domingo, maio 25, 2008

...teachers and other bullies...

Keillor, G. (2004) "Introduction" in Schulz, C. M. (2004) The Complete Peanuts. 1950 to 1952. Seattle: Fantagraphics Books. p. ix

terça-feira, abril 29, 2008

The odd thing in this world is that an eager-beaver type, with no original ideas, who mimes those in authority above him right to the last twist of necktie and scrape of chin, always gets noticed. Gets selected. Rises. In the banks, in insurance companies, big electric companies, missile-building firms, universities. He had seen them as assistant professors teaching some recondite subject - survey of heretical Christian sects of the fifth century - and simultaneously inching their path up with all their might and main. Everything but sending their wives over to the administration building as bait. . .

Philip K. Dick (2003 [1959]) Time Out of Joint. Londres: Gollancz. pp. 11-12

domingo, abril 06, 2008

...uma grande desigualdade social ao nível da obesidade...

Isabel do Carmo ao Público
Eis algo que me passou pela cabeça ainda a semana passada num jantar onde a mediana dos comensais era claramente uma certa elite e as excepções podiam, para além de toda a simbólica, ser encontradas através do tipo físico.

quarta-feira, abril 02, 2008

The creative urge, which can only find an outlet in spending.

Philip K. Dick (2000 [1975]) Now Wait for Last Year. Londres: Gollancz. p. 2

domingo, março 30, 2008

Retorno do filho pródigo



Os direitos do herói messiânico mais icónico do século XX, vendidos pelo equivalente a 82,29 € em 1939, retornaram no passado sábado à casa paterna (uma delas, pelo menos).

Fontes: The Beat; The New York Times; uncivilsociety.org.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Mas onde é que eu já vi isto?

A sequência final de Haverá Sangue remete para a sequência inicial de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Mas onde este fazia um relato de evolução - Moonwatcher; Bowman; Criança-estrela - aquele faz o relato da involução de Plainview para Moonwatcher.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

domingo, fevereiro 10, 2008

Boas novas da frente belga

Spirou & Fantasio têm um desenhador novo: Fabrice Tarrin. Entra pelos olhos adentro que é a melhor pessoa a acontecer à série desde Franquin.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Para ruminar

Every industrial and commercial centre in England possesses a working class divided into two hostile camps, English proletarians and Irish proletarians. The ordinary English worker hates the Irish worker as a competitor who lowers his standard of life. In relation to the Irish worker he feels himself a member of the ruling nation and so turns himself into a tool of the aristocrats and capitalists of his country against Ireland, thus strengthening their domination over himself. He cherishes religious, social, and national prejudices against the Irish worker. His attitude towards him is much the same as that of the ‘poor whites’ to the ‘niggers’ in the former slave states of the USA. The Irishman pays him back with interest in his own money. He sees in the English worker at once the tool of the English rule in Ireland.

This antagonism is artificially intensified by the press, the pulpit, the comic papers, in short by all the means at the disposal of the ruling classes. This antagonism is the secret of the impotence of the English working class, despite its organisation. It is the secret by which the capitalist class maintains its power. And that class is fully aware of it.

Marx, K. & Engels, F. (1965) Selected correspondence. Moscow: Progress Publishers, pp. 236-7.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Expiação

Fomos ontem ver o Atonement. Superou largamente as minhas expectativas. O segundo acto, particularmente curioso, é um Apocalypse Now sem orientalismo. Muito, muito bom. A ginástica narrativa final parece-me particularmente feliz, na media em que se arrisca a agradar tanto à consciência social mais façanhuda como ao escapismo mais descarado. Depois do adeus fica a suspeita de que mesmo tão terrível confissão seja na verdade uma tentativa de salvar a face. É possível entrever uma motivação mais sombria e talvez nos tenham mentido. Mas não tanto como em Paranoid Park.

domingo, fevereiro 03, 2008

Blogging from the dancefloor

É vergonhosa a forma como a nossa geração desertou Michael Jackson. No matter what, he´s our bard.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

terça-feira, janeiro 29, 2008

Carpaccio de Hoggart

For most, self-love produces constant anxiety about one's place. So we pick up early, and go on acquiring, multiple signs of where we are and where we should by now like to be, and beyond. The entanglements are immense and affect home, neighbours, friends, professional colleagues, almost everyone we meet.


