas chinesas têm luzes a piscar. Os comerciantes esperam que este ano a coisa corra melhor. Nós aproveitamos o pretexto para o consumir mais, embrulhamos presentes com carinho e chegamos a lembrarmo-nos daqueles que esquecemos durante os restantes 11 meses profanos. Trocamos livros, discos, pijamas e chinelos; comemos chocolates e rabanadas; apertamos um pouco os nossos corações quando num zapping passamos pelo “Natal dos Hospitais”; no dia 25 os contentores das nossas urbes transvazam de caixas do Toys Ur’us , embalagens e papeis de embrulho coloridos. Os homens do lixo também têm Natal!!
Este é o Natal do meu mundo. Há outros!

Ao clima natalício que invade os nossos percursos falta-me o calor que aquecia mesmo as noites mais frias de natal. Não sei explicar porquê mas acho que falta a simplicidade. Os adornos soam-me a falso, a supérfluo... Eu gosto do Natal porque me lembro de uma foto em que eu e a minha irmã, pequenitas, seguramos um quadro de ardósia em que a minha mãe escreveu a giz – Feliz Natal 1975. Atrás de nós está uma árvore de Natal, daqueles pinheiros verdadeiros, que o meu pai nos levou a escolher. A árvore está carregada de tal simplicidade que mesmo sem olhar para a foto me lembro que tem cinco ou seis bolas vermelhas, nada mais... Havia também um presépio que o meu primo fez em barro. Ao lado da árvore estão dois ou três embrulhos. Nesse Natal eu e a minha irmã recebemos, cada uma, um boneco. Ao meu chamei Paulo. Tinha umas jardineiras azuis escuras e cabelo arruivado. Fez parte da minha infância até perecer esfarrapado.
Este é o Natal da minha vida. Há outros!

sexta-feira, dezembro 03, 2004

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Purgatorio


Purgatório
Originally uploaded by Promethea.

E aqui estamos no purgatorio (sem acentos para nao desconfigurar)esperando o que la vem.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Dia Mundial de Luta contra a Sida.


Cartaz Luta contra a Sida.
Originally uploaded by Promethea.

Ainda sobre a importância de saber e ter opinião sobre assuntos importantes.
Hoje, 1 de Dezembro, é o dia mundial de luta contra a Sida. Vamos lá testar os nossos conhecimentos sobre esta terrível doença aqui.
Para saber mais, podemos começar por aqui.

Lições de História sobre liberalismo

Devíamos agradecer a PSL.
É graças a ele, afinal de contas, que temos nos últimos meses discutido, de forma mais ou menos acalorada, com mais ou menos propriedade, o futuro do nosso país.
Neste pais discute-se pouco. Lê-se menos. Sabe-se quase nada.
Vamos dizendo sim..porque sim (aquele senhor disse e eu gosto dele)ou não...porque não (aquele senhor de quem eu gosto não concorda com isto).
No mesmo momento em que escrevo este post oiço entrevistas a traseuntes que expressam a sua opinião sobre a decisão do Presidente da República. Sim, porque sim. Não porque não.
Enfim...
Este post sofreu uma tremenda deriva, desde que comecei a escrever, até ao ponto em que me encontro. Afinal, eu só queria partilhar convosco um texto de opinião interessante sobre liberalismo. Sigam o link para a carta de londres. Conhecer a nossa história não serve só para fazer brilharetes de cultura geral. Serve, sobretudo, para formar a opinião.
Até que enfim jorge. Isto está ingovernavel.

sábado, novembro 27, 2004

quarta-feira, novembro 24, 2004

O que será que leva pessoas com lugar marcado a fazer longas filas e caras de enfado, quando poderiam aguardar calmamente sentadas?

A Noite da Saudade

É comovente e bonita a mobilização dos imigrantes ucranianos contra os resultados das eleições no seu país de origem. Não me refiro,obviamente, à oposição propriamente dita mas àquilo que os faz mover.

A Noite vem poisando devagar
Sobre a Terra, que inunda de amargura...
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura...

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura...
E eu oiço a Noite imensa soluçar!
E eu oiço soluçar a Noite escura!

Por que és assim tão escura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma Saudade igual à que eu contenho!

Saudade que eu sei donde me vem...
Talvez de ti, ó Noite!... Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!!

Florbela Espanca

Pegada Ecológica

O que é a Pegada Ecológica?

"O conceito da Pegada Ecológica foi desenvolvido pelos investigadores Mathis Wackernagel (actual coordenador da Redefining Progress) e William Rees no início da década de 90. Foi consagrado na Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, que decorreu em Joanesburgo em 2002, como importante indicador de sustentabilidade, por permitir a agregação de indicadores em áreas essenciais da nossa sociedade, como Resíduos, Transportes, Habitação, Alimentação e Consumo de Recursos Naturais, Produtos e Serviços.

