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terça-feira, agosto 31, 2004
Sempre a Bombar, querida Mahakala
Mahakala, uma mulher negra, de pele brilhante como petróleo, é uma deusa irada, uma vocalista punk-hardcore straightedge, que na total força e pujança da sua fúria dá, assim, inicio ao concerto da noite. A tempestade chegou. O fim do mundo começou. Este é o som da noite, duma noite rubra.
“Querem som da pesada? Eu dou-vos da pesada!”
E é da pesada mesmo. A bateria começa a metralhar sem misericórdia, é uma locomotiva descontrolada, o som explode do palco e acerta no público, uma massa louca, em êxtase. O baixo, sempre a bombar faz disparar os corações em taquicardia, comprime as costelas; enquanto as guitarras, furam como uma broca de diamante pelos tímpanos, atravessam o osso, electrificam o crânio mandando choques e faíscas pelas cabeças até à medula. O microfone é esmagado entre os dedos da Mahakala. Os movimentos dela são ondulantes, os braços como chicotes, suados e negros, e a voz rasgada, grossa, ecoa vinda do mais profundo dos infernos. “Eu sou a Mahakala negra! E a minha voz é voodoo, a minha voz acorda mortos! Acordem!”
E essa é, no fundo, a essência do punk-hardcore straightedge e fusão: acordar os mortos e os adormecidos da nossa sociedade. E quem são estes necromantes do mundo moderno, que estão a tentar acordar os mortos — quem são os punk-hardcore straightedgers? Eles são os sobreviventes duma raça de amantes do metal duro e música rápida. Eles são mutantes, querem mudar o mundo, são loucos, e muitos são veganos. A sua adrenalina, o seu desporto radical de vida e de morte, é tocar música pesada.
A sua música é rápida, potente, cheia de energia e de letras filosóficas, cheias de pensamento e reflexão. As suas músicas e letras são contra a discriminação racial, álcool, drogas, consumismo e exploração dos animais. Explicando em poucas palavras o movimento punk-hardcore straightedge e fusão, estes são movimentos e projectos musicais com algumas ligações aos estilos de música punk, hardcore, metal, ragga, rap, e tudo mais — desde que o resultado seja pesado. No entanto, se bem que haja semelhanças nos estilos e no som, há diferenças fundamentais entre estes grupos, muitos especialmente nas atitudes e posturas em relação à vida. Vamos, então, ouvir o que alguns punk-hardcore straightedgers dizem acerca destes movimentos:
“A nossa postura na vida tenta ser diferente e criativa. Nós não concordamos com a atitude hedonista e auto-destructiva que contamina a nossa sociedade, isto incluindo a juventude e as banda de música. Nós estamos, de facto, muito conscientes de alguns dos problemas fundamentais que estão a causar sofrimento e a destruir a nossa sociedade, por isso nós fortemente desaconselhamos o álcool, drogas, produtos resultantes da exploração de animais, e as relações casuais.” (Emma “Fire-Dragon”, guitarrista dos Merchant of Menace).
“Nós somos contra a violência e a guerra em todas as suas formas. Por isso nós também somos contra as drogas e o álcool, que são produtos tóxicos que trazem guerra para dentro do nosso corpo. Talvez nós não consigamos, directamente, parar com as grandes guerras que estão a acontecer por esse mundo fora. Mas podemos, seguramente, evitar aquelas que começam dentro de nós. O que significa que devemos ser cuidadosos com as coisas que trazemos para dentro de nós mesmos, isto se quisermos evitar “guerras civis” nos nossos corpos e mentes. Nós somos a favor de um estilo de vida sem crueldade. E isso está relacionado com o que consumimos, comemos e até vemos na televisão!” (Josephine Linqvist, baterista dos Nomad).
