segunda-feira, novembro 15, 2004

Mais comida para o pensamento

Estimulada pelo mistério da cidade perdida, pela busca incessante de que tem sido alvo, pela curiosidade e sede de conhecimento, parti em busca d'"O significado das coisas" e descobri um senhor chamado Grayling.
Deixo-vos um excerto do livro versando sobre a excelência:

"Quando Matthew Arnold escreveu Culture and Anarchy, há mais de cem anos, definiu a procura da excelência no apoio à cultura como «chegar ao conhecimento, no que concerne todos os assuntos que mais nos interessam, do melhor que foi pensado e dito no mundo, e, através deste conhecimento, deixar fluir o pensamento novo e livre sobre as nossas noções e hábitos comuns». Matthew Arnold era inspector das escolas, um grande defensor do ensino superior, e acreditava na excelência do ensino como forma não apenas de prover a economia de pessoal habilitado como também de produzir uma sociedade culta que pusesse em prática o ideal referido na máxima aristotélica acerca da utilização culta do nosso lazer.

Da China à França, todo o país que é ou aspira a ser desenvolvido tem um estrato educacional de elite que visa receber os estudantes mais dotados e oferecer-lhes a melhor formação intelectual possível. Na China, isto é feito desde tenra idade, havendo escolas especiais para as crianças mais inteligentes. Na França, o sistema das Hautes Écoles — universidades superiores o acesso às quais é ferozmente competitivo — selecciona os espíritos excepcionais e submete-os a uma disciplina rigorosa. Em todos os casos, o objectivo é realçar os melhores, por forma a obter a melhor qualidade nos domínios da ciência, da engenharia, do direito, na administração pública, na medicina e nas artes.

Poucas pessoas poderão colocar objecções à base racional que se encontra por detrás disto. Exceptuam-se aquelas para quem a mediocridade universal constitui um preço que merece a pena pagar pela igualdade social. Mas há um perigo em que os meios meritocráticos para o cultivo da excelência podem incorrer: é como se, após o estabelecimento dos meios, o mérito, por si só, deixe de bastar, assumindo-se o dinheiro e a influência como critérios suplementares. Em muitos dos países do mundo — talvez a maioria —, o dinheiro e a influência são determinadores da progressão social, mesmo nos locais onde vigoram igualmente os critérios meritocráticos: na América, é necessário dinheiro para se obter vantagens sociais; na China, ajuda ser membro do Partido.

Os ricos e bem relacionados não constituem o tipo de elite que um sistema educativo deveria encorajar. É fácil, para os jornais sensacionalistas e os políticos populistas, fazer uso pejorativo do termo «elite» para designar estas elites da injustiça — mas estes são igualmente rápidos a criticar os médicos, professores ou desportistas representantes do país que não correspondam às nossas maiores expectativas — se, em suma, eles não se revelarem, afinal, uma elite, no sentido correcto do termo.

Embora existam poucas — a existirem algumas — democracias verdadeiras no mundo (a maior parte dos sistemas que reivindicam este título são oligarquias electivas), o espírito democrático, apesar disso, perpassa a vida ocidental, para o bem e para o mal. O bem reside na pressão que é feita no sentido de se tratar todas as pessoas de forma justa; o mal reside na pressão que é feita no sentido de tornar todas as pessoas idênticas. Este último constitui uma tendência de nivelamento, uma impulsão para baixo, à qual a excelência desagrada porque ergue montanhas onde o espírito democrático-negativo apenas deseja ver planícies. Mas a democracia não devia ter como objectivo reduzir as pessoas e os seus feitos a um denominador comum; devia visar elevá-las, ambiciosa e drasticamente, até tão perto quanto possível de um ideal. E isso significa, entre outras coisas, ter instituições, especialmente de ensino, que sejam as melhores e mais exigentes do seu género."


Nota: Sobre a incongruência entre o discurso teórico e a acção prática veja-se a produção legislativa e as acções que dela resultam.

sábado, novembro 13, 2004

Trovão, mente perfeita

Versão librérrima:

É com assombro que me olham. Olham-me com soberba.
Porque sou a melhor e a pior,
Venal e incorruptível,
Mãe e virgem,
Frívola e frutuosa.
Sou silêncio ininteligível
E a permanência do fluxo.

Fantino

Descobri esta música de Sebastien Tellier na banda sonora do Lost in Translation. Quis partilhá-la convosco.

sexta-feira, novembro 12, 2004

Tout le monde

Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a l'âme emmêlée,
Tout le monde a de l'enfance qui ronronne,
Au fond d'une poche oubliée,
Tout le monde a des restes de rêves,
Et des coins de vie dévastés,
Tout le monde a cherché quelque chose un jour,
Mais tout le monde ne l'a pas trouvé,
Mais tout le monde ne l'a pas trouvé.

Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités,
Une loi contre toute notre solitude,
Que personne ne soit oublié,
Et que personne ne soit oublié

Tout le monde a une seule vie qui passe,
Mais tout le monde ne s'en souvient pas,
J'en vois qui la plient et même qui la cassent,
Et j'en vois qui ne la voient même pas,
Et j'en vois qui ne la voient même pas.

Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités,
Une loi contre toute notre indifférence,
Que personne ne soit oublié,
Et que personne ne soit oublié.

Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a une âme emmêlée,
Tout le monde a de l'enfance qui résonne,
Au fond d'une heure oubliée,
Au fond d'une heure oubliée.

Carla Bruni

Ao Frater Caerulus


Conan & Lana
Originally uploaded by Promethea.

Desaparecido faz tempo...

quinta-feira, novembro 11, 2004

DESINTERESSE. Proponho este tema a debate.
Noam Chomski dixit: 'a maioria da população americana é mais à esquerda que os dois partidos'. Que fazer? Escolher o mal menor que para muitos é a abstenção...

terça-feira, novembro 09, 2004

Hoje senti-me recompensada por lutar contra moinhos de vento. Há esperança.

Moda - do Fr. mode < Lat. modu, modo, maneira

...
forma passageira e facilmente mutável de se comportar e sobretudo de se vestir ou pentear;
...


Acabo de ver uma pequena entrevista feita ao nosso primeiro ministro no evento Moda Lisboa. Falava sobre moda. Não percebi nada do que disse. No entanto pareceu-me familiarizado com o ambiente. E esta imagem trouxe-me à lembrança um terrível paralelismo entre a moda e a política.
Actores que vestem e despem estilos com agilidade, desfilam nos palcos à espera de serem vistos e pousam para os fotógrafos como que numa feira de vaidades, sorriem às luzes da ribalta que se apagam nos bastidores e exibem imagens que desvanecem com desmaquilhantes... sobretudo fachada. Fachada de algo que está para além do que sabemos ou julgamos saber.
Eu não quero pensar assim, resisto a pensar que a política é dos outros e para os outros. Espero que isto tenha sido uma breve e estúpida ideia, mas tê-la tido fez-me reflectir e partilhar convosco. Vá lá, convençam-me do contrário!!!
Visto: 'A melhor juventude' - prima volta. É magní­fico!

domingo, novembro 07, 2004

Eleições Americanas

Queria ter feito este post mais cedo mas por problemas de acesso fui obrigado fazê-lo apenas hoje.
Mas como diz o ditado:"Há males que vêm por bem"... pois agora estou em posição de o fazer depois de um periodo de reflexão associado ao alimentar da minha própria idea por outras opiniões.
Ora aqui vai:

Estava um homem todo nu numa praia deserta com um faca no bolso, a ler um jornal sem letras à luz de uma vela apagada e pensava para com os seus botões que não tinha: "Por aquela parede acima vai um caracol a descer".

Wanna play?



Originally uploaded by Promethea.

Sure do mister, sure do.

...e praia também.
Atesto que a sesta é revigorante.

sábado, novembro 06, 2004

Há que explicar as pessoas para onde vai e para que serve o dinheiro que confiam ao estado. Tal seria precioso na clarificação de valores.

sexta-feira, novembro 05, 2004

A tralha

Todos nós, num momento ou noutro na nossa vida, paramos para olhar à nossa volta e esclamar: "tanta tralha"!
Pois é, os problemas começam quando esse momento ou outro se repete com alguma frequência. To make a long story short, my friends, eu tenho um dom.
Para além de tralha generalista,tenho a minha especialidade : revistas, folhetos, jornais, relatórios, artigos e demais papeis com volume; também marcham dossiers, capas plásticas, caixas, canetas, e demais bugigangas, office related.
Entram, acomodam-se, reproduzem-se e mofam!
Sou uma tralha-dependente. Preciso de ajuda. Literalmente. Aceitam-se voluntários para rasgar, empacotar e descarregar no papelão.

Democracia


People are the power.
Votes give power.
Bush has the power.
So be it.

Crises de Liderança

Yasser Arafat em coma
Fidel não vai para novo
José Manuel Barroso presidente eleito da Comissão Europeia
Sílvio Berlusconi perde ministros para a Comissão Europeia
George W. Bush reeleito
Santana Lopes primeiro ministro
Che Guevara morto

quinta-feira, novembro 04, 2004

O homem a quem parece que aconteceu não sei que...

Muitos de vocês serão tão fans dos gato fedorento como eu.. ou seja, acham piada a uma cenas e não ligam à maioria.
No entanto uma das mais famosas e que se encaixa quase como algumas minutas de reuniões se fossem reproduzidas na integra:
Meu amigo, isto o que aconteceu foi muito simples, meu amigo!
O que aconteceu é que eu chego aqui e sou logo confrontado com certas de determinadas situações... hã?!
E eu digo:
- Atão mas como é que é?
E os gajos:
- Á e tal...
E eu:
- Á e tal não!... Á e tal não!... Atão eu venho lá de baixo e dizem-me que não sei quê, chego cá acima afinal parece que não! Em quê que ficamos?
E os gajos:
- Á não sei que mais e o camandro...
E eu:
- Mau!.... queres ver que a gente tem de se chatear? Porque isto não pode ser, eu sou um gajo que está aqui a trabalhar; eu quero trabalhar... hã... e sou... e dizem-me... como eu aqui ouvi, dizem-me "á não sei quê"... mas qu'ê isto? qu'ê isto?
Isto não se faz!... porque eu sou um gajo que dou-me bem com toda a gente.. sim senhor... dou-me bem, por mim tá tudo bem e fazem-me isto!!! E há gajos que andam pr'ái, fazem trinta por uma linha, e.. e depois passa tudo.. "incólume"... que é coisa que eu não percebo.
É que eu assim não venh... deixo de vir aqui, vou fazer a minha vida para outros sitios. Sitios onde inclusivamente malta me diz:
- É pá e tal, sim senhor...
E é para lá que eu vou! Deixo de vir aqui pá! hã?...
Porque quando eu vejo que há ai palhaços,pá, que falam falam, falam falam, falam falam, pá, e eu não os vejo a fazer nada, pá!.... fico chatedo, concerteza que fico chateado, pá! Tá a perceber?
Ah(ê)!

