quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Outros dados

[14:47] Devidamente Anonimizada: ontem soube que um ex-namorado meu se tornou jardineiro
[14:48] Devidamente Anonimizada: estava farto do mundo da investigaçao...
[14:48] Caerulus: :)
[14:48] Devidamente Anonimizada: e deixou tudo para ir viver a sua história numa aldeia
[14:48] Devidamente Anonimizada: a trabalhar nas obras, na sua horta e de jardineiro
[14:49] Caerulus: Que grande história.
[14:49] Caerulus: Parece literatura e não vida.
[14:49] Devidamente Anonimizada: exacto
[14:51] Caerulus: Posso reproduzi-la, devidamente anonimizada, no blog?
[14:51] Devidamente Anonimizada: ;)
[14:51] Devidamente Anonimizada: outros dados
[14:51] Devidamente Anonimizada: geografo, aldeia de serra nevada
[14:52] Devidamente Anonimizada: há que acrescentar-lhe também uma história de amor
[14:52] Devidamente Anonimizada: por uma mulher e pela vida

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Qual o darwinismo de Freud?

Pensando na filogénese: a agressão surge antes do sexo? As amebas, as paramécias fazem a guerra? Penso que sim.

Considerando os sistemas de resposta como uma hierarquia filogenética ou evolutiva. A saber, do mais recente e sofisticado para o mais primevo e rudimentar: razão, sentimento, instinto, reflexo.

Considerando a assustadora eficiência da natureza.

Faz sentido que comportamentos emergentes façam uso do repertório que os sistemas de resposta têm já desenvolvido para os comportamentos actuais. O sexo glosa a agressão que, por sua vez, glosa a alimentação.

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Vi no outro dia um documentário sobre o desenvolvimento ontogénico que avançava uma tese sobre a maturação do cérebro compatível com a hipótese de Burgess, manifesta na história de Alexander DeLarge: isso passa com a idade. O que me leva a pensar o que se poderia passar com os protagonistas de The Lord of the Flies alguns anos mais tarde.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

O medo do ridículo torna-nos ridículos

Encaremo-lo: nem de perto nem de longe experimentámos o suficiente para nos legitimar numa postura cínica, pessimista e cansada do mundo que, aliás, nem sequer é cool mas apenas um pouco ridícula e afectada.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Coconinowards, ho!

Reparo que Watterson está em deriva primitivista e herrimanizante. Gosto. Embora o conteúdo fosse muitas vezes bom, o visual era demasiado limpo. Go west, my son. Go west!

domingo, fevereiro 12, 2006

Não há Windows Xís Pê

Tenho a partilhar convosco uma pequena revelação, um apocalipse de trazer por casa: não há Windows Xís Pê, o que há é Windows Chi Ró. In hoc signo vinces. O Sr.Bill tem pida.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A verdade é muito simples

Madonna é um avatar. Falta saber de quem ou de quê. Do zeitgeist? Da Babilónia? Falta também saber se ela sabe que o é. Mas duvido, afinal ninguém se conhece a si mesmo ou é profeta na sua própria terra.

Cotações

Freitas do Amaral esteve bem

- Ao borrifar-se no politicamente correcto ( que é estar ao lado dos amiguinhos ocidentais)

E os nossos magníficos jornalistazinhos da tanga que andam à caça da polémica e do drama com um descaramento inacreditável vão para a porta da embaixada da Dinamarca perguntar ao senhor embaixador se não estava à espera de mais apoio do governo português! Ah e tal... é que faltou dizer ao MNE que é contra a violência ... (Por amor da Santa!!! Todos querem ver o circo pegar fogo para vender mais uns jornalitos. Mas quando arder, o papel é o primeiro a ir! )

Jorge Sampaio esteve mal

- Ao não visitar Canas de Senhorim (seja lá onde isso for!);

Disse, há uns dias, que se orgulhava de nunca ter sido maltratado por nenhum cidadão e que os portugueses sempre o trataram com muito carinho. Pois, e para acabar o mandato nesse grande estilo, fugiu com o rabinho à seringa de uns senhores lá de cima (???) que diziam : Ianda cá ianda!!
Mesmo sem esta visita foi o primeiro presidente português a visitar todos os concelhos do país (é que afinal Canas de Senhorim ainda não é concelho)!


- ao enervar-se com o major por causa da carta;

O senhor presidente ficou passado quanto questionado pelos tais jornalistazinhos que gostam de ver o circo pegar fogo. Das duas três:
a) ou está mesmo farto, quer ir de férias e ver isto tudo pelas costas;
b) agora que está de saída controla menos os nervos e está-se a borrifar para a imagem;
c) serviu-lhe de tal forma a carapuça que só o fez indignar-se daquela maneira.


Apesar de tudo vou ter saudades deste presidente e não me importava que o Freitas fosse o seu sucessor. E não é fácil ver-me a dizer isto!

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Private Dancer

Well the men come in these places
And the men are all the same
You don’t look at their faces
And you don’t ask their names
You don’t think of them as human
You don’t think of them at all
You keep your mind on the money
Keeping your eyes on the wall

- Chorus -

I’m your private dancer
A dancer for money
I’ll do what you want me to do
I’m your private dancer
A dancer money
Any old music will do

- End chorus -

I wanna make a million dollars
I wanna live out by the sea
Have a husband and some children
Yeah I guess I want a family
All the men come in these places
And the men are all the same
You don’t look at their faces
And you don’t ask their names

- Repeat chorus twice -

Deutschmarks or dollars
American express will nicely thank you
Let me loosen up your collar
Tell me do you wanna see me do the shimmy again

- Repeat chorus -

sábado, fevereiro 04, 2006

Há algo de podre no reino da Dinamarca

Passo julgamento:


  • Quem iniciou isto, nomeadamente o pessoal do jornal dinamarquês, sabia muito bem o que estava a fazer. Trata-se de uma provocação deliberada. Merecem tudo o que tiverem, excepto a publicidade gratuita .

