...la richesse assure des loisirs que le bourgeois a utilisés pour faire des études et accroître sa valeur personnelle...
Goblot, E. (1967 [1925]) La barriére et le niveau: étude sociologique sur la bourgeoisie française moderne. Paris: Presses Universitaires de France, p. 104.
O nome 'Bar do Todol' é Copyright © MGM 1998. Tomamos a liberdade de o utilizar até sermos contactados pelos seus advogados.
quinta-feira, agosto 23, 2007
Febra de Goblot
Posta de Proust
Para ele [o letrado], um livro não é o anjo que levanta voo logo que ele abriu as portas do jardim celeste, mas um ídolo imóvel, que adora por ele próprio, que, em vez de receber uma dignidade verdadeira dos pensamentos que desperta, comunica uma dignidade fictícia a tudo quanto o rodeia. (...) considero doentio este gosto, esta espécie de respeito fetichista pelos livros...
Proust, M. (1997 [1905]). O Prazer da Leitura. Lisboa: Editorial Teorema, pp. 45-46.
quarta-feira, agosto 22, 2007
terça-feira, agosto 21, 2007
Fatia de Russell
Há dois motivos para se ler um livro; um, o próprio prazer da leitura; o outro, a possibilidade de alardear conhecê-lo.
Russell, B. (1997 [1930]). A Conquista da Felicidade. Lisboa: Guimarães Editores, p. 52.
domingo, agosto 19, 2007
Naco de Proust
[Entre os letrados] ignorar um determinado livro, uma determinada particularidade da ciência literária, será sempre, mesmo num homem de génio, uma marca de grosseria intelectual. A distinção e a nobreza consistem na ordem do pensamento também, numa espécie de franco-maçonaria de costumes, e numa herança de tradições.
Proust, M. (1997 [1905]). O Prazer da Leitura. Lisboa: Editorial Teorema, pp. 56-57.
sábado, agosto 18, 2007
sábado, julho 21, 2007
sexta-feira, julho 13, 2007
Viagem imóvel: da lisonja viril à virilidade servil
terça-feira, julho 10, 2007
voluntarismo, s. m., característica daquele que é voluntarioso.
voluntarioso, adj., caprichoso; teimoso; rebelde; que pretende impor a sua vontade.
Dicionário Língua Portuguesa On-Line
Não são mimos e tenho hoje razões para crer que sejam termos utilizados amiúde em conversas sobre a minha pessoa. Parecem-me contudo descritores adequados. Parte de mim é sensível a parte do corpo ideológico da Ayn Rand. Antes a hubris que a hebefrenia. Antes a mania que a abulia... e depois há resultados, coisas que se materializam. E a materialização, paradoxalmente, anima.
Infelizmente, este é também o bilhete (ou um pretexto?) para maus sentimentos para com as diversas estirpes de underachievers (segundo o meu padrão de expectativas, claro!) com que me vou confrontando no dia a dia. Mas não hoje: uma hora de ginásio sublima a agressão na combustão sem chama da respiração celular e ao escrever esta última linha na varanda, gozando o sol do entardecer, já os fumos se dispersam ao vento.
sexta-feira, julho 06, 2007
Assalto aos EUA
sábado, junho 23, 2007
Naco de Hoggart
They [the mass media] will flatter us that we live in a stable and sane society (which is an exaggeration)...
Hoggart, Richard (2005) Promises to Keep. Thoughts in Old Age. London & New York: Continuum, p. 28.
terça-feira, junho 19, 2007
Vendo o Heroes
domingo, junho 17, 2007
Ota
segunda-feira, junho 11, 2007
Iluminação
segunda-feira, junho 04, 2007
infância e história
a paralaxe
sexta-feira, maio 25, 2007
Cores-de-Maio-quando-chove
sexta-feira, maio 18, 2007
domingo, maio 13, 2007
A reprodução social numa casca de noz
quarta-feira, abril 25, 2007
perdido de volta
Da badana:
Miguel Gullander é um jovem escritor português de origem sueca. Traduziu, do sueco para o português, as sagas viking, e, a partir do inglês, poesia zen. Foi professor de português na Ilha do Fogo, em Cabo Verde, e na capital de Moçambique, Maputo, estando actualmente a residir em Benguela, Angola, como docente da Universidade Agostinho Neto. Neste romance, aproveita o seu profundo conhecimento do imaginário viking e da fi losofi a zen, bem como a sua vivência em África e na Índia, para nos arrastar através de uma viagem alucinante entre o Fogo, Lisboa e Mumbai. Eis um romance capaz, como poucos, de abalar convicções e de destruir ideias feitas. Cruzam-se, nestas páginas, vidas muito diferentes: uma aeromoça, já não tão moça assim; um professor de português em África; um especialista em desenvolvimento; um dealer; um velho pedófi lo. Num perturbador jogo de espelhos, todos eles se reencontram noutras vidas, noutros destinos, noutras geografi as, vítimas do grande Maelström (o remoinho gigante das lendas escandinavas), que tudo suga e dispersa. Perdido de volta romance absolutamente original no panorama da literatura em língua portuguesa, anuncia um nome que importa fixar: Miguel Gullander.