Hoggart, Richard (2005) Promises to Keep. Thoughts in Old Age. London & New York: Continuum, p. 81.

Cerises

Estou a comer cerejas. Isto é mesmo uma coisa do outro mundo, é como se me desse algum propósito

Expiação

Visto que as minhas expectactivas eram francamente baixas foi uma surpresa agradável. Muito teatral, senti-me a ver uma peça em cenários gigantescos. Pouco apropriado ao meu estado de espírito pois achei que todo o filme é sobre a loucura, todas as personagens são loucas. Gostei, até posso dizer, quase muito!

domingo, novembro 18, 2007

quinta-feira, novembro 08, 2007


Por vezes a vida mima-nos. Será que para o mês teremos a Blanchett ou a Richardson?

terça-feira, setembro 18, 2007

Nausicaä

Pois, estou a ler a Nausicaä pela primeira vez. Ainda vou a meio do primeiro volume mas constato que realmente mais vale a pena ir direito aos clássicos do que perder tempo a garimpar os contemporâneos. Acho que fui displicente face à Nausicaä por entender Miyazaki sobretudo como um cineasta. Disparate.

quinta-feira, agosto 23, 2007

Febra de Goblot

...la richesse assure des loisirs que le bourgeois a utilisés pour faire des études et accroître sa valeur personnelle...

Goblot, E. (1967 [1925]) La barriére et le niveau: étude sociologique sur la bourgeoisie française moderne. Paris: Presses Universitaires de France, p. 104.

Posta de Proust

Para ele [o letrado], um livro não é o anjo que levanta voo logo que ele abriu as portas do jardim celeste, mas um ídolo imóvel, que adora por ele próprio, que, em vez de receber uma dignidade verdadeira dos pensamentos que desperta, comunica uma dignidade fictícia a tudo quanto o rodeia. (...) considero doentio este gosto, esta espécie de respeito fetichista pelos livros...

Proust, M. (1997 [1905]). O Prazer da Leitura. Lisboa: Editorial Teorema, pp. 45-46.

terça-feira, agosto 21, 2007

Fatia de Russell

Há dois motivos para se ler um livro; um, o próprio prazer da leitura; o outro, a possibilidade de alardear conhecê-lo.

Russell, B. (1997 [1930]). A Conquista da Felicidade. Lisboa: Guimarães Editores, p. 52.

domingo, agosto 19, 2007

Naco de Proust

[Entre os letrados] ignorar um determinado livro, uma determinada particularidade da ciência literária, será sempre, mesmo num homem de génio, uma marca de grosseria intelectual. A distinção e a nobreza consistem na ordem do pensamento também, numa espécie de franco-maçonaria de costumes, e numa herança de tradições.

Proust, M. (1997 [1905]). O Prazer da Leitura. Lisboa: Editorial Teorema, pp. 56-57.

sexta-feira, julho 13, 2007

Viagem imóvel: da lisonja viril à virilidade servil

A erudição é um número de circo. A memória amestrada faz truques, o público aplaude, o amendoim ou o bife não tardam. Paradoxalmente, a erudição é também bravata, testosterona, masculinidade. O MC e o scholar são um só tipo humano, diferindo apenas no acessório que é essencial: a posição social. A bibliofilia e o tuning são um só comportamento humano - entusiasmo - e cumprem uma só função - alimentar bravata. O entusiasmo é a proteína, a bravata o músculo. E o músculo, todos sabemos para que serve.

terça-feira, julho 10, 2007

voluntarismo, s. m., característica daquele que é voluntarioso.

voluntarioso
, adj., caprichoso; teimoso; rebelde; que pretende impor a sua vontade.