“Nós gostamos de tocar música muito forte e potente. A rasgar mesmo. É uma maneira de acordar as pessoas. Nós queremos mostrar-lhes como é destrutiva a maneira como certas coisas são feitas na nossa sociedade de hoje em dia. E a música é uma muito boa maneira de chamar as atenções. Demasiadas pessoas, animais e seres vivos estão a sofrer — AGORA! Ouçam: as florestas estão a ser destruídas, os animais estão a ser dizimados, e as pessoas estão a ser intoxicadas! Nós temos, de novo e sempre, de ganhar responsabilidade sobre as nossas próprias vidas. Temos de ser o BOSS, o patrão das nossas vidas. Cada membro desta sociedade tem de aprender a respeitar O TODO! Os problemas no mundo só irão diminuir quando nós pararmos de contribuir para eles. Nós temos de dar o primeiro passo.” (Afro-Spider, baixista de Don´t Panic it´s Organic).
“Eu não pertenço a nenhum grupo, nem religião, nem partido organizados. Não pertenço a nada, nem a ninguém. Sou livre. Apenas amo a música e para isso não preciso de pertencer a nenhum partido, nem nacionalidade, nem gang. A minha pacifica tribo sou só eu, e a minha religião é o pôr-do-sol, a lua que rasga as nuvens na noite, e o vento quente que sopra para fora da minha boca e do meu nariz. Sou um nómada dos tempos modernos, mas no fundo nunca estou sozinho, pois sou um irmão deste mundo, filho de todo este universo. O meu coração e o coração deste universo batem ao mesmo ritmo, como um só. ONE HEART, ONE LOVE como dizia o grande SHAMAN. Para mim o punk hardcore e o straithedge são atitudes na vida que nem precisavam de ter nome. O importante é sentir o ENCARNADO do sangue e da coragem a correr forte nas veias. O importante é sentir o DOURADO da inteligência a arder forte que nem um sol nas nossas mentes. O importante é tocar o VERDE da paz a unir-nos às nossas raízes, à natureza e a todos os seres vivos que são nossos irmãos. O importante é aceitarmos o nosso destino como seres interdependentes desta vida, deste cosmos. Somos todos um só. Não há fuga possível”. (Coração-Preto, ex-vocalista dos Fusão-Empática).
“Uma FORÇA quer-te neste mundo. Uma FORÇA bombeia o teu coração e dá brilho aos teus olhos. Uma FORÇA desenha o teu destino, tal como risca a noite com cometas, estrelas candentes e uma lua que é um espelho da tua alma, do teu espírito. Tu isto sabes, tal como sabes que existes. Sente: EU EXISTO!!! E essa consciência, essa FORÇA, é um reflexo desse algo maior, duma vida que brilha como as supernovas que explodem pelos céus, na noite eterna. Não te queixes, não te preocupes. Sofrer faz parte. Porquê, não sei. Talvez para nos fazer querer encontrar aquilo que já somos — mas não sabemos.... A FORÇA.
A vida magoa-te, tortura-te? Então grita, grita da tua cruz, do teu palco — grita até que os amplificadores peguem fogo, as colunas levantem voo e o microfone fique feito em migalhas de luz. E se o mundo é estúpido cabe A TI fazer a diferença, viver a diferença. O direito à diferença. Esse é o direito que mais me interessa — nem é o direito à igualdade, mas sim O DIREITO À DIFERENÇA!!!!” (Mahakala, vocalista dos Fúria Negra).
“Diz assim lá no I CHING: “Sê inocente, esse é o supremo sucesso da tua vida. Se fores paciente a vida levar-te-á onde deves chegar. Se uma pessoa não for ela mesma, então encontra o infortúnio, a tristeza...Se tiveres confiança no espírito que está dentro de ti, e que contigo nasceu, então atingirás a inocência pura que te guiará os passos para o que é certo, com uma certeza instintiva sem qualquer pensamento de recompensa ou proveito pessoal...” Estás a perceber? Há muitos anos atrás escrevi uma música para a minha banda que se chamava: À sombra do carrasco. E o carrasco, o torturador, dizia a música, está dentro de nós, somos nós mesmos. Frequentemente, nós somos o nosso próprio pior inimigo. Também, durante anos, a pessoa que mais odiei neste mundo foi a mim mesmo. E porquê? Porque nos sentimos errados, inadequados, incompletos. Achamos que tudo o que tocamos fica destruído, sem sentido - nem que seja porque pousámos os nossos olhos sobre uma flor, ela irá murchar. Mas um dia algo aconteceu...