Cada um de nós, no seu dia-a-dia, provoca um determinado impacto no Planeta. As nossas opções enquanto consumidores, a forma como nos deslocamos, a quantidade de resíduos que produzimos e até o tipo de alimentação que consumimos, implicam o uso de uma determinada porção de recursos naturais. A Pegada Ecológica traduz a área de terreno produtivo (terra e mar) necessária para produzir esses recursos e assimilar os resíduos produzidos por um cidadão ou por uma determinada população. Sumariamente, através de um simples questionário, é possível calcular um valor (em hectares) que expressa a quantidade de “Planeta” que determinada pessoa necessita para manter o seu estilo de vida, e saber quantas “Terras” seriam necessárias para sustentar uma população humana em que todas as pessoas tivessem um modo de vida similar a esse."(Naturlink)

Façam o vosso teste e surpreendam-se. Confesso que julgava que os meus danos no planeta eram menores. O meu resultado - 4,1

sábado, novembro 20, 2004

Aparas (paráfrases) de Simmel

O limite ao conhecimento recíproco é um facto sociológico elementar (p. 354) que nos condena a construir o outro como uma unidade quando apenas lhe podemos aceder através de fragmentos (p. 348).

Simmel, Georg (1908 [1999]) Sociologie - Etudes sur les formes de la socialisation. Paris: PUF.

A verdade acerca dos Doors

O Manzarek é mais genial do que o Morrison foi. Contudo, a presença do Morrison era condição necessária à expressão da genialidade do Manzarek. Talvez mesmo da sua salvação.

segunda-feira, novembro 15, 2004

Choose Caliban

É o que Jesus me diz. Entre a imagem do Adrien Brody na montra e o agarrado que, ao lado, pede uns trocos: escolhe o segundo. Mais vale Calibã do que Ariel. É do caralho.

Evidentemente, conhecer o caminho e trilhar o caminho são duas coisas muito diferentes.

Mais comida para o pensamento

Estimulada pelo mistério da cidade perdida, pela busca incessante de que tem sido alvo, pela curiosidade e sede de conhecimento, parti em busca d'"O significado das coisas" e descobri um senhor chamado Grayling.
Deixo-vos um excerto do livro versando sobre a excelência:

"Quando Matthew Arnold escreveu Culture and Anarchy, há mais de cem anos, definiu a procura da excelência no apoio à cultura como «chegar ao conhecimento, no que concerne todos os assuntos que mais nos interessam, do melhor que foi pensado e dito no mundo, e, através deste conhecimento, deixar fluir o pensamento novo e livre sobre as nossas noções e hábitos comuns». Matthew Arnold era inspector das escolas, um grande defensor do ensino superior, e acreditava na excelência do ensino como forma não apenas de prover a economia de pessoal habilitado como também de produzir uma sociedade culta que pusesse em prática o ideal referido na máxima aristotélica acerca da utilização culta do nosso lazer.

Da China à França, todo o país que é ou aspira a ser desenvolvido tem um estrato educacional de elite que visa receber os estudantes mais dotados e oferecer-lhes a melhor formação intelectual possível. Na China, isto é feito desde tenra idade, havendo escolas especiais para as crianças mais inteligentes. Na França, o sistema das Hautes Écoles — universidades superiores o acesso às quais é ferozmente competitivo — selecciona os espíritos excepcionais e submete-os a uma disciplina rigorosa. Em todos os casos, o objectivo é realçar os melhores, por forma a obter a melhor qualidade nos domínios da ciência, da engenharia, do direito, na administração pública, na medicina e nas artes.

Poucas pessoas poderão colocar objecções à base racional que se encontra por detrás disto. Exceptuam-se aquelas para quem a mediocridade universal constitui um preço que merece a pena pagar pela igualdade social. Mas há um perigo em que os meios meritocráticos para o cultivo da excelência podem incorrer: é como se, após o estabelecimento dos meios, o mérito, por si só, deixe de bastar, assumindo-se o dinheiro e a influência como critérios suplementares. Em muitos dos países do mundo — talvez a maioria —, o dinheiro e a influência são determinadores da progressão social, mesmo nos locais onde vigoram igualmente os critérios meritocráticos: na América, é necessário dinheiro para se obter vantagens sociais; na China, ajuda ser membro do Partido.

Os ricos e bem relacionados não constituem o tipo de elite que um sistema educativo deveria encorajar. É fácil, para os jornais sensacionalistas e os políticos populistas, fazer uso pejorativo do termo «elite» para designar estas elites da injustiça — mas estes são igualmente rápidos a criticar os médicos, professores ou desportistas representantes do país que não correspondam às nossas maiores expectativas — se, em suma, eles não se revelarem, afinal, uma elite, no sentido correcto do termo.