Não, não sou o única...

e tu também não Anadil.
Na vasculhadela matinal pelas blogo-feras encontrei este post.
Acordei com violinos e luz.
Há esperança.

quarta-feira, novembro 03, 2004

terça-feira, novembro 02, 2004

Votar ou nao votar, eis a questão


Bonnie & Clyde
Originally uploaded by Promethea.

Hummmm, yep, i'm tempted...

Votos são poder e dão poder


Votes
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Que o digam os eleitores americanos que tem nas mãos aquela que já foi apelidada da escolha mais importante e vital dos últimos tempos, cujo desfecho será sempre - dizem - apocalí­ptico.
Eu que nada sei destas matérias, que pouco ou nada li sobre o assunto, sou de opinião que estas eleições vão marcar o início de uma nova era, de um novo paradigma. Não pelo seu valor intrínseco, mas pela queda que representam do paradigma actual.

É dia de mosh

Vamos lá, terra dos bravos e lar dos livres:
Surpreende-nos.

segunda-feira, novembro 01, 2004

quinta-feira, outubro 28, 2004

Estupefacção

Obrigado Hamanuke pela comida para o pensamento.

Assistimos impávidos, conformados,de braços caídos e olhos postos no chão....
Demitimo-nos da nossa responsabilidade individual na edificação do processo democrático....
Perdemos (será que algumas vez o adquirimos?) o sentido crítico e viramo-nos para a maledicência...
Queixamo-nos de tudo e de nada e vamos tendo cada vez mais pena de nós....
Não vemos sentido no fazer seja o que for por algo que reputamos de verdadeiramente mau....
Vamo-nos convencendo da inevitabilidade do nosso fado desgraçado e suspiramos pela vinda de um qualquer sebastião que nos venha retirar da letargia em que nos deixamos meter...
...........Yo!
Não fazer nada não é alternativa a coisa nenhuma.

terça-feira, outubro 26, 2004

Lido


"Publicamos para não passar a vida a corrigir rascunhos. Quero dizer, nós publicamos um livro para nos livrarmos dele". J.L.Borges

Pensamento

Therapy helps, but screaming obscenities is cheaper.

Vi, registei e...gostei.

O Campeonato Nacional da Língua Portuguesa anda à solta em território nacional - daí, provavelmente, que se apelide de nacional. Congratulo a iniciativa. Mas, a meu ver, devia ganhar asas e sair para além fronteiras, para todos os cantos do mundo onde ainda se fala a língua portuguesa.

E na Tugalandia

diz-se que o governo nega opção nuclear . Uf! Desta já nos "safemos".

Para os amantes de chá

Pesquisa sugere que beber regularmente uma chavena de chá pode contribuir para melhorar a memória.
Notícias destas são verdadeiramente "my cup of tea".

Bom dia :-)

Ao gang do Todolandia.
Isto tem estado parado. Uma tirada aqui e ali, mas sem grande consequência.
Bora lá agitar este bar!

domingo, outubro 24, 2004

A sorte das grandes superfícies está ligada ao modelo de desenvolvimento do território a ser seguido no futuro. A centralização favorece-as do mesmo modo que a descentralização as inibe. Se o diagnóstico acerca da morte da localização fôr correcto, então este será já o seu ocaso.

Pela minha parte, small is beautiful.

Entrevista a Jonas Llander no MSN

Jonas Llander: eu sou um conservador de traumas de estimação
Jonas Llander: que provocão o meu anarquismo
Jonas Llander: se deixar de ter culpa
Jonas Llander: deixo de ser rebelde

sábado, outubro 23, 2004

Nem tradição secreta nem sucessão apostólica

As consequências políticas do Gnosticismo e do Catolicismo são as mesmas.

A liberdade de escolher entre um e outro é a liberdade de escolher entre Coca e Pepsi.

sexta-feira, outubro 22, 2004

"Os professores colocados com horários zero podem passar a assessorar os juizes este ano".

Poderia também ser uma ideia os professores passarem a assessorar os ministros e dirigentes da administração pública. Assim, não só teriam muitíssimos lugares para ocupar como o contribuinte não teria que custear os ordenadinhos chorudos das dezenas de “boys” que entram e saem conforme o amiguinho que está no poder.

Penso que a forma mais elegante de o governo se livrar da estupefacção provocada por esta notícia era dizer que a mesma provinha do Inimigo Público.

Eça de Queirós -> Marcelo Rebelo de Sousa

Por entre o silêncio e as meias palavras lá se vai sabendo ou especulando mais um pouco.