  • A caricatura é e sempre foi inaceitável à luz da tendência civilizacional para o politicamente correcto. Sempre foi um insulto. É curioso é notar que se o grupo vítima do insulto tivesse sido os pretos, os homossexuais, as mulheres ou os judeus algo de muito pior teria já acontecido aos provocadores. Notem bem que os grupos que referi são tudo gente boa, têm é o sistema imunitário melhor montado do que os islâmicos, ou seja, estão bem integrados e têm o poder de defender de forma eficaz o seu bom nome na praça pública.

  • A fracção radical dos islâmicos tem de compreender que não é à porrada que se resolvem as coisas. O resultado do seu actual método de lidar com os problemas é que até grupos que já mencionei e que, suponho, mas posso estar a ser preconceituoso acerca do que é a weltanscahuung de um islâmico radical, eles olham como párias se safam melhor.

Paz.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Bílis

Portugal, talvez o mundo, pertence aos arrivistas, aos sabujos, aos manteigueiros. Vivemos à sua mercê, na sua graça. O grande conflito entre principios de atribuição de recompensas, ou seja, entre princípios de organização da sociedade, é entre o nepotismo, senso estrito, e a meritocracia da sabujice: fulano passar melhor manteiga do que sicrano. Surpreendo-me por ainda estar vivo e a trabalhar.

Um idealismo malsão

A res cogitans é como um cancro da res extensa. Talvez tenha havido um tempo em que o materialismo proporcionava uma visão adequada da realidade, mas hoje mais de metade desta é imaterial. É um pouco como a história que Burroughs conta do homem que ensinou o olho do cú a falar e acabou suplantado por este. Tudo o que é sólido se desfaz no ar.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Que macadada é esta?

Então a Naomi Watts nem sequer é nomeada? Querem enganar quem?

The Tree of Life
Gustav Klimt

Para quem não tem mais nada para fazer!!

Uma pesquisa grosseira no Google mostrou-me a ordem de "importância" de algumas personalidades. Comecei pelos candidatos às recentes presidenciais. Confirmei que o Mário Soares é mais "importante" que o Cavaco Silva. A busca pelo primeiro encontra 2,470,000 referências, enquanto que o futuro presidente recolhe apenas 1,730,000. Aliás, no espectro político só o Garcia Pereira se lhe aproxima com 2, 360,00 referências. Já na "bola" temos gente muito "importante": o Luís Figo é quase tão importante como o Marocas, com 2,460,000 referências. O Mourinho, esse grande cromo da bola colhe 2,600,000 ocorrências e o Grande, esse líder da Nação, o Sr. Pinto da Costa com 2,990,000.
Bom, só "postei" isto porque o Frater Caerulus há uns anos que vem apelando "Pinto da Costa à presidência"!

E agora as letras pequenas que acompanham estas contagens da tanga: Este estudo foi efectuado entre as 0h30 e 0h40 de dia 1 de Fevereiro. Foram contempladas todas as entradas referidas pelo Google sem excluir referências a nomes idênticos que não coincidem com os senhores que costumamos ver na televisão.

domingo, janeiro 29, 2006

Os rapazes da terra do gelo

Os Sigur Ros são das melhores bandas da actualidade. Vi-os e ouvi-os no Coliseu o ano passado e rendi-me ao encantamento que a sua música produz. Para quem conhece ou não conhece e gostava de conhecer, aqui ficam dois pequenos tesouros: hoppipolla e glosoli. Um mimo!

segunda-feira, janeiro 23, 2006

"Venci contra quatro candidatos (...)"


Ai, valha-nos!
Outro que não sabe fazer contas. Este com a agravante de ter ganho pela sua suposta competência na área da economia. Não se entende muito bem porque é que tal perfil lhe foi vantajoso junto do eleitorado já que as funções constitucionais do Presidente da Répública são essencialmente as de "representação da república Portuguesa, de garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições". Enfim, creio que já nem isto as pessoas sabem ou querem saber ...
Pelo menos, e parafraseando Agustina Bessa Luis, tem estatura. Estamos muito mais descansados!
Aos 64.139 marrecos que poderiam ter ido votar em qualquer dos outros cinco candidatos e desse modo proporcionado uma segunda volta tenho uma e só uma coisa a dizer. Nas palavras do Divino Arquitecto: aguenta, não chora.

Não querendo ganhar na secretaria, gostaria que alguém me explicasse porque é que os votos brancos e os nulos não entram no denominador da percentagem. Afinal, só 49,66% das pessoas que foram votar escolheram o agora Presidente Eleito.

A tendência de Cavaco era descendente e Alegre - em quem não votei - mostrou-se conotável com valores que não têm tido expressão nesta era tecnocrática. O povo também disse que há muito mais do que a economia, estúpido. Chego a ter pena dos plutocratas, spin doctors, barões dos media e outros animais em processo de obsolência. Caminham inexoravelmente para a extinção. Este quase foi o seu último fôlego. É embaraçoso. Daqui a uns anos só os vemos no zoo.

Já tá

Quando oiço gritar a certo e determinado "candidato" que o povo está com ele, percebo que não sou do povo!

domingo, janeiro 22, 2006

Artigo Sobre Maus Supervisores

A Sciencecareers.org publicou recentemente um artigo sobre maus supervisores. Alguns dos depoimentos parecem familiares. Surpreende-me, contudo, que a percentagem seja tão baixa. Talvez as minhas expectativas sejam condicionadas por só conhecer uma escola.

sábado, janeiro 21, 2006

Five to One

Yeah, c'mon
Love my girl
She lookin' good
C'mon
One more

Five to one, baby
One in five
No one here gets out alive, now
You get yours, baby
I'll get mine
Gonna make it, baby
If we try

The old get old
And the young get stronger
May take a week
And it may take longer
They got the guns
But we got the numbers
Gonna win, yeah
We're takin' over
Come on!