Dicionário Língua Portuguesa On-Line


Não são mimos e tenho hoje razões para crer que sejam termos utilizados amiúde em conversas sobre a minha pessoa. Parecem-me contudo descritores adequados. Parte de mim é sensível a parte do corpo ideológico da Ayn Rand. Antes a hubris que a hebefrenia. Antes a mania que a abulia... e depois há resultados, coisas que se materializam. E a materialização, paradoxalmente, anima.

Infelizmente, este é também o bilhete (ou um pretexto?) para maus sentimentos para com as diversas estirpes de underachievers (segundo o meu padrão de expectativas, claro!) com que me vou confrontando no dia a dia. Mas não hoje: uma hora de ginásio sublima a agressão na combustão sem chama da respiração celular e ao escrever esta última linha na varanda, gozando o sol do entardecer, já os fumos se dispersam ao vento.

sexta-feira, julho 06, 2007

Assalto aos EUA

Ao ver o trailer do Die Hard 4.0 fiquei como que ofendido pela aparente traição ao modelo do huis clos. No trailer há cenas que se passam em ruas e viadutos, sob o céu. Fui ver o filme e tive de dar a mão à palmatória. O filme - desigual, melhor na bravata inicial e em derrapagem blockbusterizada para o fim - explora a claustrofobia de um país inteiro tomado refém. Espero que se apercebam de que John Hughes é o realizador ideal para o 5.0.

sábado, junho 23, 2007

Naco de Hoggart

They [the mass media] will flatter us that we live in a stable and sane society (which is an exaggeration)...

Hoggart, Richard (2005) Promises to Keep. Thoughts in Old Age. London & New York: Continuum, p. 28.

terça-feira, junho 19, 2007

Vendo o Heroes

Será um arquétipo ainda um arquétipo quando é conscientemente interpolado no texto? Tipos como Tim Kring ou George Lucas são demasiado bem lidos para fazerem as coisas de forma ingénua. No Heroes isso é bastante claro na personagem de Hiro, cujos apartes denotam uma reflexividade que é também necessariamente do autor. Será que produtores culturais demasiado conscientes de si próprios, informados por uma metanálise do campo, tendem para a cristalização ou, pelo contrário, cumprem requisitos de inovação? A pergunta é extensível a toda a actividade humana.

domingo, junho 17, 2007

Ota

Há um estudo particularmente pertinente que ainda se encontra por fazer: apurar a quem pertencem os terrenos mais beneficiados por cada uma das alternativas de localização do novo aeroporto. É o tipo de coisa que facilmente degenera num processo de intenções, mas também do mais elementar serviço público.

segunda-feira, junho 11, 2007

Iluminação

Talvez o sonho americano seja uma fraude em pirâmide, um esquema de desenvolvimento não sustentável no qual o rendimento do pessoal que entrou primeiro (e os primeiros de todos foram os WASP do Mayflower) só é possível a expensas dos novos entrantes. Cortem a imigração e a coisa desmorona como um castelo de cartas. Aliás, abram um processo contra o Estado americano num tribunal americano e terão o mesmo efeito.

segunda-feira, junho 04, 2007

infância e história


Era tão bom que a idade adulta estivesse já ali ao virar da esquina. Poupar o fascismo da infância e da adolescência. Do gozo obsceno dos fortes e da humilhação dos fracos.

The horror, the horror.....