José Eduardo Agualusa
terça-feira, abril 10, 2007
Pearls Before Breakfast, artigo do Washington Post
quarta-feira, abril 04, 2007
sexta-feira, março 23, 2007
Grandes Portugueses - A Sabedoria do Autocarro Telefónico
Antes de mais, note-se que a Marktest telefonar para casa das pessoas e as pessoas telefonarem para a RTP são duas coisas totalmente distintas, razão pela qual tenho a maior dificuldade em aceitar que estes resultados sejam bons preditores do desfecho do concurso "Grandes Portugueses".
Dito isto, D. Afonso Henriques ganha com considerável vantagem, o que me parece meramente lógico, visto que o primeiro português é condição necessária de todos os demais e, como tal, causa de qualquer grandeza subsequente.
Mas há mais e mais interessante: as figuras polémicas da história contemporânea associadas a projectos totalitários rivais são cada vez mais escolhidas à medida que a classe social dos inquiridos decresce, passando-se o inverso com as figuras históricas da época de áurea e com Aristides de Sousa Mendes, que surge em oitavo para o povo mas em quarto para as elites. Curiosa também a clara feminização da apreciação por Pessoa.
sábado, março 17, 2007
O humor contra o nazismo
quinta-feira, março 15, 2007
Asneira
quarta-feira, março 14, 2007
O Lobo
Outra boa questão
quarta-feira, março 07, 2007
Parabéns RTP, nesta data querida...

segunda-feira, março 05, 2007
Do livre e servo arbítrio; da ciência e da literatura; das duas ambiguidades
Ora, eu revejo-me nesta coisa política mas impingi-la no quadro teórico e metodológico do que se quer uma ciência seria patético se sincero. Só não o é porque o partido da acção nem sequer quer uma ciência: quer literatura. O que é legítimo. Eu próprio me figuro como tendo mais queda para a literatura do que para a ciência. O que está errado é querer fazer literatura ao abrigo do prestígio e dos financiamentos da ciência. Há um campo literário semi-autónomo com oportunidades e recompensas específicas. Quem quiser fazer literatura, que o tente em sede própria.
É certo e sabido que, em termos de génese histórica e de recrutamento social, as ciências sociais se posicionam entre a ciência e a literatura. O partido da acção é claramente de tal forma pró-literário que dificilmente aceitará sequer o rótulo "ciência". Não é difícil adivinhar que provas específicas terão feito para aceder à universidade ou que fazem parte da vasta maioria de alunos do secundário cuja motivação na escolha da via de ensino foi, antes de mais, o horror sagrado à matemática. Enfim, não lhes invejo as ambiguidades.
Por outro lado, como tomar o partido da estrutura sem cair no maquiavelismo mais crasso, sem pôr e dispor dos outros como peões? Talvez Orwell estivesse errado ao associar o duplipensar ao totalitarismo. Talvez duplipensar de modo a conciliar ser-se partidário do determinismo da estrutura em ciência e do livre arbítrio da acção em política e ética privada seja afinal a mística terceira via que através do paradoxo leva à virtude.
domingo, março 04, 2007
sábado, março 03, 2007
Dois sins
quinta-feira, março 01, 2007
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
The Lives of Others - Rotten Tomatoes
Está bem fresco! Afinal, este filme fenomenal acabou de ganhar o óscar para melhor filme estrangeiro e já havia ganho 3 prémios do Cinema Europeu, a saber, Melhor Filme, Melhor Actor e Melhor Argumento, para além do prémio do Público nos festivais de Locarno e Vancouver.
A não perder.
sábado, fevereiro 24, 2007
Globos de Ouro 2007
terça-feira, fevereiro 20, 2007
Da atribulação à atribuição
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Refresco
sábado, dezembro 02, 2006
quarta-feira, novembro 29, 2006
sexta-feira, novembro 03, 2006
Medeia Card - A Prairie Home Companion - Bastidores da Rádio
As perdas que os ganhos dos tempos modernos arrastam!