Eis algumas citações de Eça que o professor escolheu alusivas à actualidade de "As Farpas" (Eça de Queirós e Ramalho Ortigão)

«O homem de mais recto juízo não se atreveria declarar-se publicamente tal qual é. Recearia comprometer-se. (...) Comprometer-se quer simplesmente dizer: que os ministros nos demitam dos nossos empregos, que os centros políticos nos expulsem, que os partidos nos reneguem.»;
«O ministério, o poder executivo, deixou de ser um poder do Estado, é uma necessidade do programa constitucional. (...) Não governa, não tem ideia, não tem sistema; não reforma, nada estabelece; está ali, é o que basta.»

quarta-feira, outubro 20, 2004

'Dawn of the Age of Mercury' ou 'Hearsay & Wishful Thinking'

Nos últimos dias tenho estado demasiado exausto para blogar.
Espero que agora as coisas melhorem.

Alguém me dizia há tempos que o cinema é a quinta maior indústria dos Estados Unidos. De outra pessoa ouvi algo que, espremido, dava qualquer coisa como:

Democratas = lobby das farmacêuticas

Republicanos = lobby das armas

Penso que se Bush fôr corrido a vitória não será tanto de Kerry como de Moore, Springsteen e companhia, ou seja, as farmacêuticas apenas ganharão pela coligação com as indústria de conteúdos culturais. Ainda não reflecti aprofundadamente a este respeito mas intuo que, apesar de tudo, estas podem ser boas notícias.

Afinal, não há negócio como o do espectáculo.

terça-feira, outubro 19, 2004

Shots

No rescaldo da apresentação do orçamento de estado 2005, o editorial do
Diário Económico é dedicado à sesta do P.M..

quinta-feira, outubro 14, 2004

Heraclito -> Camões -> José Mário Branco

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

E se todo o mundo é composto de mudança
troquemos-lhe as voltas,
que inda o dia é uma criança

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

Mas se todo o mundo é composto de mudança
troquemos-lhe as voltas,
que inda o dia é uma criança

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.

Mas se todo o mundo é composto de mudança
troquemos-lhe as voltas,
que inda o dia é uma criança

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Mas se todo o mundo é composto de mudança
troquemos-lhe as voltas,
que inda o dia é uma criança

Parménides -> Hupfeld -> Sinatra

[This day and age we're living in
Gives cause for apprehension
With speed and new invention
And things like fourth dimension.
Yet we get a trifle weary
With Mr. Einstein's theory.
So we must get down to earth at times
Relax relieve the tension

And no matter what the progress
Or what may yet be proved
The simple facts of life are such
They cannot be removed.]

You must remember this
A kiss is just a kiss, a sigh is just a sigh.
The fundamental things apply
As time goes by.

And when two lovers woo
They still say, "I love you."
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by.

Moonlight and love songs
Never out of date.
Hearts full of passion
Jealousy and hate.
Woman needs man
And man must have his mate
That no one can deny.

It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die.
The world will always welcome lovers
As time goes by.

Oh yes, the world will always welcome lovers
As time goes by.

sábado, outubro 09, 2004

Por favor, tentem compreender: não tenho escolha senão bater-me pelo livre arbítrio.

sexta-feira, outubro 08, 2004

Disse um espectador de outros tempos...

...algo que ainda hoje se nos aplica.

"(...) Que resta pois? Resta, como esperança, o sabermos que as nações têm a vida dura, e que o nosso Portugal tem a vida duríssima. E se os que estão no poder porfiarem sempre em cometer a menor soma humanamente possível de erros e realizar a maior soma humanamente possível de acertos, muitos perigos podem ser conjurados e a hora má adiada. O interesse de quem tem o poder (como dizia ultimamente, nestas mesmas páginas, tratando do Brasil, o Sr. Frederico de Sá) está todo e unicamente em acertar. Senão já por dever de consciência e de patriotismo, ao menos por egoísmo, por vantagem própria e individual, por ambição mesmo do poder, o esforço constante de um governo deve ser acertar. Entre nós têm-se visto governos que parecem absurdamente apostados em errar, errar de propósito, errar sempre, errar em tudo, errar por frio sistema. Há períodos em que um erro mais ou um erro menos realmente pouco conta. No momento histórico a que chegamos, porém, cada erro, por mais pequeno, é um novo golpe de camartelo friamente atirado ao edifício das instituições; mas ao mesmo tempo tal é a inquietação que todos temos do futuro e do desconhecido, que cada acerto, cada bom acerto, é uma estaca mais, sólida e duradoura, para esteiar as instituições, Toda a dúvida está em saber se ainda há, ou se já não há, em Portugal, um governo capaz de sinceramente se compenetrar desta grande, desta irrecusável verdade."

Eça de Queirós in «Revista de Portugal»

quinta-feira, outubro 07, 2004

Outro naco de Vineland (p.252)

"They arrived at the fence, about where the maps said it would be, well before dawn, during the hour of the rat, when the body sleeps deepest even if awake, still following the same cycle, most vulnerable."

Thomas Pynchon (2000) Vineland. Vintage, London.