Stephen King? John Carpenter? Filmes com o diabo? Esqueçam. Querem sentir medo? Leiam isto.

a paralaxe



A empatia é uma arma política brutal. Quem duvida que, acaso fossem os agentes do FBI os heróis, Tony Soprano seria um personagem detestável? Uma ligeira deslocação do olhar é quanto basta para mudar o mundo. Não, isto não é epistemológico. É ontológico.

sexta-feira, maio 25, 2007

Cores-de-Maio-quando-chove

Passo tanto tempo em frente a um ecrã que um prosaico passeio a pé adquire laivos de trip alucinogenada. Tudo o que encontro pelo caminho é exótico e as cores, em particular, são hiperreais na medida em que transcendem a paleta que naturalizei.

domingo, maio 13, 2007

A reprodução social numa casca de noz

Pérola ouvida no Basta ao irmão de um amigo: «Gosto muito de casas assim. A minha família tinha algumas». Sabia, porque não o podia ignorar, que a família tinha pergaminhos. Nunca tinha era considerado que entre estes poderia estar o papel-moeda. O uso do pretérito nesta frase-chave pode sugerir que a reprodução cultural foi mais bem sucedida do que a económica. A imperfeição do pretérito qualifica essa sugestão.

quarta-feira, abril 25, 2007

perdido de volta



Da badana:

Miguel Gullander é um jovem escritor português de origem sueca. Traduziu, do sueco para o português, as sagas viking, e, a partir do inglês, poesia zen. Foi professor de português na Ilha do Fogo, em Cabo Verde, e na capital de Moçambique, Maputo, estando actualmente a residir em Benguela, Angola, como docente da Universidade Agostinho Neto. Neste romance, aproveita o seu profundo conhecimento do imaginário viking e da fi losofi a zen, bem como a sua vivência em África e na Índia, para nos arrastar através de uma viagem alucinante entre o Fogo, Lisboa e Mumbai. Eis um romance capaz, como poucos, de abalar convicções e de destruir ideias feitas. Cruzam-se, nestas páginas, vidas muito diferentes: uma aeromoça, já não tão moça assim; um professor de português em África; um especialista em desenvolvimento; um dealer; um velho pedófi lo. Num perturbador jogo de espelhos, todos eles se reencontram noutras vidas, noutros destinos, noutras geografi as, vítimas do grande Maelström (o remoinho gigante das lendas escandinavas), que tudo suga e dispersa. Perdido de volta romance absolutamente original no panorama da literatura em língua portuguesa, anuncia um nome que importa fixar: Miguel Gullander.

José Eduardo Agualusa

terça-feira, abril 10, 2007

Pearls Before Breakfast, artigo do Washington Post

Este fantástico artigo do Washington Post não é apenas o mais notável trabalho jornalístico de que tenho memória, como também constitui um desafio exemplar à ciência social irrelevante e enfadonha à qual nos tendemos a acomodar.

sexta-feira, março 23, 2007

Grandes Portugueses - A Sabedoria do Autocarro Telefónico

A Marktest admitiu como passageiro no seu autocarro telefónico a pergunta "quem foi o melhor português de sempre?", ou coisa que o valha. Para verem os resultados, cliquem no título desta posta.

Antes de mais, note-se que a Marktest telefonar para casa das pessoas e as pessoas telefonarem para a RTP são duas coisas totalmente distintas, razão pela qual tenho a maior dificuldade em aceitar que estes resultados sejam bons preditores do desfecho do concurso "Grandes Portugueses".

Dito isto, D. Afonso Henriques ganha com considerável vantagem, o que me parece meramente lógico, visto que o primeiro português é condição necessária de todos os demais e, como tal, causa de qualquer grandeza subsequente.