Yeah!

Your ballroom days are over, baby
Night is drawing near
Shadows of the evening crawl across the years
Ya walk across the floor with a flower in your hand
Trying to tell me no one understands
Trade in your hours for a handful dimes
Gonna' make it, baby, in our prime

Come together one more time
Get together one more time
Get together one more time
Get together, aha
Get together one more time!
Get together one more time!
Get together one more time
Get together one more time
Get together, gotta, get together

Ohhhhhhhh!

Hey, c'mon, honey
You won't have along wait for me, baby
I'll be there in just a little while
You see, I gotta go out in this car with these people and...

Get together one more time
Get together one more time
Get together, got to
Get together, got to
Get together, got to
Take you up in my room and...
Hah-hah-hah-hah-hah
Love my girl
She lookin' good, lookin' real good
Love ya, c'mon

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Vamos resistir, vamos dizer "Não"

«Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagemm
as tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

QRN sobre Bretzelburgo

QRN sur Bretzelburg

É extremamente questionável que uma artista tão consistentemente genial como André Franquin tenha produzido uma obra que se saliente do conjunto ao ponto de merecer o título de obra maior. Creio que penso no QRN sobre Bretzelburgo mais frequentemente do que nos restantes títulos pelo que me ensinou acerca da política, sobretudo acerca dos conflitos internacionais, do jogo duplo. Dou graças.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Madeleine Peyroux


A minha primeira impressão foi que estaria a ouvir Billie Holiday cantar Leonard Cohen. Um segundo depois apercebi-me do anacronismo e fui ver do que se tratava. Era a Madeleine. Bem-vinda.

Mais presidenciais

Dizem que os portugueses já estão fartos de campanha. Não sei se é ela que me vai esclarecer, mas sinto, pela primeira vez, bastantes dúvidas acerca do meu sentido de voto. E já estamos perto das eleições.

A única coisa que sei, desde o início, é em quem não vou votar:
. Candidato - o senhor do bolo (rei);

Outros foram eliminados pelo caminho, ou não chegaram a fazer parte do meu leque de opções, nem sei:
. Candidato - À falta d'outro;
. Candidato - Vai a todas;

As dúvidas pairam no ar. Confundem-se as crenças e identificações políticas com a empatia. Ainda assim, destes três:
. Candidato - A esquerda do cachimbo;
. Candidato - Mais poeta que o poeta;
. Candidato - O poeta propriamente dito;

acho que já só pondero sobre dois. Faltam 9 dias de arruadas, comícios e coberturas jornalísticas esclarecedoras do género:"A sala do jantar do candidato X estava cheia porque para comer de graça aparece sempre gente". Pode ser que até lá me decida sem grandes stresses.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Sondagens

Há dias em que não leio um jornal, outros em que é à resma. Hoje peguei por acaso no DN de ontem e deparei-me com a sondagem para as presidenciais. É um assunto que me preocupa. Já tinha ouvido que 60% das intenções de voto estariam fixadas no Cavaco e essa não é uma direcção para o país que me deixe satisfeito, quer pelo conteúdo político quer pelo unanimismo.

Fui ver. Não era exactamente neve. Antes de mais, a sondagem é telefónica. Ora, sei de fonte segura que menos de metade dos lares têm telefone fixo. Isto implica que 1) mais de metade das famílias tem uma probabilidade zero de ser entrevistada. Acresce que 2) a entrevista telefónica impede a utilização do método de voto em urna e as pessoas têm pudores e receios muito substanciais quanto à divulgação do seu voto. Isto materializa-se aliás nos números divulgados: 606 entrevistas a dividir por 7590 números de telefone dá 8%, ou seja, 3) uma taxa de recusa de 92%. Por fim, as quotas: não fica claro da ficha técnica se a estratificação é paralela ou cruzada e 4) se for paralela há espaço para grandes derrapagens na combinação dos atributos (por exemplo, entrevistarem-se demasiados homens jovens numa região e, em contrapartida, um número insuficiente de homens jovens noutra região); finalmente, 5) é notória a ausência entre as variáveis utilizadas nas quotas de qualquer referência à estratificação social como, por exemplo, a escolarização terminal ou ESOMAR social grades, o que significa que, se por acaso tiverem sido entrevistadas muitas pessoas na base ou no meio da pirâmide social os resultados de um candidato apoiado por um partido de elites, como seria o caso do Francisco Louçã, ficarão necessariamente aquém do que seria a sua expressão real.

Tudo isto nos sugere que a verdadeira situação pode ser bem diferente da que aparenta. Contudo, não podemos esquecer o magistral adágio de Salazar: em política o que parece é. A 6) apoteose de Cavaco nas sondagens predisporá os seus apoiantes a responder a entrevistas telefónicas e levará ao retraimento de quem pensa de modo diferente. Falta saber se o mesmo efeito se estenderá ao voto propriamente dito.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Deixa lá Jacinto

A Elisabete Jacinto viu-se forçada a abandonar o Dakar. Temos pena pois ela porta-se muito bem ao volante do seu camião.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Corrida ao Ouro


Ouro atinge o preço mais elevado em 25 anos. Assim ditam os títulos de alguns jornais. A onça de ouro subiu para 544,60 dólares, estabelecendo-se ao mais alto nível desde Janeiro de 1981.
Nos últimos anos a Europa vendeu, vendeu...e a Asia, comprou, comprou...
Pois é, parece que este metal vai voltar a dar que falar.

domingo, janeiro 08, 2006

Tu és o marinheiro

"Queres ver outra vida? Outro mundo?
Abre bem as mãos da próxima vez que sentires o vento, e deixa-o soprar-te por entre os dedos. Aí não saberás se és tu que corres no vento, ou se é o vento que corre em ti...."