E assim a vida muda. A atitude muda. Um acontecimento, uma palavra, alguém que aparece no nosso destino.... E a vida muda-nos, algo novo aparece para nos mostrar outro caminho.
Queres ver outra vida? Outro mundo?
É preciso recuperar confiança, não em nós mesmos porque isso não chega, mas sim na VIDA. Confiarmos no instinto, no nariz, saber dizer não às coisas destrutivas e às mentiras que a maior parte do mundo nos quer enfiar pelas orelhas. Quando é a vida a falar, e não a nossa cabeça, então o nosso instinto sabe o que devemos e não devemos fazer. O nosso nariz e o nosso coração têm muito instinto, e por isso podem ser puros, inocentes. Cheiram a merda ao longe e afastam-se.
O mal não está em ti. Está no facto de que esta nossa sociedade faz as pessoas morrerem à fome dentro da sua alma. Aquilo que nos é oferecido é pouco, muito pouco e muito poluído e impuro. Por isso, mesmo quando se tem “tudo” aquilo que a nossa sociedade acha de importante, e que nos devia fazer feliz, mesmo assim não nos faz felizes — mesmo assim tu, eu e mais algumas pessoas deste mundo, não nos sentimos felizes com o que nos dão. Depois dizem-nos: nunca estás feliz com nada!
E não estou!!! Com as vossas drogas, televisões, guerras, modas, carnavais, "estórias de amor", tudo isso é uma treta. Vou viver para quê? Para o dinheiro, o carrão, a discoteca, a telenovela, o divorcio e o corno, a paródia e o vazio ao ver o rosto no espelho? Isso não me contenta. Não me chega, não me chega. Estás a perceber?!
Queres sentir a vida? Abre bem as mãos da próxima vez que sentires o vento, e deixa-o soprar-te por entre os dedos. Aí não saberás se és tu que corres no vento, ou se é o vento que corre em ti....
E lembra-te do que o Buda disse: NÃO HÁ CAMINHO PARA A FELICIDADE. A FELICIDADE É O CAMINHO.” (Macraft D’Rassing, guru dos Fúria Negra).
Bandas de referência do straightedge e fusão: Fúria Negra, Soulfly, MasMorra Podre, Youth of Today, 108, No Use For A Name, Shelter, Fugazi, Propagandhi, Asiandubfoudantion, Clawfinger, etc.
A empregada de limpeza modelo
Segundo a imprensa britânica, a obra de arte foi recuperada no contentor do lixo da galeria quando o conservador se deu conta do seu desaparecimento.
A obra, intitulada «Nova criação da apresentação pública de uma arte auto-destrutiva», é da autoria do artista alemão Gustav Metzger, e data de 1960. A peça, colocada sobre uma mesa, consiste num caixote de lixo com resíduos diversos, entre os quais pedaços de cartão e jornais velhos.
1) A empregada estava a fazer o seu trabalho, como poderia diferenciar uma obra de arte de um caixote de lixo com resíduos diversos?
2) a peça de arte chama-se "Nova criação da apresentação pública de uma arte auto-destrutiva"... auto-destrutiva certo? Esteve 44 anos para se auto-destruir... a senhora estava farta de esperar....
3)Vamos a ver que a senhora até colocou tudo num saco para papel para reciclagem.
4) alguem lembrou-se de verificar os contentores do lixo aquando do roubo do "grito" de Munch?
Templo de PHILAE onde supostamente estaria o peixe-gato que teria comido uma parte essencial do corpo de Osíris.
Osíris, filho dos Deus Rá, o Sol, foi assassinado por seu irmão Set (o mau da fita) e o seu corpo foi cortado em 14 pedaços e espalhado pelo rio Nilo até às costas da Fenícia (o rio Nilo nasceu das lágrimas de Isis, o mar vermelho do sangue de Osíris).
Sua esposa, Ísis, numa viagem com a sua irmã (mulher de Set) consegue, após muito esforço, reuní-los novamente e trazê-los à vida no primeiro ritual de mumificação. Depois da ressureição, Osíris ganha o estatuto de Deus dos Mortos e seu filho, Hórus (concebido antes do pai ser assassinado, pois após a junção das 14 partes faltava uma parte que o impedia de ter filhos), o Deus com cabeça de falcão, passa a ser considerado o ancestral de todos os faraós egípcios. Ísis é a Grande Mãe, a mulher que, por amor, luta pela reintegração do corpo do amado, mesmo que isso signifique empreender uma jornada difícil, em que enfrentará a própria morte.
