quinta-feira, setembro 22, 2005

Promethea dixit

Os mais chatos são invariavelmente os que vêem o seu assunto resolvido em primeiro lugar.

Quão bem ou mal ganha?


Eis um sítio com muito interesse, referenciado pela Organização Internacional do Trabalho.
Aqui podemos encontrar indicadores de salários de cerca de 10 paises europeus, a que se juntam a India, Africa do Sul, Brasil e Estado Unidos.

Quanto ganha, meu amigo? E sabe quanto ganha o seu congénere nos EUA?

Este seria (ou será?) um trabalho de grande relevo do ponto de vista social a desenvolver no nosso país.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Se não há risco, não há gozo

Investigadores da Universidade de Bona ligam a disposição para correr riscos à felicidade, altura, género, idade e escolarização da família de origem.

terça-feira, setembro 13, 2005

segunda-feira, setembro 12, 2005

Domingo Sacramental


Eu sei que isto não é um baby blog!
Foi um Domingo diferente, passado na Serra D'el Rei, numa quinta magnífica, o dia estava bom e deu para passear por lá, por meio de lagos, jardins, crianças, etc. As pessoas estavam bem dispostas e o meu sobrinho estava um encanto, uma delícia. Merece um post!

Baptismus est sacramentum regerationis per aquam in Verbo.

As minhas últimas entradas em igrejas haviam sido nas férias e obedeciam a rituais turísticos e interesses unicamente estéticos:
- Uma igreja visitada em Helsínquia, entre um passeio rápido aos pontos assinalados no guia e uma corrida para o barco que partia sem nós se não nos despachássemos!
Valeu pena a corrida: uma igreja meio sublevada, esculpida na pedra e com um tecto verde em abóbada quase ao nível do solo; Lá dentro algumas pessoas a rezar, outras a tirar fotografias. Cá fora, algumas pessoas deitadas na relva, de biquini, a apanhar as horas mais quentes de um dia com 21 horas de sol;
- outra igreja visitada em Estocolmo que nada tinha de especial a não ser o facto de se situar naqueles jardins gradeados que têm mesas de piquenique ao lado de campas. Pois foi numa dessas mesas de jardim que almoçámos sandochas mistas com tomate e ovos cozidos. Na mesa ao lado da nossa estava um grupo de pessoas, daquelas que parecem retiradas de um filme de Lars von Trier. Entre elas, a mulher do padre /pastor (homem muito jeitoso, por sinal) que vendia bebidas quentes e a quem comprámos um chá para acompanhar a nossa refeição, uma figura meio híbrida que lembrava o Elton John e que mantinha o estilo artístico e maquilhado apesar da idade avançada, uma ou duas paroquianas devotas e com muita idade e um senhor com olhar penetrante e ar absolutamente lunático. Nas campas do jardim havia sempre uma figura paternal sentada (não esquecer que estamos na Suécia, onde são os pais que tomam conta dos filhos), a folhear o jornal com uma mão e a embalar o carrinho do bebé com a outra.

À parte destas recentes visitas há muito que não entrava numa igreja, a não ser para casamentos e baptizados. E hoje foi uma dessas ocasiões. Um baptizado (sacramento da regeneração pela água e pela palavra) com missa!

Ali estava eu! Em vez de admirar o estilo gótico da igreja, por acaso muito bonita, sóbria e despida das habituais figuras religiosas e cenas litúrgicas pintadas nas paredes, em vez de reparar nas beatas do coro e imaginar a semana delas para além do dia Dominical, em vez de desprezar rituais de abnegação e peditório, em vez de admirar paz nas expressões de fé dos crentes que se ajoelham e rezam, resolvi ouvir a palavra do senhor. Do senhor padre!

E assim fiz, mas não sem olhar em redor e observar quem também a ouvia.

O padre contou uma história sobre o perdão, Mt 18, 21-35. Rezava assim:

Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: «Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?» Jesus respondeu: «Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: “Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo”. Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: “Pague logo o que me deve”. O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ”‘Dê-me um prazo, e eu pagarei a você”. Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: “Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?’ O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.»

Pois... não vi ninguém a acenar a cabeça em sinal de concórdia, não senti emoção nas palavras nem vibração nos ouvintes. Um discurso político causa mais impressão, apesar do cepticismo! Tudo me pareceu mecânico. O acólito atento aos pedidos do padre, o coro à espera das entradas, o crente que estuda o momento em que sobe ao altar para ler um qualquer versículo, ainda que não o entenda! Fiquei triste! Ainda que me sinta pouco ou nada tocada pela fé católica preferia pensar que ela realmente existe.

sábado, setembro 10, 2005

Mais do mesmo

Não mata mas mói,
cansa tanto que até dói.

Um belo momento de poesia inspirado na p... da vida

sexta-feira, setembro 02, 2005

A conversão dos capitais segundo Chomsky

Chomsky aproveitou a palestra de aceitação do seu doutoramento honoris causa pela Universidade de Bolonha para racionalizar sobre a ligação entre a sua contibuição para a ciência e o seu activismo político. O título desta entrada é uma hiperligação para o artigo.