Mas há mais e mais interessante: as figuras polémicas da história contemporânea associadas a projectos totalitários rivais são cada vez mais escolhidas à medida que a classe social dos inquiridos decresce, passando-se o inverso com as figuras históricas da época de áurea e com Aristides de Sousa Mendes, que surge em oitavo para o povo mas em quarto para as elites. Curiosa também a clara feminização da apreciação por Pessoa.

sábado, março 17, 2007

O humor contra o nazismo

De há uns dias a esta parte que me preocupa a aproximação da estreia da insidiosa peça de propaganda criptonazi que será certamente a adaptação cinematográfica da novela gráfica 300, de Frank Miller. Como lidar com uma coisa destas sem lhe aumenar a saliência e, por consequência, o efeito? Talvez pelo ridículo. Andava já a pensar em escrever aos Gato Fedorento sugerindo-lhes que o fizessem quando uma amiga me chamou a atenção para esta crítica do Guardian (clicar no cabeçalho). Sinto-me um pouco mais aliviado.

quinta-feira, março 15, 2007

Asneira

A segunda lei da termodinâmica é aplicável a si mesma quando a confundimos com a terceira. Nessas circunstâncias o caos interno do sistema decididamente sobe. Claro que se fomos nós próprios a entropiar desta forma, em público, e a disso nos apercebermos espontaneamente, em privado, uns minutos depois, a coisa torna-se legível através do conceito de lapso freudiano. Tendo assim entrado num jogo de analogias entre psicanálise e física, para o qual não disponho de qualificações mínimas em qualquer das vertentes, rapidamente me ocorre acoplar o Thanatos e a segunda lei. Googla-se a coisa e dá bingo. Anamnese? Processo inconsciente? Prefiro as reverberações políticas da segunda alternativa. Ou melhor, não as conheço mas rejeito as da primeira, que são de platonismo e, como tal, inscritas no eixo do mal: licurgo-esparta-fascismo.

quarta-feira, março 14, 2007

O Lobo

O mais importante galardão da literatura em língua portuguesa - prémio Camões - vai para António Lobo Antunes que afirma simplesmente "fico contente por se lembrarem de mim".

Outra boa questão

Qual a credibilidade de um misarca ungido pela hierarquia, de um rebelde entronizado pelo status quo?

quarta-feira, março 07, 2007

Parabéns RTP, nesta data querida...

A Rádio Televisão Portuguesa faz hoje 50 anos. Ao fazer um zapping pelos muitos canais que existem cá em casa - 4 - detive-me na festa que o canal 1 oferece hoje às muitas personalidades que por lá passaram e fizeram a sua história.

Não resisti à tentação de rebuscar as minhas memórias em busca da mais antiga e, lá estava ele, encantando-me com bonecos estranhos e mágicos. Sim, ele mesmo, a rtp, para mim, nasceu com o Sr. Vasco Granja. Obrigada RTP.

segunda-feira, março 05, 2007

Do livre e servo arbítrio; da ciência e da literatura; das duas ambiguidades

Estive na sexta-feira a assistir a uma conferência na qual uma vez mais se procurava atingir algum equilíbrio entre os papéis da estrutura e da acção nos modelos das ciências sociais. A apologia da acção parece-me eivada de romantismo: a preocupação com a dignidade da pessoa humana, o cuidado em conferir-lhe o estatuto de sujeito e negar-lhe o de objecto, a ansiedade que transparece face às implicações éticas e políticas do determinismo... tudo isto revela de um projecto que é antes de mais político e só por acaso epistemológico.

Ora, eu revejo-me nesta coisa política mas impingi-la no quadro teórico e metodológico do que se quer uma ciência seria patético se sincero. Só não o é porque o partido da acção nem sequer quer uma ciência: quer literatura. O que é legítimo. Eu próprio me figuro como tendo mais queda para a literatura do que para a ciência. O que está errado é querer fazer literatura ao abrigo do prestígio e dos financiamentos da ciência. Há um campo literário semi-autónomo com oportunidades e recompensas específicas. Quem quiser fazer literatura, que o tente em sede própria.

É certo e sabido que, em termos de génese histórica e de recrutamento social, as ciências sociais se posicionam entre a ciência e a literatura. O partido da acção é claramente de tal forma pró-literário que dificilmente aceitará sequer o rótulo "ciência". Não é difícil adivinhar que provas específicas terão feito para aceder à universidade ou que fazem parte da vasta maioria de alunos do secundário cuja motivação na escolha da via de ensino foi, antes de mais, o horror sagrado à matemática. Enfim, não lhes invejo as ambiguidades.