"Abrem-se as portas da percepção; O que estava oculto foi revelado. Vejo a mim mesmo e um turbilhão de mil cores em luz liquescente...voltei ao lar. Convosco estarei neste e em outros mundos... Todas essas coisas sou eu: imagens, sinais...e embora separado, sou parte de vós. Que possamos entrar no céu e dele sair através dos portais de luzes estelares. Em verdade, eu venho. Navego por um longo rio e mais uma vez remo de volta. É bom respirar sob a presença das estrelas. Sou hóspede destinado a caminhar milhares de anos até chegar a mim mesmo"
segunda-feira, agosto 30, 2004
Adeus Atenas 2004
sábado, agosto 28, 2004
Sabedoria Popular
A minha mãe usa muito a expressão “sonsa do pau oco” . Pérolas da sabedoria popular que usamos em contextos que julgamos idênticos àqueles em que habitualmente ouvimos as expressões, mas sem saber exactamente qual o seu significado.
Associo a expressão a debochada [do francês débauche – vida dissoluta; devassidão; libertinagem, preversão]
Pois aqui está uma explicação viável para a origem do termo – sonso/a do pau oco
«Às margens da Rodovia União-Indústria, logo após cruzarmos a ponte e a linha do trem, à direita de quem segue para Juiz de Fora existe um casarão em ruínas onde funcionava, nos tempos da Colônia e do período aurífero, que na escola estudamos como ciclo do ouro, o antigo Registro do Paraibuna. O prédio funcionava como uma espécie de alfândega interna, onde era feito o controle do tráfego de mercadorias e combate ao contrabando de ouro e diamantes. Eram também cobrados os direitos de passagem devidos à Metrópole. O prédio abrigou o Príncipe Regente, em 1822, quando por ali passou e nele nasceu a mãe do patrono do Exército brasileiro, o Duque de Caxias. Era também a passagem obrigatória do Tiradentes. Antes da Conjuração Mineira, Tiradentes foi também responsável pelo patrulhamento daquela área e conseguiu desmantelar caminhos alternativos usados pelos contrabandistas. (Fonte Guia Estrada Real para caminhantes: RJ a J. Fora. Olivé Raphael, Ed. Estrada Real, 1999 página 87 com adaptações). Não existem comprovações, mas é bem provável que naquele lugar, onde está o prédio em ruínas, tenha nascido a expressão "santo do pau oco". Os contrabandistas colocavam ouro dentro de imagens ocas de santos crendo que os fiscais, por pura superstição, não quebrariam as imagens, pois isso traria azar a que o fizesse. Daí o termo santo do pau oco para se referir a uma pessoa sonsa, perigosa.» por Fernando Mendes
sexta-feira, agosto 27, 2004
Vítimas
«A sociedade contemporânea ama a compaixão. E as vítimas encontram no processo que as vitimiza o momento de glória que procuram ao longo de uma vida sem grandeza.»
Será que nos compraz perceber que os outros também sofrem?
Afinal,
"When your day is longand the night,
the night is yours alone,
when you're sure you've had enoughof this life,
well hang on.
Don't let yourself go,'cause everybody cries and everybody hurts sometimes." REM
Bem, isto tudo para dizer que quando for grande quero ser como o Eduardo Prado Coelho!!
quinta-feira, agosto 26, 2004
Nas teias da net
foi eleito o melhor filme de ficção cientifica de todos os tempos.
Gostei!
Boom Festival 2004
Gente de todo o mundo vem disfrutar da música, dos ambientes trance, dos
palcos concebidos segundo a geometria sagrada, dos saberes orientais, da cultura biológica, e mais, muito mais em Idanha-a-Nova.
Check this out
Pontapé na Gramática
seguindo a gramática tradicional,
o sufixo -dade
exprime qualidade.
Tive ganas de chamar a esta nova rubrica "gramaticadade".