Michael Moore procurado pela justiça

Por fim, os republicanos resolveram dar esse gosto às Cassandras que predisseram que algo de mau acabaria por acontecer ao cineasta.

quarta-feira, outubro 06, 2004

A voz do mundo

Bom dia :-)

Deixo-vos a referência para The world's voice, the world's vote.
Neste site vota-se desde 1 de Setembro de 2004 até 2 de Novembro de 2004 nos candidatos às presidenciais dos Estados Unidos da América.
Vale a pena dar uma vista de olhos.

domingo, outubro 03, 2004

Musas, daimones, vozes. Outras leis da entropia.

Também a nossa existência intelectual é vivida a crédito. Consumimos muito mais do que produzimos e consumimos de uma forma bulímica. Recordo uma advertência:
"É perigoso ao invés quando, em vez de nos despertar para a vida pessoal do espírito, a leitura tende a substitui-la..."

A legião de vozes, manifesta nos meios de comunicação de massas e interacções pessoais mais ou menos mediadas, a que nos expomos no quotidiano abafa a nossa voz. Fica assim drasticamente reduzida a probabilidade de escutarmos o nosso daimon. Emergimos, se é que emergimos, desta sobreexposição a informação alienados de nós mesmos; uns dos outros; de Deus.

De Sócrates a Santa Joana, admiro os que seguiram as suas vozes. Outras vozes há, de sereias, que atraem os marinheiros a baixios onde os seus navios se depedaçam ou, pior, atolam.

sábado, outubro 02, 2004

Excerto de Vineland (pp.313-314)

"Mucho blinked sympathetically, a little sadly. "I guess it's over. We're into a new world now, it's the Nixon Years, then it'll be the Reagan Years -"

"Ol'Raygun? No way he'll ever make president."

"Just please go careful, Zoyd. 'Cause soon they're gonna be coming after everything, not just drugs, but beer, cigarettes, sugar, salt, fat, you name it, anything that could remotely please any of your senses, because they need to control all that. And they will."

"Fat Police?"

"Perfume Police. Tube Police. Music Police. Good Healthy Shit Police. Best to renounce everything now, get a head start."

"Well I still wish it was back then, when you were the Count. Remember how the acid was? Remember that windowpane, down in Laguna that time? God, I knew then, I knew..."

They had a look. "Uh-huh, me too. That you were never going to die. Ha! No wonder the State panicked. How are they supposed to control a population that knows it'll never die? When that was always their last big chip, when they thought they had the power of life and death. But acid gave us the X-ray vision to see through that one, so of course they had to take it away from us."

"Yeah, but they can't take what happened, what we found out."

"Easy. They just let us forget. Give us too much to process, fill up every minute, keep us distracted, it's what the Tube is for, and though it kills me to say it, it's what rock and roll is becoming - just another way to claim our attention, so that beautiful certainty we had starts to fade, and after a while they have us convinced all over again that we really are going to die. And they've got us again." It was the way people used to talk.

Thomas Pynchon (2000) Vineland. Vintage, London.

Political Compass

O Público tem agora uma versão portuguesa do Political Compass. Já conheço o teste há alguns anos e tenho pedido à clientela do bar para o fazer.

Opto agora por divulgar os resultados. Sei que a futura polícia política agradece. Quem objectar a ter o seu resultado publicitado, pode conseguir de mim a sua remoção com uma simples ameaça de morte. Enfim, conheçamo-nos a nós mesmos:


Parque das Estátuas (Szoborpark)

Parque das Estátuas

Os heróis propagandistas de outros tempos foram afastados do centro da cidade, para bem longe! A Sul de Buda num terreno descampado, podemos aperceber-nos da dimensão destes memoriais gigantescos do período comunista: Marx, Engels, Dimitrov, heróis soviéticos e mártires comunistas. Marcas que nós, enquanto visitantes ( e turistas, ainda por cima!) não conseguimos entrever na cidade. Os espaços esvaziados por estas imagens poderão ter sido ocupados por mercados de rua com bancas que vendem souvenirs, entre os quais camisolas jocosas alusivas ao KGB e bonecas russas (matryoshkas). O período que separa este país da ditadura não se sente no ar das ruas de Budapeste (uma vez mais falo enquanto turista). Pode sentir-se numa visita À Casa do Terror (Qualquer um destes sítios a visitar)

Também é uma cidade de pontes

Também é uma cidade de pontes

Pontes que atravessam o Danúbio e unem Buda a Peste
E o Danúbio é verde...

E mais pontes...

... e pontes

A noite é de luzes. Luzes das cúpulas de monumentos que perpetuam a grandeza arquitectónica; luzes de barcos que navegam rio abaixo, rio acima; luzes de pontes que unem as margens



Acho milagroso que, estando Cushing e Price mortos, o Lee possa estar vivo para encarnar personagens domo Dooku ou Saruman para esta nova geração.

sexta-feira, outubro 01, 2004

Tenta compreender: comprar livros não é uma magia que crie na tua vida as ocasiões de os leres.

quinta-feira, setembro 30, 2004

A Ursa Maior

Cortesia de Simon Patterson

Uma janela com vista para o Danúbio




A Idade da Inocência (Parte I)


La Inocencia de Ayer/Yesterday's Innocence
by MujerArtes Cooperative (colective piece)

Originally uploaded by Anadil.