Elenco de luxo e banda sonora espectacular. Traz à memória os jingles publicitários e lembra até algo que não pensei vir a recordar com saudade, os Parodiantes de Lisboa. Tudo isto envolvido num registo cómico de “film noir”, em que um dos protagonistas (e narrador) desempenha o papel de detective falido. A coisa vai mais longe com o trocadilho do nome desta personagem: Guy Noir.
Gostei muito!
****
Medeia Card - Marie Antoinette
Do King Card ao Medeia Card
Agora, para mim, acabou-se o King Card. Zangaram-se as comadres e tive que optar entre as óptimas salas de cinema do Alvaláxia e os filmes que quero ver no King, Monumental e Residence (são estes que visito, sobretudo!). Optei pelos filmes e sou agora titular do Medeia Card. Assim, durante algum tempo vou voltar a falar de filmes. Desta feita numa rubrica intitulada Medeia Card.
quinta-feira, novembro 02, 2006
À descoberta das Ilhas Koop
segunda-feira, outubro 30, 2006
The joke is on me
terça-feira, outubro 24, 2006
quinta-feira, outubro 19, 2006
quarta-feira, outubro 18, 2006
Grande
segunda-feira, outubro 09, 2006
I beg to differ
segunda-feira, outubro 02, 2006
Obra de juventude
Mais números negros à Portugal
sábado, setembro 30, 2006
Posta das 'Confissões de um Artista da Treta'
She was glad to have me baby-sit and play with the girls, but she did not approve of my mixing into the continual quarrels that the girls had with each other. She had always simply let them fight it out, but I soon saw that the older girl, being more advanced intellectually and much heavier physically, always won. (…) The household was pervaded by this atmosphere of a calm adult woman and a man who gave in to his animal impulses. (…) And this, too, Charley tended to accept, because first of all he wasn’t as quick with his tongue as she – and, in the final analysis, he imagined that since she was more intelligent and educated than he then she must, when they disagreed, be right.
Dick, Philip K. (2005 [1975]) Confessions of a Crap Artist. London: Gollancz, pp. 74, 77 e 79-80.
sexta-feira, setembro 29, 2006
quinta-feira, setembro 28, 2006
Marcos 10, 43-44
terça-feira, setembro 19, 2006
A Dália Negra
Evelyn Mulwray: She's my daughter.
[Gittes slaps Evelyn]
Jake Gittes: I said I want the truth!
Evelyn Mulwray: She's my sister...
[slap]
Evelyn Mulwray: She's my daughter...
[slap]
Evelyn Mulwray: My sister, my daughter.
[More slaps]
Jake Gittes: I said I want the truth!
Evelyn Mulwray: She's my sister AND my daughter!
Robert Towne, Chinatown
Fui ontem à antestreia. Que aprendi? Temo que pouco. Tem bons valores de produção mas é um pastelão. De resto, era escusado demonstrarem-nos, como De Palma parece empenhar-se em fazer, que a Swank é muitas vezes a actriz que a Johansson poderá ser, escusado maximizar a assimetria. Enfim, nem filha nem irmã: enteada.
quarta-feira, setembro 13, 2006
terça-feira, setembro 12, 2006
segunda-feira, setembro 11, 2006
23%
sábado, setembro 09, 2006
quarta-feira, agosto 30, 2006
terça-feira, agosto 29, 2006
segunda-feira, agosto 28, 2006
sábado, agosto 26, 2006
sexta-feira, agosto 25, 2006
quinta-feira, agosto 17, 2006

Vi ontem A Batalha de Argel. Cheguei ao filme via John Milius, que numa entrevista diz que a Batalha e The Searchers são o supra-sumo da barbatana. Pergunto-me porque há tão pouco bruá acerca do filme. Sobretudo hoje.
sexta-feira, agosto 11, 2006
quarta-feira, agosto 09, 2006
domingo, julho 23, 2006
Pop Culture
sexta-feira, julho 07, 2006
Revivalismo II
quarta-feira, julho 05, 2006
terça-feira, julho 04, 2006
Boaventura de Sousa Santos
sábado, julho 01, 2006
domingo, junho 25, 2006
A long time ago...
desde a Minogue há mais de 20 anos atrás... à roupinha das doce no festival ver... ou ainda à Sabrina e os saltos na piscina, passando por aquela música dos Europe que tivemos que gramar durante muito tempo, meses a fio porque na altura o nº um do top era o mesmo durante meses... e vejam a bela montagem do festival da canção a introduzir o sobe, sobe balão sobe em 1979... divirtam-se...