Por outro lado, como tomar o partido da estrutura sem cair no maquiavelismo mais crasso, sem pôr e dispor dos outros como peões? Talvez Orwell estivesse errado ao associar o duplipensar ao totalitarismo. Talvez duplipensar de modo a conciliar ser-se partidário do determinismo da estrutura em ciência e do livre arbítrio da acção em política e ética privada seja afinal a mística terceira via que através do paradoxo leva à virtude.

domingo, março 04, 2007

Sir Connery

Este homem é uma caixinha de surpresas. Mais um para acrescer a lista dos motivos pelo quais ele é um homem muito apreciado... Sean Connery no concurso para Mister Universe

sábado, março 03, 2007

Dois sins

Sim, Paulo Moita Macedo tem prestado um serviço excepcional e sim, deve sair se é a remuneração mais do que - já nem digo o igualitarismo - o patriotismo a motivá-lo a servir.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

The Lives of Others - Rotten Tomatoes

The Lives of Others - Rotten Tomatoes
Está bem fresco! Afinal, este filme fenomenal acabou de ganhar o óscar para melhor filme estrangeiro e já havia ganho 3 prémios do Cinema Europeu, a saber, Melhor Filme, Melhor Actor e Melhor Argumento, para além do prémio do Público nos festivais de Locarno e Vancouver.
A não perder.

sábado, fevereiro 24, 2007

Roupa Nova

O BARdoTODOL abre portas vestido de primavera, antecipando-a. Sejam bem-vindos.

Globos de Ouro 2007

A frase: "2,2 million people stopped the major city in Europe to make a queen return; what do we have to do when it's really important...?"

terça-feira, fevereiro 20, 2007

toma lá musica: Koop

Desde que os ouvi em Madrid o ano passado, não mais os larguei. Um must.

Da atribulação à atribuição

Alguma atribulação na migração do blog para uma conta Google resultou na atribuição à minha persona de todos os posts antigos da Promethea. Contamos ser breves na resolução destas dificuldades técnicas. Retomaremos a emissão dentro de momentos.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Refresco


Desculpa lá Anita, mas está mais do que na hora de baixar o teu índice de popularidade neste blog. O novo ano entrou e vamos começar a agitar estas águas.
Acho que estamos a precisar de um refresco....

sexta-feira, novembro 03, 2006

Medeia Card - A Prairie Home Companion - Bastidores da Rádio

Um espectáculo da rádio encenado num teatro e projectado no cinema.
As perdas que os ganhos dos tempos modernos arrastam!
Elenco de luxo e banda sonora espectacular. Traz à memória os jingles publicitários e lembra até algo que não pensei vir a recordar com saudade, os Parodiantes de Lisboa. Tudo isto envolvido num registo cómico de “film noir”, em que um dos protagonistas (e narrador) desempenha o papel de detective falido. A coisa vai mais longe com o trocadilho do nome desta personagem: Guy Noir.

Gostei muito!
****

Medeia Card - Marie Antoinette

Durante o filme Marie Antoinette vi, por breves segundos, um par de ténis All Star misturados com uma série de sapatos do século XVIII que a rainha ia experimentar. Das pessoas que estavam comigo ninguém apanhou a cena. Perguntei a outras que tinham ido ver o filme e também ninguém viu. Cheguei a pensar que tudo não passava de uma alucinação fruto da amálgama de cenários da corte francesa harmonizados com músicas new wave/ neo-romantic de bandas como o New Order e Bow Wow Wow. Mas afinal a cena é real, está lá:
"Anachronisms: In the scene where Marie Antoinette is going through her shoes while preparing for a big party you see a pair of Converse All Star 1923 Chuck Taylor basketball shoes for about one and a half seconds." (in http://imdb.com/title/tt0422720/goofs)
Gostei dos cenários, achei a música especatular e a actuação da Kirsten Dunst, é como habitualmente, boa! Do filme, gostei, não adorei!
***