Julguei noutros tempos que a idade da inocência era aquela em que as nossas crenças eram impermeáveis, críamos nas nossas verdades de uma forma tão cândida quanto as construíamos. Hoje creio que essa idade é bem mais breve, bem mais tenra. A idade da inocência é aquela em que ainda não (re)conhecemos crenças.
Julguei noutros tempos que para uma criança o importante era não chover para poder ir brincar para a rua. Hoje creio que, faça chuva ou faça sol, nos écrans das playstations os desafios são muito diferentes do que era imaginar os desfechos das histórias da Enid Blyton.
Julguei noutros tempos que quando crescesse podia fazer mais, podia mudar o mundo. Hoje creio que as forças de que despendo são para que ele não me mude a mim. E às vezes sinto-me sem forças...



quarta-feira, setembro 29, 2004

Parménides sorriu-me ao almoço. Apercebi-me de que o culto da Grande Mãe vive ainda. As estatuetas paleolíticas e a garrafa da Coca-Cola são pontos da mesma linha. Uma que nos cose.

Justificação pelo Império ou as árvores da vida

Cortesia de Gustav Klimt

Nos últimos dias tenho encontrado espirais Klimt por todo o lado. Em Budapeste era possível justificá-las pelo império Austro-Húngaro, unidade político-geográfica onde eclodiu a Secessão, movimento artístico que Klimt integrava, mas é mais difícil justificar a sua presença nas montras do Cortes da Avenida António Augusto Aguiar ou na capa de um livro que a Promethea lia ontem ao pequeno-almoço.

Surfar, inteligir, grocar

Esta imagem do 'passive rider' que Pynchon conjura no fragmento que transcrevi é claramente tributária de Marx e do I-Ching. Muitas vezes tenho pensado na vida através da metáfora do surfista que, graças a uma utilização inteligente da sua fraca força, consegue cavalgar a energia titânica do Oceano. Foi pois um efeito de reconhecimento o que experimentei ao ler este naco de prosa sob a chuva miudinha que penetrava o manto de bruma à tona da piscina aquecida exterior do Gellert.

terça-feira, setembro 28, 2004

A esfinge da Ópera de Budapeste


A esfinge da Ópera de Budapeste
Originally uploaded by Frater Caerulus.


Excerto de Vineland (p.37)

"Frenesi had ridden into his life like a whole gang of outlaws. He felt like a schoolmarm. He was working gypsy construction jobs by day and palying at night with the Corvairs, never anyplace near the surf but inland, for this sun-beat farm country had always welcomed them, beer riders of the valleys having found strange affinities with surfers and their music. Besides a common interest in beer, members of both subcultures, wether up on a board or behind a 409, shared the terrors and ecstasies of the passive, taken rider, as if a car engine held encapsulated something likewise organic and mighty - a technowave, belonging to distant others as the surf belongs to the sea, bought into by the riders strictly as-is. on the other part's terms. Surfer's rode God's ocean, beer riders rode the momentum through the years of the auto industry's will."

Thomas Pynchon (2000) Vineland. Vintage, London.

Business as usual

segunda-feira, setembro 27, 2004

Libido mutandis

E se houvesse uma 'libido mutandis' com expressões legítimas e ilegítimas, sendo a moda e as nãotícias claros exemplos deste último grupo, sendo os penteados e os presidentes as coisas que mudam para que tudo possa ficar na mesma.

O consumo como sucedâneo da individuação e as eleições periódicas como travão à revolução social. O hábito não faz o monge, claro, mas o uso do hábito talvez levasse a libido mutandis a expressar-se em sectores das nossas vidas onde tenha efectivamente um papel válido a desempenhar.

Mais tarde. Um pouco de autocrítica: durante as férias li o Vineland do Pynchon - prometo aqui publicar algumas postas sumarentas assim que tiver tempo de as transcrever. Neste romance, a personagem que emana da totalidade negativa - o acusador Brock Vond - usa o termos 'neofobia' (medo do que é novo) para designar uma condição cujo atenuamento estaria na origem de diversas «patologias sociais». O que faço, no fundo, com esta proposta de pensarmos em termos de libido mutandis é apenas uma rudimentar inversão de perspectiva.

Nãotícias

Depois um jejum de oito dias, fiz um upload de mais de duas horas de notícias, oriundas de orgãos de comunicação vários.
Acho que devo repetir a experiência alterando a componente "dias" para "meses" e proceder a novos testes.
Over, but not out.

sexta-feira, setembro 17, 2004

Requisitei o chef Hamakune para nos cozinhar a última refeição antes de voarmos para Budapeste. Não resisto a piratear um naco gordo de uma sua conversa telefónica acerca de provas de Português: «Tu sabes o que é uma oração subordinada? Tu sabes o que já esqueceste!».
Nós não somos pessoas boas. Dizemos que queremos ser melhores mas nunca ou quase nunca fazemos algo a esse respeito. São hipocrisia as minhas próprias diatribes contra o consumismo. Que credibilidade tem a classe média-alta como força revolucionária?