quarta-feira, junho 21, 2006
Ainda a propósito de valores
quarta-feira, junho 07, 2006
Febra de The Rebel Sell
terça-feira, junho 06, 2006
segunda-feira, junho 05, 2006
quinta-feira, junho 01, 2006
A avaliação dos professores
quarta-feira, maio 31, 2006
O Guardian oferecia
Enfim, era PJ Harvey: gaja, guitarra e caixa de ritmos. Puro génio.
terça-feira, maio 30, 2006
segunda-feira, maio 29, 2006
quinta-feira, maio 25, 2006
quarta-feira, maio 24, 2006
Posta de Economia e Sociedade
When the number of competitors increases in relation to the profit span, the participants become interested in curbing competition. Usually one group of competitors takes some externally identifiable characteristic of another group of (actual or potential) competitors - race, language, religion, local or social origin, descent, residence, etc. - as a pretext for attempting their exclusion (Weber [1914] 1978: 341-342).
domingo, maio 21, 2006
Radio Free Albemuth
Aliás, uma estratégia similar foi utilizada pelo autor anónimo da lista de membros do Priorado de Sião. Terei um dia de escrever algo de consequente sobre name dropping e pensamento mágico.
terça-feira, maio 09, 2006
Classified MoD report reveals the secrets behind UFOs
Experts have uncovered a secret Ministry of Defence (MoD) report asserting that UFOs exist, explaining the phenomena and assessing the security threat they may pose to the UK. The report was unearthed by academics at Sheffield Hallam University using the Freedom of Information Act...
segunda-feira, maio 08, 2006
Se Bourdieu fosse vivo...
domingo, maio 07, 2006
Diz a Wikipedia que...
Humphrey the cat lived at 10 Downing Street and its associated buildings from 1989 to 1997, from the days of Margaret Thatcher to Tony Blair. He was named after the fictional mandarin.
sábado, maio 06, 2006
sexta-feira, maio 05, 2006
Vem a propósito...
Gestão no Reino Animal
Todos os dias, a formiga chegava cedinho à oficina e desatava a trabalhar. Produzia e era feliz.
O gerente, o leão, estranhou que a formiga trabalhasse sem supervisão. Se ela produzia tanto sem supervisão, melhor seria supervisionada...
E contratou uma barata, que tinha muita experiência como supervisora e fazia belíssimos relatórios.
A primeira preocupação da barata foi a de estabelecer um horário para entrada e saída da formiga.
De seguida, a barata precisou de uma secretária para a ajudar a preparar os relatórios e contratou uma aranha que além do mais, organizava os arquivos e controlava as ligações telefónicas.
O leão ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com índices de produção e análise de tendências, que eram mostrados em reuniões específicas para o efeito.
Foi então que a barata comprou um computador e uma impressora laser e admitiu a mosca para gerir o departamento de informática.
A formiga de produtiva e feliz, passou a lamentar-se com todo aquele universo de papéis e reuniões que lhe consumiam o tempo!
O leão concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga operária, trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, cuja primeira medida foi comprar uma carpete e uma cadeira ortopédica para o seu gabinete.
A nova gestora, a cigarra, precisou ainda de computador e de uma assistente (que trouxe do seu anterior emprego) para ajudá-la na preparação de um plano estratégico de optimização do trabalho e no controlo do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se mostrava mais enfadada. Foi nessa altura que a cigarra, convenceu o gerente, o leão, da necessidade de fazer um estudo climático do ambiente.
Ao considerar as disponibilidades, o leão deu-se conta de que a unidade em que a formiga trabalhava já não rendia como antes; e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico e ugerisse soluções.
A coruja permaneceu três meses nos escritórios e fez um extenso relatório, em vários volumes que concluía : "há muita gente nesta empresa".
Adivinhem quem o leão começou por despedir?
A formiga, claro, porque "andava muito desmotivada e aborrecida".
quinta-feira, maio 04, 2006
Nota Social
O poeta desembarca.
O poeta toma um auto.
O poeta vai para o hotel.
E enquanto ele faz isso
como qualquer homem da terra,
uma ovação o persegue
feito vaia.
Bandeirolas
abrem alas.
Bandas de música. Foguetes.
Discursos. Povo de chapéu de palha.
Máquinas fotográficas assestadas.
Automóveis imóveis.
Bravos...
O poeta está melancólico.
Numa árvore do passeio público
(melhoramento da atual administração)
árvore gorda, prisioneira
de anúncios coloridos,
árvore banal, árvore que ninguém vê
canta uma cigarra.
Canta uma cigarra que ninguém ouve
um hino que ninguém aplaude.
Canta, no sol danado.
O poeta entra no elevador
o poeta sobe
o poeta fecha-se no quarto.
O poeta está melancólico.
Carlos Drummond de Andrade