Relógios
Penso num tempo em que não há horas certas, num tempo em que não há falta de tempo! Porque viver num tempo assim, em que o tempo é um contratempo?!
Há sempre qualquer coisa para fazer, trabalhos para acabar, livros para ler, vontade de passear e aquele filme que ainda não fui ver...
E o sol? Meu Deus, o Verão está a acabar!
Isto é que é civilização, a invenção das invenções? Depois de se conhecer não se pode ignorar. Mesmo que naufragasse numa ilha deserta, como Robison Crusoé, e vivesse da caça e recolecção e não das modernas formas de produção (em que tempo é dinheiro) certamente tenderia a marcar os dias no tronco de uma árvore como os prisioneiros fazem no cárcere para ver passar o tempo.
« O relógio não é apenas um meio de acompanhar as horas, mas também de sincronizar as acções dos homens. O relógio, não a máquina a vapor, é o mecanismo fundamental da moderna idade industrial [...] nos primórdios das técnicas modernas surgiu profeticamente a máquina automática de precisão. [...] Nas suas relações com quantidades determináveis de energia, com a padronização, com a acção automática e, finalmente, com o seu próprio produto específico, a cronometragem exacta, o relógio foi a máquina fundamental nas técnicas modernas; e em cada período manteve-se na liderança; marca uma perfeição à qual todas as outras máquinas aspiram»
Mumford, Lewis. 1939. Technics and Civilization, Nova Iorque: Harcourt, Brace, pp.14-15
«Não sabemos quem inventou essa máquina ou onde. [...] O relógio foi a maior realização da engenhosidade mecânica medieval.[...] Finalmente, o relógio proporcionou ordem e controlo nos planos colectivo e pessoal. A sua exibição pública e posse particular lançaram as bases para a autonomia temporal: as pessoas podiam agora coordenar idas e vindas sem imposição superior. (Contrariamente no exército, apenas os oficiais podiam saber as horas). O relógio forneceu os sinais de pontuação para a actividade de grupo, ao mesmo tempo que habilitava os indivíduos a orientarem o seu próprio trabalho ( e o dos outros) com vista ao aumento da produtividade. Com efeito a própria noção de produtividade é um subproduto do relógio: a partir do momento em que se pôde relacionar o desempenho com unidades de tempos uniformes, o trabalho nunca mais foi o mesmo. Passa-se da consciência do tempo do camponês, orientada para a tarefa (uma tarefa após a outra, conforme permitissem o tempo e a luz), e dos afazeres do servidor doméstico (sempre alguma coisa a fazer) para um esforço de maximização do produto por unidade de tempo (tempo é dinheiro).»
Landes, David , A Riqueza e a Pobreza das Nações, Trajectos, Gradiva , pp-52-53
quarta-feira, agosto 25, 2004
Quando a justiça chegou à cidade
Pensei para os meus botões: “Isto eu tenho que ver! Tem um certo ar hollywoodesco, tipo Western Spaghetti.”
Com um olho na ampulheta e outro no jornal que jazia ao meu lado, aguardei pacientemente pelo emergir da notícia.
Desenganem-se os fãs de Sérgio Leone ou os mais intrépidos crentes no sistema judicial português.
A justiça a que alude o título tem um pendor clássico e trágico. A cidade a que chega é Mérida, pelas mãos do encenador Mário Gás.
Só não senti este tempo como perdido porque o dei por bem empregue. E assim é muitas vezes.
terça-feira, agosto 24, 2004
domingo, agosto 22, 2004
Excerto de 'Survivor' (pp. 111-110[sic])
"We all watch the same television programs," the mouth says. "We all hear the same things on the radio, we all repeat the same talk to each other. There are no surprises left. there's just more of the same. Reruns.
Inside the hole, the red lips say, "We all grew up with the same television shows. it's like we all have the same artificial memory implants. We remember almost none of our real childhoods, but we we remember everything that happened to sitcom families. We have the same basic goals. We all have the same fears."
The lips say, "the future is not bright.
"Pretty soon, we'll all have the same thoughts at the same time. We'll be in perfect unison. Synchronized. United. Equal. Exact. The way ants are. Insectile. Sheep.
Everything is so derivative.
A reference to a reference to a reference.