(in "a balada do marinheiro de estrada" by miguel gullander)

O dia oficial

Hoje é o primeiro dia oficial de campanha para as eleições presidenciais.
É como os saldos, quando começam, já está toda a gente farta deles.

sábado, janeiro 07, 2006

Clã


Do Lusoqualquercoisa ao Rosa Carne,
os Clã confirmam-se uma e outra vez.
Gosto de todas, de modos diferentes.
Aqui fica "Eu ninguém".

eu ninguém
eu ninguém comigo só
posso ser
travesti de quem quiser
manequim de bazar
ou rainha do lar
madame butterfly
barbie suzie dolly polly pocket

tudo bem
mas eu posso ser também
emanuelle
lady miss mademoiselle
num harém meretriz
ou apenas actriz
o espelho me diz
gueixa vénus eva dama virgem mãe

é que eu sei
o que eu sou e o que não sou
mas é claro
o que eu for eu sou
sem ninguém
só o que eu tenho a saber
é quem de nós cem
hoje eu vou ser

sei lá sei lá
sei lá sei lá
sei lá sei lá
sei lá

(Arnaldo Antunes \ Hélder Gonçalves)

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Em 2006

Seja Como For

faça o que quiser
viva o que vier
seja onde estiver
faça o que puder
viva como der
sinta o que vier
seja o que quiser
faça o que fizer
pegue o que puder
viva onde estiver
seja como for, amor.

(Letra dos Clã)

terça-feira, janeiro 03, 2006

Os temas de Miyazaki

Enunciemos os temas que encontramos na obra de Miyazaki:
  • o poder e a liberdade;
  • a guerra;
  • a comida e o prazer de comer;
  • a cidade e as serras;
  • as idades do homem e da mulher;
  • o matriarcado;
  • a poluição, destruição da natureza;
  • a possibilidade de mudar.

Prémio Mensagem 2005

"Olá Amigos, Boas Entradas, Excelente Carnaval, Páscoas Felizes, Óptimo 25 de Abril, Gozem as Férias, ah e é verdade Felizes aniversários!!!!!!
Pronto está tudo despachado. Até 2007. Beijocas"

segunda-feira, janeiro 02, 2006

quinta-feira, dezembro 22, 2005

terça-feira, dezembro 20, 2005

Kate Vicente

250 gramas de açúcar
250 gramas de farinha
250 gramas de manteiga
1 cálice de Vinho do Porto
1 chávena de açúcar queimado (caramelo)
5 ovos
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de açúcar baunilhado
1 colher de chá de canela
A quantidade que se quiser de frutos secos (nozes, amêndoas, pinhões, etc.) picados.

Bate-se a manteiga com o açúcar até ficar um creme branco. Acrescenta-se-lhe os ovos um a um alternadamente com a farinha, batendo entre cada adição. Depois de bem batido, junta-se o Vinho do Porto e as especiarias. Por fim, deita-se o caramelo, devagar, batendo sempre, e os frutos secos picados. Coze-se em forno um pouco brando, a cerca de 180º/190º, durante aproximadamente 55 minutos, numa forma previamente untada com manteiga e polvilhada com farinha. Deixa-se arrefecer na forma e de seguida põe-se no prato de servir.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Na terra dos sonhos do Jorge



Andava eu sem ter onde cair vivo
Fui procurar abrigo nas frases estudadas do senhor doutor
Ai de mim não era nada daquilo que eu queria
Ninguém se compreendia e eu vi que a coisa ia de mal a pior

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Andava eu sózinho a tremer de frio
Fui procurar calor e ternura nos braços de uma mulher
Mas esqueci-me de lhe dar também um pouco de atenção
E a minha solidão não me largou da mão nem um minuto sequer

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Se queres ver o Mundo inteiro à tua altura
Tens de olhar para fora, sem esqueceres que dentro é que é o teu lugar
E se às duas por três vires que perdeste o balanço
Não penses em descanso, está ao teu alcance, tens de o reencontrar

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar.

------------------------------
Não há como não o amar.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Sobre as minhas paixões


Descia uma estrada, atravessava uns arrabaldes, trepava para cima de um muro, percorria um pequeno pinhal e, voilá, chegava ao liceu.
De linhas geométricas e austeras, erguia a sua aura misteriosa entre a copa de arvores antigas e pacientes. Os corredores eram largos e compridos, com janelas amplas, de parapeitos largos em toda a sua extensão.
A ligação entre os diferentes edifícios era feita através de portas de madeira que se abriam de par em par para átrios de chão marmoreado e paredes lisas. As portas das salas de aula abriam-se para uma parede repleta de janelas acocoradas nos amplos parapeitos, deixando ver os ramos das árvores lá fora.
Erguendo-se imponente entre os edifícios estava a Torre do Relógio que, durante anos, povoou o imaginário de muitos. A realidade nada ficou a dever à fantasia, mas, "that's another story".
Entre os seus encantos contavam-se ainda o lago dos nenúfares, o "sobe e desce", os abrigos, o muro empedrado e largo que circundava toda a propriedade e as arvores de ramos que convidavam a trepar.
Assim era a Torre da Aguilha em todo o seu esplendor.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Apontamentos sobre o prazer - o prato predilecto

Lembro-me como se fosse hoje do prazer que, em criança, retirava de comer salsinhas com ovos estrelados e batatas fritas. Ah, não havia nada melhor! Nem mesmo o frango assado, que durante anos esteve no top3, alcançava um score tão alto!
Aos fãs revivalistas, aconselha-se uma visita à, internacionalmente famosa, Adega da Barroca.

