domingo, novembro 18, 2007

quinta-feira, novembro 08, 2007


Por vezes a vida mima-nos. Será que para o mês teremos a Blanchett ou a Richardson?

terça-feira, setembro 18, 2007

Nausicaä

Pois, estou a ler a Nausicaä pela primeira vez. Ainda vou a meio do primeiro volume mas constato que realmente mais vale a pena ir direito aos clássicos do que perder tempo a garimpar os contemporâneos. Acho que fui displicente face à Nausicaä por entender Miyazaki sobretudo como um cineasta. Disparate.

quinta-feira, agosto 23, 2007

Febra de Goblot

...la richesse assure des loisirs que le bourgeois a utilisés pour faire des études et accroître sa valeur personnelle...

Goblot, E. (1967 [1925]) La barriére et le niveau: étude sociologique sur la bourgeoisie française moderne. Paris: Presses Universitaires de France, p. 104.

Posta de Proust

Para ele [o letrado], um livro não é o anjo que levanta voo logo que ele abriu as portas do jardim celeste, mas um ídolo imóvel, que adora por ele próprio, que, em vez de receber uma dignidade verdadeira dos pensamentos que desperta, comunica uma dignidade fictícia a tudo quanto o rodeia. (...) considero doentio este gosto, esta espécie de respeito fetichista pelos livros...

Proust, M. (1997 [1905]). O Prazer da Leitura. Lisboa: Editorial Teorema, pp. 45-46.

terça-feira, agosto 21, 2007

Fatia de Russell

Há dois motivos para se ler um livro; um, o próprio prazer da leitura; o outro, a possibilidade de alardear conhecê-lo.

Russell, B. (1997 [1930]). A Conquista da Felicidade. Lisboa: Guimarães Editores, p. 52.

domingo, agosto 19, 2007

Naco de Proust

[Entre os letrados] ignorar um determinado livro, uma determinada particularidade da ciência literária, será sempre, mesmo num homem de génio, uma marca de grosseria intelectual. A distinção e a nobreza consistem na ordem do pensamento também, numa espécie de franco-maçonaria de costumes, e numa herança de tradições.

Proust, M. (1997 [1905]). O Prazer da Leitura. Lisboa: Editorial Teorema, pp. 56-57.

sexta-feira, julho 13, 2007

Viagem imóvel: da lisonja viril à virilidade servil

A erudição é um número de circo. A memória amestrada faz truques, o público aplaude, o amendoim ou o bife não tardam. Paradoxalmente, a erudição é também bravata, testosterona, masculinidade. O MC e o scholar são um só tipo humano, diferindo apenas no acessório que é essencial: a posição social. A bibliofilia e o tuning são um só comportamento humano - entusiasmo - e cumprem uma só função - alimentar bravata. O entusiasmo é a proteína, a bravata o músculo. E o músculo, todos sabemos para que serve.

terça-feira, julho 10, 2007

voluntarismo, s. m., característica daquele que é voluntarioso.

voluntarioso
, adj., caprichoso; teimoso; rebelde; que pretende impor a sua vontade.

Dicionário Língua Portuguesa On-Line


Não são mimos e tenho hoje razões para crer que sejam termos utilizados amiúde em conversas sobre a minha pessoa. Parecem-me contudo descritores adequados. Parte de mim é sensível a parte do corpo ideológico da Ayn Rand. Antes a hubris que a hebefrenia. Antes a mania que a abulia... e depois há resultados, coisas que se materializam. E a materialização, paradoxalmente, anima.

Infelizmente, este é também o bilhete (ou um pretexto?) para maus sentimentos para com as diversas estirpes de underachievers (segundo o meu padrão de expectativas, claro!) com que me vou confrontando no dia a dia. Mas não hoje: uma hora de ginásio sublima a agressão na combustão sem chama da respiração celular e ao escrever esta última linha na varanda, gozando o sol do entardecer, já os fumos se dispersam ao vento.

sexta-feira, julho 06, 2007

Assalto aos EUA

Ao ver o trailer do Die Hard 4.0 fiquei como que ofendido pela aparente traição ao modelo do huis clos. No trailer há cenas que se passam em ruas e viadutos, sob o céu. Fui ver o filme e tive de dar a mão à palmatória. O filme - desigual, melhor na bravata inicial e em derrapagem blockbusterizada para o fim - explora a claustrofobia de um país inteiro tomado refém. Espero que se apercebam de que John Hughes é o realizador ideal para o 5.0.