A Venus adormecida

A Venus Adormecida, Paul Delvaux, 1944

quarta-feira, setembro 15, 2004

O imigrante nunca existiu

Às definições de imigrante teremos de chamar multidão, porque são muitas. Há quem defina imigrante como alguém que não residindo num país entra neste com a intenção de aí residir e há também quem dê ao conceito um cunho mais económico, entendendo por imigrante todo o estrangeiro que vem para Portugal à procura de trabalho ou para ocupar um trabalho que tenha conseguido antes de deixar o país de origem. Estas divergências, longe de serem idiossincrasias individuais, revelam de perspectivas ligadas a campos do saber e interesses diferentes e condensam-se na produção normativa, mais ou menos oficial, das instituições que federam tais interesses.

O Instituto Nacional de Estatística, por exemplo, reconhece dois tipos de imigrante, o permanente o temporário. Para efeitos estatísticos, o imigrante permanente é então o indivíduo que entrou no país com a intenção de aqui residir por um período superior a um ano, tendo residido no estrangeiro por um período contínuo superior a um ano. Por sua vez, o imigrante temporário entrou no país com a intenção de aqui permanecer por um período igual ou inferior a um ano, com o objectivo de trabalhar numa ocupação remunerada, tendo residido no estrangeiro por um período continuo superior a um ano, sendo que são ainda considerados imigrantes temporários os familiares e acompanhantes dos indivíduos com as características acima enunciadas. Mas o retrato robot do imigrante que surge no artigo 11.º da Convenção n.º 143 da Organização Internacional do Trabalho é bastante diferente; aí considera-se que para fins de aplicação do disposto nesta parte II da Convenção, o termo «trabalhador migrante» designa uma pessoa que emigra ou emigrou de um país para outro com o fim de ocupar um emprego não por conta própria, seguindo-se uma lista de excepções.

O campo semântico da palavra «imigrante» situa-se pois na intersecção das esferas de influência de diversos saberes e poderes. Essa situação conduz à multiplicação das variáveis pertinentes para a formação de um conceito de imigrante. Estas compreendem, pelo menos, a nacionalidade, a naturalidade, a intenção económica, a residência, o tempo de permanência, a legalidade e a situação na profissão. Se adoptássemos o pressuposto simplificador de que cada uma destas variáveis assume apenas duas modalidades, teríamos 27, ou seja, 128 combinações possíveis.

Há quem se tenha posto a reflectir sobre isto e vindo a concluir que, sendo a migração trânsito, fluxo, mudança, é falacioso derivar quaisquer substantivos dessa experiência fugaz. Sempre que chamamos alguém de emigrante ou imigrante estamos a perpetuar a migração, a condenar essas pessoas a uma viagem na qual, à semelhança da flecha de Zenão, nunca atingirão o destino. Não é inconsequente este tomar de um momento fugaz da trajectória de vida de um conjunto de pessoas por um seu traço fundamental. Os recursos e oportunidades de que estas pessoas dispõem a partir da imposição desse estigma, a sua subsequente percepção por terceiros e a própria visão que passam a ter de si conspiram, em tais situações, para que o conjunto se torne um grupo.

Afinal, ser é ser percepcionado e é com a ajuda de representações e de regras que justificam a diferenciação entre grupos que estes grupos se tornam ou continuam uma realidade. Esta mesma ideia foi já introduzida no campo da reflexão académica sobre imigração por Noiriel, afirmando este autor que o controlo burocrático determina a identidade dos imigrantes. Do exposto resulta que o «problema dos imigrantes», seja qual for a sua formulação, pertence, em grande medida, à categoria das profecias que se cumprem a si próprias.

Nem podia ser de outra forma. O controlo de estrangeiros é, tanto por razões simbólicas como por razões materialistas, condição necessária da constituição e manutenção do Estado. O conceito de estrangeiro é gémeo indissociável do conceito de cidadão; separados um do outro, nenhum dos dois tem qualquer sentido. Tal fica estabelecido por uma leitura, ainda que superficial, da sua actual fórmula legal: Para efeitos do presente diploma, considera-se estrangeiro todo aquele que não prove possuir a nacionalidade portuguesa. Note-se a presunção da culpa; quem não prove ser português será estrangeiro e, já que não tem qualquer documento que ateste a sua nacionalidade, seja esta qual for, como seria o caso de uma autorização de permanência ou residência, é também ilegal.

A própria União Europeia reconhece a confusão entre «imigrantes», «minorias étnicas», etc. e empenha-se no combate ao racismo e à xenofobia mas falha em reconhecer no «problema dos imigrantes» as características de um pânico moral, isto é, das reacções exageradas e amplificadas pelos meios de comunicação de massas que, segundo alguns autores, servem o status quo na medida em que se tornam pretextos para um “cerrar de fileiras” face a um inimigo comum. Esta ideia é tudo menos nova e remonta, pelo menos, até Jean Bodin, que constatava haver apenas uma forma de assegurar a continuidade de um Estado democrático: mantê-lo num estado de animosidade belicosa para com terceiros. E caso não haja inimigos, torna-se necessário inventá-los, sob pena de a discórdia grassar na república. Não é por acaso que o "choque das civilizações" feito realidade no 11 de Setembro é também susceptível de ser lido a esta luz.

