domingo, julho 18, 2004

Rádio Albemuth Livre.

Do 'Discours de la servitude volontaire'

Les hommes nés sous le joug, puis nourris et élevés dans la servitude, sans regarder plus avant, se contentent de vivre comme ils sont nés et ne pensent point avoir d'autres biens ni d'autres droits que ceux qu'ils ont trouvés; ils prennent pour leur état de nature l'état de leur naissance.

Étienne de La Boétie

O bar está aberto.

Mas estou certo de que temos algo a dizer?

terça-feira, julho 06, 2004

Quando acaba o Inverno? Quantos anjos dançam num raio de sol? Palavras perdidas. Como os passos. As ideias chegam e partem. Trocadilhos felizes. Ou não.

segunda-feira, maio 31, 2004

Um jogo (de cartas?) no qual se defrontam ideias e os seus protagonistas. Podia chamar-se humanidade.

segunda-feira, maio 17, 2004

Os passos perdidos. Os passos em volta. As palavras perdidas em volta do teu nome. A fome e a matança. Enchidos de saudade. Fumeiro de dilemas. Doze, treze copos. Aquele a quem eu der este pedaço de pão. Segue-se um beijo. Conclui.

quarta-feira, julho 31, 2002

Férias nas ilhas gregas. À medida que visito agências de viagens e o meu conhecimento da geografia grega se expande as ilhas multiplicam-se como bactérias na caixa de Petri que é o Egeu. Em tempos, o arquipélago era, para mim, apenas composto por Creta e Santorini. Depressa me recordaram a Rodes do colosso, e então desencadeou-se a vertigem: Myconos emergiu a semana passada, seguida da reluzente esmeralda que é Corfu. Hoje, foi Paros que se ergueu das ondas.

segunda-feira, agosto 30, 1999

Não discurso mas ritmo. Palavras como tambores e dentes que rasgam a carne de um inimigo. O som de anjos que se despenham na fossa abissal: os tambores de Mória.

quarta-feira, agosto 11, 1999

Quando éramos putos moviamo-nos num espaço mais limitado mas viviamo-lo com uma intensidade à qual nos tornámos estranhos. Hoje aconteceu-me ficar sentado num automóvel à espera de algumas pessoas e tornou-se-me evidente o que se perdeu: movo-me sobre uma área muito maior do que quando criança mas sou praticamente impenetrável aos seus significados. Caerulus, o adulto, foi espoliado do tesouro de maneiras de ver que fazia a alegria de Caerulus, a criança. E nisso é cumplíce a par de vítima.

terça-feira, julho 06, 1999

Dia soturno. MGM encontrado no metro. Uma luz do passado. Por isso escrevo.

A sociologia, como arte derivativa que é, não cria, regurgita. Podemos encontrar o seu produto em poças nas carruagens dos comboios ou entupindo os urinóis dos bares nas sextas à noite.

quinta-feira, julho 01, 1999

Querer aquilo que me é reconhecido como legítimo querer; querer aquilo que é esperado que queira não é querer o suficiente. Há que fazer descarrilar a volição de forma a que ela nos leve por outros caminhos que não o de casa para o trabalho, do trabalho para o shopping ou deste para o aeroporto de onde se parte para ser fotografado frente a um monumento numa capital estrangeira.

As nossas vidas seguem irreflectidamente por corredores estreitos do seu verdadeiro espaço de potencialidades, que é infinitamente expansível pelo exercício da criatividade. Ironicamente, os 'deviantes' do Truques não merecem um título tão nobre; o seu condicionamento volitivo leva-os por trilhos bem conhecidos, isto é, normais embora negativamente sancionados. Há que reaprender a desejar.

segunda-feira, junho 28, 1999

Por um momento tudo me parece correcto; sereno; claro. As cores e texturas fazem sentido; o sabor do chá com leite também. A forma como a luz se derrama pelo teclado. Não sei que prodígio é este mas não o quero deixar escapar. Temo contudo estreitá-lo demasiado avidamente. Posso estrangulá-lo.

Percebo que estou fechado para muito daquilo que tem feito a minha vida válida. Não sou só o sujeito de uma degradação física mas também, e principalmente, o sujeito de uma degradação vital, anímica.

quarta-feira, março 24, 1999

Sou um hieroglifo tetradimensional que espera ser decifrado. Como qualquer outro símbolo não tenho significado independente da leitura que de mim seja feita. Aguardo a pedra de roseta que me desencripte; (...).

terça-feira, fevereiro 09, 1999

A ventoinha do computador oprime-me; o seu som ecoa uma submissão com a qual comprei demasiado pouco. É esse o problema de vender a alma ao Diabo. Como quer que seja, é-se sempre aldrabado.

Escrever com caneta é como que uma lufada de ar fresco num quarto onde jazeu demasiado tempo uma pessoa doente. Esse alguém poderia ser talvez uma personificação da minha criatividade: débil, irregular e esperançadamente convalescente.

Para quebrar a inércia obriguei-me a ir ver ao jornal qual a data precisa desta entrada.

A minha excelentíssima amiga MMAMM telefonou-me agora mesmo. Quer a minha ajuda para ultimar o (...).

Sinto-me estranhamente sereno.

sábado, janeiro 02, 1999

Interpreto-me como um apolíneo que, por amor ou amizade, faz demasiadas concessões a Dioniso. Condição que se agrava na minha identidade de lobo das estepes. Hoje soube dizer não com elegância e firmeza.

segunda-feira, junho 08, 1998

A inteligência assemelha-se a uma corrente de água subterrânea que, de tempos a tempos, se revela à superfí­cie em pequenas eflorescências.