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terça-feira, agosto 03, 2004
segunda-feira, agosto 02, 2004
Os livros
Outra lei da entropia
Consideremos agora a possibilidade de ambos irem tirar o passe social ou pagar propinas. Este tipo de despesa é parcialmente comparticipada pelo Estado, que determina quem deve ser beneficiário desse auxílio a partir da apresentação da declaração de IRS. Imaginemos que a propina sem descontos é de 40 €. O indivíduo que declarou 100 € paga-a por inteiro, enquanto o indivíduo que declarou apenas metade tem direito a um abatimento de 50% e só paga 20 €. Então, o indivíduo cumpridor terá um rendimento líquido menos propina de 85 € - 40 € = 45 €, enquanto o aldrabão ficará com 92,4 € - 20 € = 72,5 €.
Não obstante as falhas deste exemplo imaginado, procede do exposto que a multiplicação de mecanismos equalizadores a jusante do IRS e partindo da base do rendimento declarado tem o efeito perverso de agravar violentamente a injustiça que, no primeiro momento, decorre da fraude. A conclusão, para mim óbvia, é que o Estado deve preocupar-se em cobrar impostos de forma isenta e descartar as demais políticas de equidade sob pena de, com estas, introduzir uma progressão geométrica da injustiça social.
domingo, agosto 01, 2004
Fahrenheit 9/11
Indeed, the only way to secure the continuance of a popular state is to keep it at war, and create enemies if they do not already exist. This was the chief reason which led Scipio the Younger to try and stop the razing of Carthage. He had the wisdom to foresee that a warlike and aggressive people like the Romans would fall to making war on each other, once all external enemies were disposed of.
Jean Bodin, 1576
Wherever there is great property, there is great inequality. For one very rich man, there must be at least five hundred poor, and the affluence of the rich excites the indignation of the poor, who are often driven by want and prompted by envy to invade his possessions. (...) The acquisition of valuable and extensive property, therefore, requires the establishment of civil government.
(...)
The rich, in particular, are necessarily interested to support that order of things, which can alone secure them in the possession of their advantages.
Adam Smith, 1776
Governments and the ruling classes no longer take their stand on right or even on the semblance of justice, but on a skilful organization carried to such a point of perfection by the aid of science that everyone is caught in the circle of violence and has no chance of escaping from it. This circle is made up now of four methods of working upon men, joined together like the limes of a chain ring.
(...)
The fourth method consists in selecting from all the men who have been stupefied and enslaved by the three former methods a certain number, exposing them to special and intensified means of stupefaction and brutalisation, and so making them into a passive instrument for carrying out all the cruelties and brutalities needed by the government. This result is attained by taking them at the youthful age when men have not had time to form clear and definite principles of morals, and removing them from all natural and human conditions of life, home, family and kindred, and useful labor. They are shut up together in barracks, dressed in special clothes, and worked upon by cries, drums, music, and shining objects to go through certain daily actions invented for this purpose, and by this means are brought into an hypnotic condition in which they cease to be men and become mere senseless machines, submissive to the hypnotiser. These physically vigorous young men (in these days of universal conscription, all young men), hypnotized, armed with murderous weapons, always obedient to the governing authorities and ready for any act of violence at their command, constitute the fourth and principal method of enslaving men.
Leo Tolstoy, 1893
Domingo
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
Não, não é cansaço...
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Álvaro de Campos
sexta-feira, julho 30, 2004
quinta-feira, julho 29, 2004
Uma lei da entropia
Premissa maior: 'time is money'.
O dinheiro inflacciona-se a si mesmo, ou antes, um crescimento do rendimento implica sempre um crescimento maior dos gastos segundo a equação r2/r1 < g2/g1, em que 'r' significa rendimento, 'g' gastos e os números o momento.
Premissa menor: r2/r1 < g2/g1.
Então, à medida que o tempo é transformado em rendimento a liquidez decresce e eventualmente tornar-se-á negativa.
Conclusão: o tempo convertido em dinheiro leva ao endividamento.
Isto com a agravante de o tempo ser uma quantidade finita, pelo que quantidades crescentes de tempo transformadas em dinheiro significam que também o tempo não transformado em dinheiro tenderá para zero.
quarta-feira, julho 28, 2004
Amaralto - Domingo, três de Agosto de 1997
De encontro às fragas da vida.
Chegada indigente à terra prometida.
Mar atravessado a nado-morto.
Jaz na praia.
O vento escapa por entre farrapos de velame
Feitos bandeiras da ressaca,
Pendões de não-há-quem-te-ame.
Jaz na praia com o resto do lixo
Que aí abandonou a baixa-mar:
Um maço de tabaco vazio
E uma colecção de noites insones presas com um elástico.
Mas eis a manhã; a bela chegou,
Zombeteira, luminosa,
Empenhada em ridicularizar quem desejou
Erigir noit’eterna em monumento à sua dor.
As lágrimas não são menos transitórias que a chuva
E as cicatrizes só têm a longevidade da carne.
A alma não é: vai sendo.
E as palavras de amor, apaga-as a maré.
terça-feira, julho 27, 2004
Os demónios do tempo imóvel
A páginas tantas de Margarida e o
Mestre, Bulgakov faz Jesus dizer que há apenas um pecado: a cobardia. Essa, vivo-a eu sob as mais variadas formas e conheço-a por muitos nomes: preguiça, pudor, inibição, desleixo… São mais as batalhas que perco do que as que ganho; pareço nunca ser decidido, dedicado ou desperto por muito tempo. A minha vontade é fraca e a minha consciência intermitente. Estou ansioso por mudar de vida, aqui o arranjo de forças é de forma a trazer-me sempre ao mesmo sítio. E, ainda assim, há que mudar. O que acontece a seguir? Espero que haja ‘a seguir’.
segunda-feira, julho 26, 2004
Alter dixit
Oposição precisa-se.
Duplo Positivo, conta comigo.
Food for thought
Pergunto-me se existirão neste país pessoas em número suficiente para ocupar as habitações novas que se constroem todos os dias.
Tolle lege
se a economia portuguesa crescesse a 3% ao ano,
durante 10 anos,
atingiria apenas a actual riqueza média comunitária.
Constâncio salientou que
a taxa de crescimento potencial do PIB português
está mais baixa
e deverá situar-se perto de 2%.”
In D.N. Negócios, segunda-feira, 26 de Julho de 2004, pág 9
Anexo III
Dactilografada a dois espaços
Pelo secretário da conjuntura vigente.