Embora desde sempre as pessoas se tenham movido de uma região para outra, as migrações internacionais são um fenómeno inequivocamente moderno: para que as migrações fossem internacionais houve que esperar pela invenção dessa instituição fundamental da modernidade que é o Estado-nação. A par de um nacionalismo que se define por referência a uma comunidade imaginada e aspira a realizar-se num Estado-nação, a modernidade caracteriza-se também pelo capitalismo. E a imigração é precisamente um ponto onde as posições do nacionalismo e do credo económico liberal, que serve de ideologia do capitalismo nas sociedades ocidentais contemporâneas, se revelam irreconciliáveis.

Do ponto de vista de uma análise económica informada pelo paradigma liberal, as bases para a defesa da livre circulação do factor trabalho estão solidamente asseguradas, não havendo, portanto, argumento económico válido para a restrição das migrações internacionais. Contudo, os indivíduos e instituições para os quais o nacionalismo é uma coordenada fundamental da sua identidade não podem senão sentir o tratamento equitativo do outro como uma ameaça ontológica. O conceito de imigrante ganha pois a sua panóplia de significados e conotações neste conflito entre aspectos complementares de uma mesma corrente histórica.

segunda-feira, setembro 13, 2004

Da miséria na vida de estudante

Foram ontem publicados os resultados da primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior. Em face da efeméride, convido-vos a ler ou reler o texto velhinho (é de 66) a que podem aceder através da hiperligação embebida no título desta entrada.

Pontapé na Gramática

Ainda sobre a epígrafe educação, aqui fica para aguçar o apetite pela correcção no uso da língua de Camões:

- Não diga a gente vamos, diga a gente vai;

- Não diga aumentar de 50 por cento ou em 50 por cento, diga aumentar 50 por cento;

- Não diga contactar uma pessoa, diga contactar com uma pessoa;

In Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem, de Rodrigo Sá Nogueira

domingo, setembro 12, 2004

sábado, setembro 11, 2004

Hoje é o meu dia de rebelião!

Proponho que o governo seja aumentado em função da sua produtividade.
O Estado ainda tem funções? Vejamos se se cumprem e aumentem-se os salários. Afinal obra feita deve ser mais do que Estádios de Futebol.

O custo de vida em França é 3 vezes superior ao nosso (Aloysius?), para justificar que o salário mínimo também seja? Algumas análises dizem que não: um estudo acerca de produtos alimentares mostra que em Portugal o salário mínimo dá para adquirir 7,7 cabazes e em França (produtos similares) dá para adquirir 16, 5. Considerando o horário médio de 8 horas por dia de trabalho e 22 dias úteis por mês, um portguês que ganhasse o salário mínimo precisava de trabalhar 23 horas para adquirir os 20 produtos do cabaz, enquanto que um trabalhador em França necessitava apenas de 11 horas.(Direcção Geral da Empresa)

Porque será que no Luxemburgo os trabalhadores (muitos portugueses) produzem para justificar este salário mínimo?

Salário Mínimo na Europa
Luxemburgo-1369 euros
Holanda-1249 euros
Bélgica-1163 euros
França-1154 euros
Reino Unido-1105 euros
Irlanda-1073 euros
Grécia-605 euros
Malta-535 euros
Espanha-526 euros
Eslovénia-451euros
Portugal-356,6 euros
Hungria-212 euros
Polónia-201 euros
Rep. Checa-199 euros
Turquia-189 euros
Estónia-138 euros
Lituânia-125 euros
Rep. Eslovaca-118 euros
Letónia-116 euros
Roménia-73 euros
Bulgária-56 euros
Eurostat, Janeiro de 2003


Síntese

Portugal é, com efeito, um pais pequeno com ideias de bolso.

sexta-feira, setembro 10, 2004

Minudências


O pensador de Rodin
Originally uploaded by Promethea.

Egos, vaidades e vestes puídas; gente, com soberba, pequena, com ideias pequenas; e minudências, coisinhas pequeninas feitas grandes por pessoas pequenas com egos grandes.
Humpft! Cabeceiras, pedestais e coisas que tais! Pequeno, pequeno, pequeno e...chato! Olhos que pesam em mesas cheias de verbosidades e pernas que cruzam e descruzam ao ritmo das onomatopeias. Pernas, robustas, torneadas, no fundo de costas altas com ripas, onde me reclino e penso...pequeno.

"Der Untergang"

Berlin, 1945. Oliver Hirschbiegel retrata "Der Untergang" ou o crepúsculo do homem que marcou este período da história da humanidade: Hitler. Humanização do ditador ou simplesmente outra forma de ver a mesma história?
O trailer pode ser visto aqui
.

quinta-feira, setembro 09, 2004

Toca a todos

Goth Girl, cortesia de Terry Moore

Mais Palpites

"A televisão não vai ficar no mercado mais de 6 meses. As pessoas vão-se cansar de olhar para uma caixa todas as noites."
Darryl F. Zanuck, presidente da 20th Century Fox, 1946

quarta-feira, setembro 08, 2004

The Office at Night

The Office at Night, Edward Hopper, 1940

Uma cortesia à simplicidade...


Interf-mulh-agua
Originally uploaded by Anadil.


"Lágrima de preta"

Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

(António Gedeão)

Um presente...


Repucho Paço d'Arcos
Originally uploaded by Anadil.

Um pequeno presente os já estão saudosos do presente...à infância sem amnésia. Perdemos momentos ganhamos memórias. Por vezes o presente é mais belo!