Embora existam poucas — a existirem algumas — democracias verdadeiras no mundo (a maior parte dos sistemas que reivindicam este título são oligarquias electivas), o espírito democrático, apesar disso, perpassa a vida ocidental, para o bem e para o mal. O bem reside na pressão que é feita no sentido de se tratar todas as pessoas de forma justa; o mal reside na pressão que é feita no sentido de tornar todas as pessoas idênticas. Este último constitui uma tendência de nivelamento, uma impulsão para baixo, à qual a excelência desagrada porque ergue montanhas onde o espírito democrático-negativo apenas deseja ver planícies. Mas a democracia não devia ter como objectivo reduzir as pessoas e os seus feitos a um denominador comum; devia visar elevá-las, ambiciosa e drasticamente, até tão perto quanto possível de um ideal. E isso significa, entre outras coisas, ter instituições, especialmente de ensino, que sejam as melhores e mais exigentes do seu género."


Nota: Sobre a incongruência entre o discurso teórico e a acção prática veja-se a produção legislativa e as acções que dela resultam.

sábado, novembro 13, 2004

Trovão, mente perfeita

Versão librérrima:

É com assombro que me olham. Olham-me com soberba.
Porque sou a melhor e a pior,
Venal e incorruptível,
Mãe e virgem,
Frívola e frutuosa.
Sou silêncio ininteligível
E a permanência do fluxo.

Fantino

Descobri esta música de Sebastien Tellier na banda sonora do Lost in Translation. Quis partilhá-la convosco.

sexta-feira, novembro 12, 2004

Tout le monde

Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a l'âme emmêlée,
Tout le monde a de l'enfance qui ronronne,
Au fond d'une poche oubliée,
Tout le monde a des restes de rêves,
Et des coins de vie dévastés,
Tout le monde a cherché quelque chose un jour,
Mais tout le monde ne l'a pas trouvé,
Mais tout le monde ne l'a pas trouvé.

Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités,
Une loi contre toute notre solitude,
Que personne ne soit oublié,
Et que personne ne soit oublié

Tout le monde a une seule vie qui passe,
Mais tout le monde ne s'en souvient pas,
J'en vois qui la plient et même qui la cassent,
Et j'en vois qui ne la voient même pas,
Et j'en vois qui ne la voient même pas.

Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités,
Une loi contre toute notre indifférence,
Que personne ne soit oublié,
Et que personne ne soit oublié.

Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a une âme emmêlée,
Tout le monde a de l'enfance qui résonne,
Au fond d'une heure oubliée,
Au fond d'une heure oubliée.

Carla Bruni

Ao Frater Caerulus


Conan & Lana
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Desaparecido faz tempo...

quinta-feira, novembro 11, 2004

DESINTERESSE. Proponho este tema a debate.
Noam Chomski dixit: 'a maioria da população americana é mais à esquerda que os dois partidos'. Que fazer? Escolher o mal menor que para muitos é a abstenção...

terça-feira, novembro 09, 2004

Hoje senti-me recompensada por lutar contra moinhos de vento. Há esperança.

Moda - do Fr. mode < Lat. modu, modo, maneira

...
forma passageira e facilmente mutável de se comportar e sobretudo de se vestir ou pentear;
...


Acabo de ver uma pequena entrevista feita ao nosso primeiro ministro no evento Moda Lisboa. Falava sobre moda. Não percebi nada do que disse. No entanto pareceu-me familiarizado com o ambiente. E esta imagem trouxe-me à lembrança um terrível paralelismo entre a moda e a política.
Actores que vestem e despem estilos com agilidade, desfilam nos palcos à espera de serem vistos e pousam para os fotógrafos como que numa feira de vaidades, sorriem às luzes da ribalta que se apagam nos bastidores e exibem imagens que desvanecem com desmaquilhantes... sobretudo fachada. Fachada de algo que está para além do que sabemos ou julgamos saber.
Eu não quero pensar assim, resisto a pensar que a política é dos outros e para os outros. Espero que isto tenha sido uma breve e estúpida ideia, mas tê-la tido fez-me reflectir e partilhar convosco. Vá lá, convençam-me do contrário!!!
Visto: 'A melhor juventude' - prima volta. É magní­fico!

domingo, novembro 07, 2004

Eleições Americanas

Queria ter feito este post mais cedo mas por problemas de acesso fui obrigado fazê-lo apenas hoje.
Mas como diz o ditado:"Há males que vêm por bem"... pois agora estou em posição de o fazer depois de um periodo de reflexão associado ao alimentar da minha própria idea por outras opiniões.
Ora aqui vai:

Estava um homem todo nu numa praia deserta com um faca no bolso, a ler um jornal sem letras à luz de uma vela apagada e pensava para com os seus botões que não tinha: "Por aquela parede acima vai um caracol a descer".