Do King Card ao Medeia Card

Em Março ou Abril de 2005 comecei neste blog uma rubrica intitulada King Card. Nela falava dos filmes que tinha visto com o "passe de quem não passa sem cinema" e opinava acerca deles. Entretanto, dada a frequência com que comecei a ir ao cinema deixei-me disso. Tinha lá tempo para escrever acerca das dezenas de filmes que um ano e tal de Kingcard me havia proporcionado! Vi tanto filme, bons e maus!

Agora, para mim, acabou-se o King Card. Zangaram-se as comadres e tive que optar entre as óptimas salas de cinema do Alvaláxia e os filmes que quero ver no King, Monumental e Residence (são estes que visito, sobretudo!). Optei pelos filmes e sou agora titular do Medeia Card. Assim, durante algum tempo vou voltar a falar de filmes. Desta feita numa rubrica intitulada Medeia Card.

quinta-feira, novembro 02, 2006

À descoberta das Ilhas Koop

Fomos a Madrid na sexta assistir à conferência do Eurobarómetro (o que só por si daria azo a uma posta de prosa) e ficámos para o fim-de-semana. Aproveitámos para comprar uns trapitos no mercado de Fuencarral e a minha cara-metade (só privilegiados têm ouvido igual ao seu, eu possuo apenas o que Deus me deu) apanhou uma melodia no ar, entrou na discoteca e pediu o CD. Temo-lo ouvido on repeat ever since. É só clicar no título desta posta para soltar amarras...

segunda-feira, outubro 30, 2006

The joke is on me

Acabo de ser fulminado por uma iluminação. O meu monólogo interior fluía como usual, fustigando alguns colegas pela sua reverência a mestres gnómicos (no sentido de crípticos ou obscuros). Ocorreu-me então que mestre gnómico, só admitia um: Yoda! Pensei então que Yoda não merece verdadeiramente o apodo, que é até mesmo bastante inteligível. Podia ter passado ao lado da verdade mas entretanto luziu em mim o entendimento: YODA É UM GNOMO. Acabei por ter de concluir que a própria personagem Yoda é uma piada antropomórfica (gnomomórfica) acerca de mestres gnómicos, uma piada que me havia fitado olhos nos olhos durante a maior parte da minha vida e que eu até hoje tinha sido demasiado tacanho para entender. Pontuação final: George Lucas - 1, Frater Caerulus - 0.

terça-feira, outubro 24, 2006

Como falar de intencionalidade sem sujeito; de estratégia sem estratega?

Dreyfus, Hubert e Paul Rabinow (1983) Michel Foucault: Beyond Structuralism and Hermeneutics. Chicago: The University of Chicago Press, p. 187, tradução minha.

quinta-feira, outubro 19, 2006

"When we eat whale, we don't eat it to enjoy. We eat it to remind us who we are." diz-nos um mestre-escola Islandês citado pelo Guardian.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Charles Hoy Fort, epistemólogo supremo cujo cepticismo excede mesmo o de uma comissão de inquérito do Vaticano, não tem sido suficientemente celebrado pela elegância da sua prosa. Bem haja.