Saraband

É bela esta dança a dois.
Adorei a fotografia, os actores, os diálogos. Ah, devo dizer que os valorizei ainda mais após experienciar babel nos primeiros 5 minutos de filme. As legendas estavam ilegíveis e Marianne falava-nos pausadamente em sueco. Vi-mo-nos obrigados a abandonar a sala, assistimos a um quase motim mas tudo acabou em bem. Em pouco tempo estavamos todos de volta à sala para apreciar Saraband em toda a sua beleza.

Marianne com a sua expressividade feminina e maternal. Cativante. Johan com a sua armadura à prova de amor... que desconcerto.

Amor, inocência, lascívia e incesto. Tudo envolto em música. Intenso e fugaz, como a vida.

sábado, dezembro 10, 2005

A não perder


Tessa Quayle: I thought you spies knew everything.
Tim Donohue: Only God knows everything. He works for Mossad.


[The constant gardner]






segunda-feira, dezembro 05, 2005

Elizabethtown

O filme está longe de ser sobrepujante mas não cessa de me supreender que uma miúda tão simpática tenha sido uma horrível vampira quando era pequenina.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Culto do risco

Santorini, Grécia.
Vulcão com 565 m.
36º25'N, 25º25'E.
Última erupção em 1640 B.C.
Escalado em 2002.


Nápoles, Itália.
Vulcão com 1281 m.
40.821°N, 14.426°E
Última erupção em 1944.
Visitado em 2003.


Ilha do Fogo, Cabo Verde.
Vulcão com 2.829 m.
14.9º N, 24.3º W.
Última erupção em 1995.
Escalado em 2004.




quinta-feira, novembro 24, 2005

Pelo sonho é que vamos

Percebi ontem que depois da desilusão (ausência de ilusão e não tanto decepção) é mais fácil conseguir calma e serenidade. Hoje confirmei uma e outra vez! Enquanto temos a ilusão de que qualquer coisa existe achamos que a podemos mudar ou que ela nos pode mudar a nós. Com a desilusão esse desassossego acaba.

Afinal, pelo sonho é que vamos!

terça-feira, novembro 22, 2005

Outra vista de Delft

 Posted by Picasa

Vida santa...

Todos gostamos de saber da existência do "fogo" e que o seu calor nos aqueça... a maioria não se aproxima com medo de se queimar.

Petição pela Salvaguarda do Museu Geológico

Segundo um folheto disponível em linha no sítio da DREL:

O nosso Museu Geológico contém as mais completas colecções de fósseis colhidas em Portugal: ossos e pegadas de dinossauros, grandes mamíferos, peixes, trilobites, amonites, etc, etc., bem como um conjunto espectacular de peças arqueológicas, assim como belos exemplares de minerais (nacionais e estrangeiros) e de instrumentos científicos antigos.

Maria João Rodrigues on basic values

This larger discussion in the Member States should take into account this more general background of the European social model and the new strategic challenges it is facing nowadays. Moreover, its underlying basic values seem also to be under re-interpretation, notably when:

- it is said that security should be for change, and not against change...

segunda-feira, novembro 21, 2005

Mandar pausa

Charme de charmes, tudo é charme. Conheço quem ostente o seu
e-analfabetismo como se de uma marca de nobreza se tratasse. E cola. Amam-se e fazem-se amar por serem assim. De outra classe, de outro tempo. Acima dessa vulgaridade. É tão chique ser ignorante. É tão sexy ser incapaz. Veblen explica, mas isso não traz consolo.

Gilliam on the homeless and Piranesi

It's like moving back in history to an earlier time which is now where the homeless and bums live. They live in this, well, literally they're living in a Piranesi world, as opposed to the modern world.

domingo, novembro 20, 2005

Memória de Escorpião

Let me take you far away
You’d like a holiday
Let me take you far away
You’d like a holiday


Exchange the cold days for the sun
A good time and fun
Let me take you far away
You’d like a holiday


Let me take you far away
You’d like a holiday
Let me take you far away
You’d like a holiday


Exchange your troubles for some love
Wherever you are
Let me take you far away
You’d like a holiday


Longing for the sun you will come
To the island without name
Longing for the sun be welcome
On the island many miles away from home
Be welcome on the island without name
Longing for the sun you will come
To the island many miles away from home

terça-feira, novembro 15, 2005

Ave atque vale

Com o passar do tempo vamo-nos tornando mais corpo. O corpo é assento de saberes. Não é que os velhos saibam mais. Sabem é diferente. Sabem a romãs.

quarta-feira, novembro 09, 2005

A queda de um mito

Passei a vida toda a ouvir que o português tem jeito para as línguas e não-sei-o-que-mais. Mentira. O Eurobarómetro mais recente mostra que só 36% dos portugueses afirmam conseguir manter uma conversa noutra língua. Esta percentagem é idêntica à da Espanha, país que o senso comum aponta como o de maior aversão a línguas estrangeiras. A média na EU25 é 50%.

terça-feira, novembro 08, 2005

França #2

Quando uma caubóiada destas é espontânea, e esta parece sê-lo, torna-se particularmente interessante observar os esforços de apropriação desenvolvidos pelas cabeças falantes. À luz do texto, neste caso, à luz dos automóveis em chamas, emergem comunidades interpretativas que dele extraem o que podem ou querem. Por ser informe, a violência nocturna francesa presta-se a funcionar como teste projectivo, um Rorschach feito já não de borrões de tinta mas de sangue, óleo e fuligem.