Wanna play?



Originally uploaded by Promethea.

Sure do mister, sure do.

...e praia também.
Atesto que a sesta é revigorante.

sábado, novembro 06, 2004

Há que explicar as pessoas para onde vai e para que serve o dinheiro que confiam ao estado. Tal seria precioso na clarificação de valores.

sexta-feira, novembro 05, 2004

A tralha

Todos nós, num momento ou noutro na nossa vida, paramos para olhar à nossa volta e esclamar: "tanta tralha"!
Pois é, os problemas começam quando esse momento ou outro se repete com alguma frequência. To make a long story short, my friends, eu tenho um dom.
Para além de tralha generalista,tenho a minha especialidade : revistas, folhetos, jornais, relatórios, artigos e demais papeis com volume; também marcham dossiers, capas plásticas, caixas, canetas, e demais bugigangas, office related.
Entram, acomodam-se, reproduzem-se e mofam!
Sou uma tralha-dependente. Preciso de ajuda. Literalmente. Aceitam-se voluntários para rasgar, empacotar e descarregar no papelão.

Democracia


People are the power.
Votes give power.
Bush has the power.
So be it.

Crises de Liderança

Yasser Arafat em coma
Fidel não vai para novo
José Manuel Barroso presidente eleito da Comissão Europeia
Sílvio Berlusconi perde ministros para a Comissão Europeia
George W. Bush reeleito
Santana Lopes primeiro ministro
Che Guevara morto

quinta-feira, novembro 04, 2004

O homem a quem parece que aconteceu não sei que...

Muitos de vocês serão tão fans dos gato fedorento como eu.. ou seja, acham piada a uma cenas e não ligam à maioria.
No entanto uma das mais famosas e que se encaixa quase como algumas minutas de reuniões se fossem reproduzidas na integra:
Meu amigo, isto o que aconteceu foi muito simples, meu amigo!
O que aconteceu é que eu chego aqui e sou logo confrontado com certas de determinadas situações... hã?!
E eu digo:
- Atão mas como é que é?
E os gajos:
- Á e tal...
E eu:
- Á e tal não!... Á e tal não!... Atão eu venho lá de baixo e dizem-me que não sei quê, chego cá acima afinal parece que não! Em quê que ficamos?
E os gajos:
- Á não sei que mais e o camandro...
E eu:
- Mau!.... queres ver que a gente tem de se chatear? Porque isto não pode ser, eu sou um gajo que está aqui a trabalhar; eu quero trabalhar... hã... e sou... e dizem-me... como eu aqui ouvi, dizem-me "á não sei quê"... mas qu'ê isto? qu'ê isto?
Isto não se faz!... porque eu sou um gajo que dou-me bem com toda a gente.. sim senhor... dou-me bem, por mim tá tudo bem e fazem-me isto!!! E há gajos que andam pr'ái, fazem trinta por uma linha, e.. e depois passa tudo.. "incólume"... que é coisa que eu não percebo.
É que eu assim não venh... deixo de vir aqui, vou fazer a minha vida para outros sitios. Sitios onde inclusivamente malta me diz:
- É pá e tal, sim senhor...
E é para lá que eu vou! Deixo de vir aqui pá! hã?...
Porque quando eu vejo que há ai palhaços,pá, que falam falam, falam falam, falam falam, pá, e eu não os vejo a fazer nada, pá!.... fico chatedo, concerteza que fico chateado, pá! Tá a perceber?
Ah(ê)!

Não, não sou o única...

e tu também não Anadil.
Na vasculhadela matinal pelas blogo-feras encontrei este post.
Acordei com violinos e luz.
Há esperança.

quarta-feira, novembro 03, 2004

terça-feira, novembro 02, 2004

Votar ou nao votar, eis a questão


Bonnie & Clyde
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Hummmm, yep, i'm tempted...

Votos são poder e dão poder


Votes
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Que o digam os eleitores americanos que tem nas mãos aquela que já foi apelidada da escolha mais importante e vital dos últimos tempos, cujo desfecho será sempre - dizem - apocalí­ptico.
Eu que nada sei destas matérias, que pouco ou nada li sobre o assunto, sou de opinião que estas eleições vão marcar o início de uma nova era, de um novo paradigma. Não pelo seu valor intrínseco, mas pela queda que representam do paradigma actual.

É dia de mosh

Vamos lá, terra dos bravos e lar dos livres:
Surpreende-nos.

segunda-feira, novembro 01, 2004