A ciência de Chomsky passa-me bastante ao lado. Simpatizo com a política e acho curiosa a fixação em mártires católicos. Não vejo ligação entre uma coisa e outra. O próprio admite que dá barely a hint about the possible connections, a problem still very much on the horizon of inquiry. Confesso-me algo decepcionado.

quinta-feira, setembro 01, 2005

sábado, agosto 27, 2005

Os Edukadores

Ah, e tal. Dura muito tempo. Não é totalmente parvo. Pelo menos poupa-nos às formas mais evidentes de jactância cinéfila. Nisso é melhor do que a Ilha ou a Fábrica de Chocolate.

A Fábrica de Chocolate

Mais um filme, mais um huis clos. Tempo perdido, pois nunca ninguém o fará melhor do que John Hughes. Recordo o Breakfast Club. Mais intertextualidade. Mais do mesmo. A Bonham Carter está cada vez mais gira. Sorte do Burton. Fazem um casal perfeito. Têm dinheiro a mais.

A Ilha

A Ilha padece de pós-modernidade galopante. Já não há cú para intertextualidades. Arranjem um brinquedo novo. O que é que a Scarlett e o Ewan tinham fumado quando aceitaram trabalhar com o realizador de Armagedão? O filme tem uns bons 50 minutos de correria acéfala a mais. O design está giro: é uma ilha bonita. Saudades da Madonna.

terça-feira, agosto 23, 2005

Robert Anton Wilson on Tim Burton's Batman

The moronic Bronson and Stallone "one man above the law" films glorify vigilantism with the logic of right-wing para-noids. Batman both challenges that folk fascism and poker-facedly "defends" it on the eminently Existentialist grounds that in a universe without morals or meaning everybody has to create their own reality and take responsibility for it.

Robert Anton Wilson in Magical Blend, #25

Piano Man identificado?

A imprensa noticia que o "Piano Man"foi identificado. Que diria Fort da forma como está a ser trabalhada a informação acerca deste Kaspar Hauser moderno?

sábado, agosto 20, 2005

V for Vendetta adiado até 2006

O artigo sugere que por razões políticas. Compreendo: a conjuntura é adversa a que se recupere um livro assim. Há as bombas e o panóptico de câmeras nele previsto cobre já Londres, enquanto a pele do regime endurece de dia para dia.

sexta-feira, agosto 19, 2005

A entrevista - exercício em ruído sináptico

Um objecto que possa interpor ao interlocutor desconhecido que aguardo. Um livro: porque não me ocorreu trazer um livro? Espera! Tenho a moleskine! Salvo! Nada baliza o que sou, ou melhor, o que me quero apresentar como como uma moleskine. Se for efectivemente do meu interesse ficar neste sítio, o meu interlocutor saberá reconhecer este símbolo. Só é pena a caneta, uma miserável ponta de feltro fina, daquelas que recebem rigidez de um exosqueleto de metal. Que será feito da caneta de tinta permanente que costumava usar? Estará arrumada ou perdida? Há peças que faltam. A minha vida é como um motor sem todas as suas partes. Funciona, mas de forma penosa e susceptível de falhar a qualquer momento. Que será feito do X? Há algo que o chateia. As peneiras não o deixam menos perdido do que eu. Só estorvam. Choca-me a forma sistemática, deliberada como procuramos formas de nos sentirmos superiores aos outros. Todo o empenho mesquinho que vai nisso. Se a vida fosse uma contabilidade com duas colunas, uma para os perdidos e outra para os achados, o que ficaria na última? Montes de coisas: a miúda, o cão, a avó. Pessoas e coisas há que teriam de figurar em ambas as colunas. Talvez todas, porque panta rei, omnia mutantur. Eis um dito que daria uma boa tatuagem, força da ironia que nasce da pretensa durabilidade das tatuagens. Começo a ter sono. Já espero há imenso tempo. Vinte minutos desde que cheguei. Dá uma média de uma página, frente e verso, de moleskine por cada quinze minutos. É má onda, deixarem-me esperar tanto? Ou um teste à minha determinação e paciência? Será que vale a pena esperar tanto por uma oportunidade de servir a república portuguesa? Esperei trinta e dois anos. Posso esperar mais um pouco. Temo adormecer se fechar o livro. Vamos ver. Ouço o cumprimento - tee jay. Redes e o que circula nelas, texto fechado e sociabilidade. Tudo muito fluxo, tudo muito elemento água. Mercúrio. Saudade de Parménides. De um tempo de rochas. Scila e Caribdis. Onde figuram estas? Na Odisseia ou na Eneida?

Sexta-feira, 1 de Julho de 2005

Verstehen

Tudo compreender é tudo perdoar? Ou, se a empatia está no cerne do projecto sociológico, podemos ainda falar em ciência? Também há a questão da regra de ouro: pode-se então ser sociólogo, mormente da estirpe Weberiana, sem ser cristão?

quarta-feira, agosto 17, 2005

Ainda a morte do Sr. Menezes

O canal britânico ITV teve acesso a documentos segundo os quais o Sr. Menezes não terá fugido ou saltado o portão, antes terá pago o bilhete, pegado num exemplar de um jornal gratuito e estaria calmamente sentado no metro quando foi imobilizado e, de seguida, abatido.