França #1

O Público surgiu ontem com uma parangona bem esgalhada mas perfeitamente irresponsável, senão mesmo manipuladora. Falar em 'intifada francesa' é demasiado evocativo na medida em que traz acoplado o tema do choque das civilizações, propagandísticamente caro a quem se sabe, quando este não vem minimamente a propósito. O que se passa em França é, tanto quanto me tem sido possível entender, um puro fenómeno de classe. Não li nada que sugerisse ter esta onda de violência um cerne religioso ou cultural. É preciso um tipo muito especial de pessoa para sugerir que a actual situação é de molde a permitir ao senhor Bush vir dizer: 'eu bem avisei...'

sexta-feira, novembro 04, 2005

Say it isn't so

E não é mesmo. O universo apresenta-se-me de novo de uma forma reconhecível. A inquietação que me habitava ontem dissipou-se como uma tempestade de Verão. O verdadeiro Mal, não sendo um meio mas sim um fim em si, destrói-se a si próprio. É tão simples como isto. Um mecanismo homeostático incorporado na criação.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Horror de horrores

Tenho vivido na convicção de saber a quem Kurtz se refere quando balbucia "O Horror. o Horror." Acontecimentos recentes abalaram-me nesta certeza. O meu Horror, verdadeira emanação antropomórfica da entropia, estropiado estropiante cego até às derradeiras alegrias do sadismo e do masoquismo, parece ter caído vítima de um mal mais mesquinho. Poderá ser? O esteta do mal, aquele que persegue o mal pelo mal sem disso tirar qualquer vantagem ou prazer, vencido por um mal pequeno-burguês, um mal com um objectivo, um mal degradado à condição de meio utilizado para um fim? Temo bem que sim. Sinal dos tempos. O pragmatismo e a mesquinhez ceifam a torto e a direito pelas fileiras da humanidade. Estava habituado à ideia de não haver lugar para santos ou sequer para pessoas moderadamente decentes. Choca-me que também os verdadeiros apóstolos das trevas não tenham lugar na ordem das coisas. É uma ruptura com a minha visão do mundo muito difícil de realizar. Cai Barâd-dur, fecha-se a sala 101, as pessoas perguntam-me: Hannibal quem? E eu não sei.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Estamos tristes

Alguém cometeu um erro clerical no que respeita à data de lançamento do livro do nosso amigo. Era hoje e não daqui a um mês. Ficámos estupidamente em casa ao invés de estarmos lá. Que neura.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Fantasmas

Só a jacquerie é credível enquanto revolução.
Tipos como tu eu não se safam na jacquerie.
Tampouco estou pronto para ser um conservador.

domingo, setembro 25, 2005

Durante muito tempo laborei em erro. Estava convencido de que as pessoas ainda podiam ser cativadas para projectos de mobilidade social colectiva ou, pelo menos, de que me era possível cativá-las para tais projectos. Meia vida volvida e muitas decepções depois, constato que não há silogismo que se possa aguentar em tal premissa maior. Merda.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Soares?

Estou convencido de que foi melhor para nós que Soares tenha vencido Cunhal. Isto não significa que lho perdoe e, muito menos, que nasça daqui uma qualquer lealdade relevante para a próxima eleição do PR.

Promethea dixit

Os mais chatos são invariavelmente os que vêem o seu assunto resolvido em primeiro lugar.

Quão bem ou mal ganha?


Eis um sítio com muito interesse, referenciado pela Organização Internacional do Trabalho.
Aqui podemos encontrar indicadores de salários de cerca de 10 paises europeus, a que se juntam a India, Africa do Sul, Brasil e Estado Unidos.

Quanto ganha, meu amigo? E sabe quanto ganha o seu congénere nos EUA?

Este seria (ou será?) um trabalho de grande relevo do ponto de vista social a desenvolver no nosso país.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Se não há risco, não há gozo

Investigadores da Universidade de Bona ligam a disposição para correr riscos à felicidade, altura, género, idade e escolarização da família de origem.

terça-feira, setembro 13, 2005

segunda-feira, setembro 12, 2005

Domingo Sacramental


Eu sei que isto não é um baby blog!
Foi um Domingo diferente, passado na Serra D'el Rei, numa quinta magnífica, o dia estava bom e deu para passear por lá, por meio de lagos, jardins, crianças, etc. As pessoas estavam bem dispostas e o meu sobrinho estava um encanto, uma delícia. Merece um post!

Baptismus est sacramentum regerationis per aquam in Verbo.

As minhas últimas entradas em igrejas haviam sido nas férias e obedeciam a rituais turísticos e interesses unicamente estéticos:
- Uma igreja visitada em Helsínquia, entre um passeio rápido aos pontos assinalados no guia e uma corrida para o barco que partia sem nós se não nos despachássemos!
Valeu pena a corrida: uma igreja meio sublevada, esculpida na pedra e com um tecto verde em abóbada quase ao nível do solo; Lá dentro algumas pessoas a rezar, outras a tirar fotografias. Cá fora, algumas pessoas deitadas na relva, de biquini, a apanhar as horas mais quentes de um dia com 21 horas de sol;
- outra igreja visitada em Estocolmo que nada tinha de especial a não ser o facto de se situar naqueles jardins gradeados que têm mesas de piquenique ao lado de campas. Pois foi numa dessas mesas de jardim que almoçámos sandochas mistas com tomate e ovos cozidos. Na mesa ao lado da nossa estava um grupo de pessoas, daquelas que parecem retiradas de um filme de Lars von Trier. Entre elas, a mulher do padre /pastor (homem muito jeitoso, por sinal) que vendia bebidas quentes e a quem comprámos um chá para acompanhar a nossa refeição, uma figura meio híbrida que lembrava o Elton John e que mantinha o estilo artístico e maquilhado apesar da idade avançada, uma ou duas paroquianas devotas e com muita idade e um senhor com olhar penetrante e ar absolutamente lunático. Nas campas do jardim havia sempre uma figura paternal sentada (não esquecer que estamos na Suécia, onde são os pais que tomam conta dos filhos), a folhear o jornal com uma mão e a embalar o carrinho do bebé com a outra.

À parte destas recentes visitas há muito que não entrava numa igreja, a não ser para casamentos e baptizados. E hoje foi uma dessas ocasiões. Um baptizado (sacramento da regeneração pela água e pela palavra) com missa!