Grande

Só o Contrainformação oferece paralelo à entrevista de Alberto João Jardim à Média XXI. O rei vai mesmo nú e estas são vozes autorizadas a dizê-lo.

segunda-feira, outubro 09, 2006

I beg to differ

Notas avulsas sobre Lady in the Water. Amo o huis clos de John Hughes a John McClane. Parece-me inquestionável a mestria com que foi fotografado e montado. As performaces são uniformemente boas. O casting é perfeito e chega mesmo ao ponto de incluir o melhor actor do mundo: Jeffrey Wright (acho piada que se tenha em boa conta canastrões que se levam a si mesmos de papel em papel [the name Nicholson comes to mind]; nas personagens de Wright não há qualquer resíduo de Ego, não há sequer um ar de família que as una; é certamente isso ser actor). Que mais? A história é de embalar. Alguém estava à espera do Ace in the Hole?

segunda-feira, outubro 02, 2006

Obra de juventude

Fiz este mapa há uns anos atrás. Tinha-o esquecido. Encontrei-o hoje online. Pareceu-me vagamente familiar mas não o reconheci como meu até ler a legenda. A memória é estranha, se possível.

Mais números negros à Portugal

E depois só vejo gente preocupada com questões trendy como a etnicidade, o género ou a orientação sexual. E a miséria, porra? E a boa velha classe social? São factos da natureza?

sábado, setembro 30, 2006

Posta das 'Confissões de um Artista da Treta'

She was glad to have me baby-sit and play with the girls, but she did not approve of my mixing into the continual quarrels that the girls had with each other. She had always simply let them fight it out, but I soon saw that the older girl, being more advanced intellectually and much heavier physically, always won. (…) The household was pervaded by this atmosphere of a calm adult woman and a man who gave in to his animal impulses. (…) And this, too, Charley tended to accept, because first of all he wasn’t as quick with his tongue as she – and, in the final analysis, he imagined that since she was more intelligent and educated than he then she must, when they disagreed, be right.

Dick, Philip K. (2005 [1975]) Confessions of a Crap Artist. London: Gollancz, pp. 74, 77 e 79-80.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Marcos 10, 43-44

Depois de Maria Madalena, Binoche oferece-nos agora em Alguns Dias em Setembro uma actuação ela própria cristã, na medida em que verdadeira distinção significa serviço. A Ayn Rand é que havia de odiar.

terça-feira, setembro 19, 2006

A Dália Negra

Evelyn Mulwray: She's my daughter.

[Gittes slaps Evelyn]

Jake Gittes: I said I want the truth!

Evelyn Mulwray: She's my sister...

[slap]

Evelyn Mulwray: She's my daughter...

[slap]

Evelyn Mulwray: My sister, my daughter.

[More slaps]

Jake Gittes: I said I want the truth!

Evelyn Mulwray: She's my sister AND my daughter!

Robert Towne, Chinatown


Fui ontem à antestreia. Que aprendi? Temo que pouco. Tem bons valores de produção mas é um pastelão. De resto, era escusado demonstrarem-nos, como De Palma parece empenhar-se em fazer, que a Swank é muitas vezes a actriz que a Johansson poderá ser, escusado maximizar a assimetria. Enfim, nem filha nem irmã: enteada.

quarta-feira, setembro 13, 2006

segunda-feira, setembro 11, 2006

23%

É a percentagem de professos católicos (com 15 e mais anos) com prática dominical. Acabo de fazer as contas combinando informação do recenseamento geral da população, da responsabilidade do INE, e do recenseamento da prática dominical levado a cabo pela Igreja Católica.

sábado, setembro 09, 2006

Vim no carro a ouvir o original de «Making plans for Nigel». É difícil exagerar um elogio à imaginação musical que permitiu aos Nouvelle Vague extrair ouro de tão infecta porcaria.

quarta-feira, agosto 30, 2006

sábado, agosto 26, 2006

quinta-feira, agosto 17, 2006



Vi ontem A Batalha de Argel. Cheguei ao filme via John Milius, que numa entrevista diz que a Batalha e The Searchers são o supra-sumo da barbatana. Pergunto-me porque há tão pouco bruá acerca do filme. Sobretudo hoje.

sexta-feira, agosto 11, 2006

quarta-feira, agosto 09, 2006

264.978

Beneficiários com processamento do Rendimento Social de Inserção em Junho de 2006.