"The big question people ask isn't 'What's the nature of existence?' " the mouth says. "The big question people ask is 'What's that from?' "Chuck Palahniuk (1999) Survivor. Vintage, London.
O Irmão Grande
Eu vi o Chinatown e sei que é possível ser irmão e pai em simultâneo. Mas é contra-natura.
sábado, agosto 21, 2004
Insónias, Divagações, Drogas
Curioso! Em miúda sempre vi nela humildade e amabilidade. Não sei se estes distintivos vinham agrafados à imagem que tinha de uma devota católica. Foi com esta vizinha que aprendi a rezar o terço, o acto propriamente dito (lembro-me agora que me esqueci como se faz!). Via-a também preparar o jantar enquanto rezava em uníssono com as vozes da Rádio Renascença- Emissora Católica a missa do entardecer. Diz-me a memória que era a missa das sete, mas ela falha-me tantas vezes que não vale a pena fiarmo-nos.
Recordo-me de ver esta vizinha sempre de preto: lutos prolongados, próprios de alguns costumes da Beira Interior, onde fica a sua terra natal.
Eu chamaria a esta senhora conservadora. Para além dos traços que já referi, noto, agora, que baixa o tom de voz quando usa palavras como “droga”, “sida”, “pretos”. Estas são as que recordo ou que consigo sequer ouvir. Serão as que considera pecado pronunciar? Tento perceber e volto às categorias: preconceito.
Retomando a conversa: nos breves momentos que falámos, essencialmente sobre saúde de familiares e relativos, falou-me várias vezes dos comprimidos que tomava: “eu só durmo se tomar comprimidos para dormir” e percebi que isto funcionava como um marco no seu fuso horário, assim como um meridiano de Greenwich que em vez de dividir o tempo entre espaços divide o tempo em tempos: o antes e o depois. Assim “antes de tomar o comprimido para dormir ainda ouvi barulho na escada” e “depois de tomar o comprimido adormeço completamente e já nada me acorda”.
Bem, fiquei impressionada! Nunca me tinha passado pela cabeça que a minha ex vizinha é uma junkie. O que a distingue dos “drógados” a quem ela se refere em voz baixa?
Esta conversa porque passei a noite sem dormir, em divagações, a ver coisas na net que amanhã nem sequer vou lembrar!
Devia ter perguntado à minha vizinha quais os comprimidos que toma para dormir. Ela disse-me que ia de férias. Talvez me diga quando voltar.
E por falar em comprimidos deixo-vos uma notícia curiosa que vi no Público. E não, não foi no “Inimigo Público”:
O facto conta-se em duas palavras: a Environment Agency do Reino Unido constatou que a água potável que os britânicos andam a beber contém pequenas quantidades de Prozac, a famosa droga antidepressiva. Aparentemente, isso deve-se ao facto de o consumo da droga estar a aumentar de forma acentuada e de os seus utilizadores excretarem parte do medicamento sem este ser metabolizado.
Essas moléculas vão dar aos esgotos e, depois de passarem pelas estações de tratamento, tornam a entrar no sistema hídrico, a partir de onde reentram no sistema de recolha e distribuição de água a domicílio, para chegar às torneiras. O tratamento dos esgotos deveria eliminar todos os resíduos de Prozac, mas não é isso que acontece. Segundo a Inspecção da Água Potável do Reino Unido (Drinking Water Inspectorate) a quantidade de Prozac presente na água é por enquanto demasiado pequena para fazer efeito. Porém, considerando que os antidepressivos são um dos grupos de medicamentos onde o consumo mais cresce (no Reino Unido e em Portugal), é evidente que a concentração irá crescer. A própria Environment Agency mostra-se preocupada com o facto pois, se a quantidade ingerida é pequena, a verdade é que a administração é contínua e ninguém sabe quais poderão ser os efeitos. Os democratas liberais dizem que se trata de uma "administração maciça e encoberta de medicamentos" à população e os ambientalistas também entraram em histeria (sinal de que não estarão a beber água suficiente), mas onde tantos vêem razões para alarme não há motivo para nós não vislumbrarmos uma oportunidade.
(continua)
Bush
Chega a ser comovente!!!