Ali estava eu! Em vez de admirar o estilo gótico da igreja, por acaso muito bonita, sóbria e despida das habituais figuras religiosas e cenas litúrgicas pintadas nas paredes, em vez de reparar nas beatas do coro e imaginar a semana delas para além do dia Dominical, em vez de desprezar rituais de abnegação e peditório, em vez de admirar paz nas expressões de fé dos crentes que se ajoelham e rezam, resolvi ouvir a palavra do senhor. Do senhor padre!

E assim fiz, mas não sem olhar em redor e observar quem também a ouvia.

O padre contou uma história sobre o perdão, Mt 18, 21-35. Rezava assim:

Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: «Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?» Jesus respondeu: «Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: “Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo”. Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: “Pague logo o que me deve”. O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ”‘Dê-me um prazo, e eu pagarei a você”. Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: “Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?’ O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.»

Pois... não vi ninguém a acenar a cabeça em sinal de concórdia, não senti emoção nas palavras nem vibração nos ouvintes. Um discurso político causa mais impressão, apesar do cepticismo! Tudo me pareceu mecânico. O acólito atento aos pedidos do padre, o coro à espera das entradas, o crente que estuda o momento em que sobe ao altar para ler um qualquer versículo, ainda que não o entenda! Fiquei triste! Ainda que me sinta pouco ou nada tocada pela fé católica preferia pensar que ela realmente existe.

sábado, setembro 10, 2005

Mais do mesmo

Não mata mas mói,
cansa tanto que até dói.

Um belo momento de poesia inspirado na p... da vida

sexta-feira, setembro 02, 2005

A conversão dos capitais segundo Chomsky

Chomsky aproveitou a palestra de aceitação do seu doutoramento honoris causa pela Universidade de Bolonha para racionalizar sobre a ligação entre a sua contibuição para a ciência e o seu activismo político. O título desta entrada é uma hiperligação para o artigo.

A ciência de Chomsky passa-me bastante ao lado. Simpatizo com a política e acho curiosa a fixação em mártires católicos. Não vejo ligação entre uma coisa e outra. O próprio admite que dá barely a hint about the possible connections, a problem still very much on the horizon of inquiry. Confesso-me algo decepcionado.

quinta-feira, setembro 01, 2005

sábado, agosto 27, 2005

Os Edukadores

Ah, e tal. Dura muito tempo. Não é totalmente parvo. Pelo menos poupa-nos às formas mais evidentes de jactância cinéfila. Nisso é melhor do que a Ilha ou a Fábrica de Chocolate.

A Fábrica de Chocolate

Mais um filme, mais um huis clos. Tempo perdido, pois nunca ninguém o fará melhor do que John Hughes. Recordo o Breakfast Club. Mais intertextualidade. Mais do mesmo. A Bonham Carter está cada vez mais gira. Sorte do Burton. Fazem um casal perfeito. Têm dinheiro a mais.

A Ilha

A Ilha padece de pós-modernidade galopante. Já não há cú para intertextualidades. Arranjem um brinquedo novo. O que é que a Scarlett e o Ewan tinham fumado quando aceitaram trabalhar com o realizador de Armagedão? O filme tem uns bons 50 minutos de correria acéfala a mais. O design está giro: é uma ilha bonita. Saudades da Madonna.

terça-feira, agosto 23, 2005

Robert Anton Wilson on Tim Burton's Batman

The moronic Bronson and Stallone "one man above the law" films glorify vigilantism with the logic of right-wing para-noids. Batman both challenges that folk fascism and poker-facedly "defends" it on the eminently Existentialist grounds that in a universe without morals or meaning everybody has to create their own reality and take responsibility for it.

Robert Anton Wilson in Magical Blend, #25

Piano Man identificado?

A imprensa noticia que o "Piano Man"foi identificado. Que diria Fort da forma como está a ser trabalhada a informação acerca deste Kaspar Hauser moderno?

sábado, agosto 20, 2005

V for Vendetta adiado até 2006

O artigo sugere que por razões políticas. Compreendo: a conjuntura é adversa a que se recupere um livro assim. Há as bombas e o panóptico de câmeras nele previsto cobre já Londres, enquanto a pele do regime endurece de dia para dia.

sexta-feira, agosto 19, 2005

A entrevista - exercício em ruído sináptico

Um objecto que possa interpor ao interlocutor desconhecido que aguardo. Um livro: porque não me ocorreu trazer um livro? Espera! Tenho a moleskine! Salvo! Nada baliza o que sou, ou melhor, o que me quero apresentar como como uma moleskine. Se for efectivemente do meu interesse ficar neste sítio, o meu interlocutor saberá reconhecer este símbolo. Só é pena a caneta, uma miserável ponta de feltro fina, daquelas que recebem rigidez de um exosqueleto de metal. Que será feito da caneta de tinta permanente que costumava usar? Estará arrumada ou perdida? Há peças que faltam. A minha vida é como um motor sem todas as suas partes. Funciona, mas de forma penosa e susceptível de falhar a qualquer momento. Que será feito do X? Há algo que o chateia. As peneiras não o deixam menos perdido do que eu. Só estorvam. Choca-me a forma sistemática, deliberada como procuramos formas de nos sentirmos superiores aos outros. Todo o empenho mesquinho que vai nisso. Se a vida fosse uma contabilidade com duas colunas, uma para os perdidos e outra para os achados, o que ficaria na última? Montes de coisas: a miúda, o cão, a avó. Pessoas e coisas há que teriam de figurar em ambas as colunas. Talvez todas, porque panta rei, omnia mutantur. Eis um dito que daria uma boa tatuagem, força da ironia que nasce da pretensa durabilidade das tatuagens. Começo a ter sono. Já espero há imenso tempo. Vinte minutos desde que cheguei. Dá uma média de uma página, frente e verso, de moleskine por cada quinze minutos. É má onda, deixarem-me esperar tanto? Ou um teste à minha determinação e paciência? Será que vale a pena esperar tanto por uma oportunidade de servir a república portuguesa? Esperei trinta e dois anos. Posso esperar mais um pouco. Temo adormecer se fechar o livro. Vamos ver. Ouço o cumprimento - tee jay. Redes e o que circula nelas, texto fechado e sociabilidade. Tudo muito fluxo, tudo muito elemento água. Mercúrio. Saudade de Parménides. De um tempo de rochas. Scila e Caribdis. Onde figuram estas? Na Odisseia ou na Eneida?

Sexta-feira, 1 de Julho de 2005

Verstehen

Tudo compreender é tudo perdoar? Ou, se a empatia está no cerne do projecto sociológico, podemos ainda falar em ciência? Também há a questão da regra de ouro: pode-se então ser sociólogo, mormente da estirpe Weberiana, sem ser cristão?

quarta-feira, agosto 17, 2005

Ainda a morte do Sr. Menezes

O canal britânico ITV teve acesso a documentos segundo os quais o Sr. Menezes não terá fugido ou saltado o portão, antes terá pago o bilhete, pegado num exemplar de um jornal gratuito e estaria calmamente sentado no metro quando foi imobilizado e, de seguida, abatido.

terça-feira, agosto 16, 2005

WANTED (for Mayor)

Uma eleição é um processo de recrutamento no qual nós, o povo, procuramos encontrar quem melhor nos possa servir gerindo a coisa pública. Tanto quanto sei, há uma bateria de indicadores objectivos - que muito me agradaria ver compilados de forma sistemática (taxas de variação 1985-2002 comparadas com as registadas nos outros municípios de Portugal) - que aponta para este homem como sendo o mais competente para desempenhar as funções em questão:

Isaltino de Morais

Vou por isso votar que lhe dêmos o emprego ao qual se candidata.

Todo o conhecimento é vaidade

E isto é uma má glosa do Eclesiastes mas tinha de ser escrito. Tampouco resulta daqui uma igualdade dos conhecimentos: a hermenêutica e a escolástica, por exemplo, são piores do que o resto na medida em que carecem de virilidade.

segunda-feira, agosto 08, 2005

quinta-feira, julho 14, 2005

UAB anthropologists achieve commitment from Gambian government to prevent female circumcision

Enfim boas notícias. Passo a citar o AlphaGalileo:

Adriana Kaplan, an Anthropologist at the Universitat Autònoma de Barcelona, has achieved a commitment from the Minister of Health and the Vice President of the Republic of The Gambia to draw up a joint plan to prevent female genital mutilation in the country. The move comes after a proposal was drawn up for an alternative ritual procedure that enables female circumcision to be avoided. The proposal was made while maintaining respect and sensitivity towards Gambian culture.

The Universitat Autonoma de Barcelona anthropologist and researcher for the “Ramón y Cajal” scientific programme Adriana Kaplan has achieved a commitment from the Minister of Health and the Vice President of the Republic of The Gambia to draw up a joint plan to prevent female genital mutilation. The move comes following several years of work in the country and the drawing up of a proposal for an alternative ritual procedure that enables female circumcision to be avoided. The proposal was made while maintaining respect and sensitivity towards Gambian culture.

Ten years ago the Government of the Republic of The Gambia made it illegal to carry out any kind of awareness campaigns about the different types of female circumcisions that take place as part of initiation rites for young girls in the country. The stance taken was in response to the aggressiveness used by some NGOs fighting against the practice, which tried to impose their position and were quick to accuse those carrying it out without taking into account the reasons why they did it or the context in which it took place.

Since 1989, Adriana Kaplan, a professor for the Department of Social and Cultural Anthropology at the Universitat Autònoma de Barcelona, has maintained cooperative relations with the Gambian government, especially with the Ministry of Health and the Women’s Bureau, which comes under the President’s Office, as well as with various United Nations agencies and NGOs. Her aim has been to tackle the problem of female genital mutilation from a more respectful and realistic position. One of the main priorities for the researcher has been the problem of girls of Gambian descent born in Spain that travel to The Gambia on holiday and are stigmatised and caught up in a situation that is illegal in Spain: their parents are put in prison and the young girls come under the charge of social services in Spain. As Dr Kaplan affirms, the girls are “victims of tradition and the law”.

Dr Kaplan filmed a documentary called “Initiation without mutilation” with the support of the producers Ovideo TV. The documentary takes an anthropological look at the problem, highlighting the fact that female circumcision is a ritual marking a girl’s coming of age, analysing the different phases of circumcision and suggesting an alternative procedure that maintains the ritual’s meanings of cultural transmission and social belonging without the need for the physical mutilation of the girl.

After seeing the documentary the Vice President of The Gambia, Isatou Njie-Saidy, and the Secretary of State for Health, Yankuba Kassama, have stated in writing an historic commitment to begin to draw up a framework for the prevention of female genital mutilation in The Gambia. These mutilations include clitoridectomy (removal of the clitoral hood), excision (removal of the clitoris and labia minora) and infibulation (removal of the clitoris, the whole of the labia majora and minora and the suturing of both sides of the vulva).
A noção de caminho pressupõe direcções alternativas, não necessariamente acessíveis mas certamente imagináveis. Por conseguinte, surpreendemos Borges em pleno pleonasmo ao escrever-nos sobre 'caminhos que se bifurcam'.

segunda-feira, julho 11, 2005

Livro de férias

Mrs Kesselman said to him through the closet door, 'Look, Mr Gumm. It's clear to us that you belive what you say. But don't you see what you're doing? Because you believe everyone's against you, you force everyone to be against you.'

Philip K. Dick ([1959] 2003) Time out of joint. Londres: Gollancz. p. 130

domingo, julho 03, 2005

Perdidos e achados

O meu patrão predicava hoje sobre a teoria da Terra oca enquanto passava cheques na cozinha.